Automação em Ferreomodelismo

Por: Ferreoclube   Dia: 13 de julho de 2018

O sistema mais simples de operar uma maquete ferroviária, conhecido como DC (Direct Current, em associação com o uso predominante de corrente contínua para a alimentação de ferreomodelos em maquetes) ou Controle Analógico, consiste na operação dos trens na maquete por meio da variação da tensão elétrica nos trilhos para as escolhas de velocidade do sentido de tráfego. corrente elétrica nos trilhos para as variações de velocidade e inversão do sentido de tráfego. Contudo, a operação de uma maquete analógica, apesar de mais barata que a operação digital – por não necessitar de uma central digital e decoders no material rodante – torna-se trabalhosa quando a maquete cresce, devido à necessidade de separar os trechos controlados e o controle dos desvios, pois cada trecho e desvio deve ter sua alimentação separada. Ademais, as operações ferroviárias com material analógico requerem um conhecimento mais artesanal do equipamento por parte do modelista, como a alteração de potência para as composições percorrerem trechos inclinados, assim como a resposta de cada modelo com a mesma intensidade de corrente fornecida na linha.

 

No sistema analógico varia-se a tensão aplicada na via (de 0 a 15V para a escala HO) e todas as locomotivas naquela seção apresentarão o mesmo movimento, pois elas somente captam a energia dos trilhos e direcionam diretamente para o sistema de iluminação e de tração. Quando deseja-se que uma locomotiva não mais se movimente com as outras, a máquina deve ser retirada dos trilhos ou estacionada em um ramal devidamente isolado eletricamente, por meio de um isolamento simples, acionado por interruptores similares aos de lâmpadas de iluminação no painel de controle. Esse sistema funciona muito bem em maquetes pequenas, onde se movimentam poucos trens ou onde manobras são pontuais. Quando deseja-se rodar mais trens ao mesmo tempo em direções opostas ou com velocidades diferentes ou efetuar manobras enquanto outros trens se movimentam, torna-se necessário dividir a maquete em seções onde cada uma tem seu próprio controlador e suas seções isoladas. Este tipo de operação pode ser utilizado em maquetes grandes, com muitas linhas e muitos pátios, mas demandará uma quantidade enorme de controladores, trechos isolados e um painel de controle com seleção para os controladores etc, tarefa esta que torna-se trabalhosa e demanda tempo.

 

Um exemplo dessa solução é vista nas fotos abaixo. Em cada pátio existe um painel de controle. O controlador, ao ver a aproximação de um trem, aperta o botão Ef(Einfahrt, Entrada ou Autorização de Entrada) e traça a rota para o trem, usando um botão branco para a linha de origem e um outro para a linha de destino do trem. A rota é traçada automaticamente e o trem é levado até aquela linha automaticamente. Quando deseja-se fazer manobras procede-se de maneira semelhante, pois quando um trecho não possui rota, sua energia é desligada e pode-se utilizar o comando manual da loco. Quando o trem está pronto para partir, traça-se a rota até a linha de saída e aperta o botão Af (Ausfahrt, Saída ou Pedido de Autorização de Entrada) e o trem é levado automaticamente até o próximo pátio, onde a operação se repete.

 

O primeiro sistema de controle digital foi apresentado ao mercado pela Märkin em 1979 na feira de brinquedos de Nürnberg, e lançado às vendas em 1985. O equipamento oferecia capacidade de controle simultâneo para até 80 locomotivas e 256 acessórios, e contava com controle de velocidade de 14 níveis e diversas funções adicionais como faróis, buzinas, gerador de vapor, desengate automático, som, dentre outras. Logo surgiram outros programas por outros fabricantes, e em pouco tempo começaram a aparecer diversos problemas relacionados à incompatibilidade entre os diversos sistemas. Para solucionar esse problema, a NMRA criou o DCC Working Group, com o objetivo de desenvolver um protocolo de comunicação que permitisse a interoperabilidade entre os diversos equipamentos, que afetava o desenvolvimento de sistemas de controle de maquetes desde as primeiras tentativas de desenvolvimento nos Estados Unidos na década de 1940. Assim, o grupo decidiu basear-se no protocolo desenvolvido pela Märklin para seus modelos com 2 trilhos e adicionou novas funcionalidades desenvolvidas como requisitos para um protocolo seguro e robusto; e em 1992 a proposta do protocolo foi apresentada pela NMRA, passando a ser comercializada e difundida logo depois.

 

Entretanto, o protocolo DCC é unidirecional, ou seja, a central envia os pacotes e os decoders o interpretam, mas o caminho oposto não é feito. Isso inviabiliza sua automação num primeiro instante, pois a central não tem como ter um feedback da situação na maquete. Por isso alguns sistemas de feedback foram desenvolvidos, como os sensores S88 da Märklin e o Loconet, da Digitrax. Este último tem um protocolo que utiliza conexão ethernet para criar uma rede LAN que conecta todos os dispositivos conectados, fazendo com que o sistema seja muito robusto e permita ampliação, nos moldes de uma rede de internet comum. Além disso, em seu protocolo está previsto uma linha de alimentação para outros dispositivos, ou seja, sobre esse protocolo é possível adicionar novos dispositivos de entrada, como painéis de controle, controladores de mão, entre outros. Como funciona sobre um protocolo que é amigável aos computadores, sua conexão com softwares de controle é simples e direta, através de uma interface (Locobuffer ou PR3, da Digitrax). Utilizando um software de controle, como o JMRI, Rocrail, Traincontroller, entre outros, é possível definir ações automáticas, baseadas em dados enviados pelo Loconet, como seções ocupadas, posições de desvios e sinais, e automatizar a operação na maquete. Além disso é possível também utilizar a rede wireless para conectar novos dispositivos, como celulares e outros computadores, que permitem o controle da maquete e dos trens pelo celular, não necessitando a compra de novos controles.

 

Imagens:

 

Painel de controle da Miniatur Wunderland, em Hamburgo

 

Painel de controle do Miniversum, em Budapeste

 

Budapest Keleti na Miniversum, por Arthur Bilheri

 

Trem de carga em uma das linhas de uma estação na Miniversum, por Arthur Bilheri

Miniversum em funcionamento, por Arthur Bilheri

 

Maquete Miniversum, por Arthur Bilheri

 

 

Fontes: DCC Wiki (http://www.dccwiki.com/DCC_History); Digitrax (http://www.digitrax.com/); Ferreoclube (http://www.ferreoclube.com.br); Java Model Railroad Interface (http://jmri.sourceforge.net/); National Model Railroad Association (http://www.nmra.org/); Rocrail (http://wiki.rocrail.net/doku.php).

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