Locomotivas FA1

Por: Ferreoclube   Dia: 29 de junho de 2018

As locomotivas da família FA foram lançadas em 1948 pela American Locomotive Works em parceria com a General Electric para concorrer com os modelos FT da Electro Motive Diesel de 1939 que inauguraram a revolução do diesel no setor ferroviário, com mais de 1.000 vendas para diversas ferrovias estadunidenses. As máquinas seguiam o estilo Covered Waggon, podendo operar em duplas ou com unidades FB, equipadas apenas com motores para fornecer potência adicional. Seu design concebido por Ray Patten é considerado o mais bem sucedido refinamento desse estilo, em uma combinação de linhas retas e angulares que transmitem a imagem de força e beleza. Apesar de terem sido projetadas primordialmente para o transporte de cargas (a letra F da série designa Freight) ao passo que as locomotivas PA foram concebidas preferencialmente para trens de passageiros (P para Passenger), as máquinas eram frequentemente utilizadas tanto em composições de carga como de passageiros, em função das grandes similaridades entre os modelos de ambas as famílias.

 

Fabricadas entre janeiro de 1946 e maio de 1959, foram vendidas ao todo 952 unidades para clientes nos Estados Unidos, Canadá, Brasil, México e Paquistão. Os primeiro modelo lançado ao mercado foi o FA-1/FB-1, equipado com um motor ALCO 244 de 1.600HP, rodagem B-B e capaz de atingir a velocidade de 100Km/h, e foram fabricadas 445 unidades FA1 e 249 unidades FA2 desde o lançamento até outubro de 1950 para 26 companhias ferroviárias no Brasil e América do Norte. Posteriormente, foi lançado o modelo FA2/FB2, equipado com um aprimoramento do motor ALCO 244 capaz de fornecer a potência de 1.800HP e uma modificação estética nos radiadores – as grades dos radiadores dessas locomotivas localiza-se mais perto da extremidade traseira do que as das antecessoras. Fabricadas entre outubro de 1950 e junho de 1956, foram vendidas 344 unidades FA2 e 194 unidades FB2 para 19 clientes na América do Norte. Ainda, foram fabricadas para a Pakistan Railways 23 unidades do modelo FCA3/FCB3, das quais 14 foram produzidas em 1951 e as nove restantes em 1953; equipadas com o mesmo motor das FA2/FB2 e rodagem A-1-A-A-1-A, foram fabricadas apenas unidades equipadas com cabine, sem conjuntos de potência adicional. Por fim, foram produzidos os modelos FPA2/FPB2 seguindo as mesmas especificações das FA2/FB2, porém equipados com um gerador adicional para o aquecimento dos carros dos trens de passageiros; foram produzidas para nove empresas 73 unidades FPA e 33 unidades FPB entre 1950 e 1955. Os último modelo dessa família foi o FPA4/FPB4, construído com as mesmas especificações do FPA2/FPB2, porém equipado com o novo motor ALCO 251 de 1.800HP, em função das diversas falhas nos motores ALCO 244 que levaram à dissolução da parceria ALCO/GE em 1953; e a única empresa a encomendá-las foi a Canadian National, que adquiriu 34 locomotivas FPA4 e 12 unidades FB4.

 

No Brasil, a única companhia a adquirir esses modelos foi a E.F. Central do Brasil, que adquiriu 12 locomotivas FA1 como parte de seu processo de dieselização e para seus trens de passageiros de longa distância nas rotas Rio de Janeiro – São Paulo e Rio de Janeiro – Belo Horizonte. Embora a fabricante já disponibilizasse na época o modelo FPA4/FPB4, a escolha por parte da empresa ao modelo FA1 deveu-se ao fato dessa locomotiva ser mais adequada às suas necessidades devido ao mecanismo de redução que embora atingisse velocidades mais baixas, propiciava melhor desempenho no transporte de composições de carga. Outras características notórias eram os truques de rolamentos que exigiam muito menos manutenção que as caixas de graxa com mancais de bronze das antigas locomotivas a vapor e modelos diesel – elétricos mais antigos, como as S1 e RS1 adquiridas durante o início da dieselização.

 

Numeradas 3201 – 3212, foram entregues entre setembro de 1948 (unidade 3201) e janeiro de 1949 (unidade 3212) e receberam a tradicional pintura vermelho cereja com a faixa marfim e o nome CENTRAL escrito em branco com sombras verdes nas laterais. A viagem inaugural foi realizada no dia 20 de outubro de 1948, sob o acompanhamento do engenheiro Aldo Marsili, que acompanhou os testes e entrega das máquinas desde abril do mesmo ano; a primeira composição puxada pela locomotiva 3201 era formada por 11 carros (334.000Kg de peso total) e foi conduzida pelo maquinista Alcebíades na rota Rio – São Paulo. Em poucas semanas de operação, como a maioria das locomotivas da Central, as FA1 receberam o apelido “Biriba” em razão da semelhança de seu nariz com um focinho de cachorro, e pela chegada na mesma época em que tornou-se famoso o mascote homônimo do Botafogo, vencedor do campeonato estadual de 1948.

 

Além do papel principal nos trens de passageiros de longa distância da Central, as FA1 também eram utilizadas no transporte de mercadorias, embora em papel auxiliar às RS1 que, por sua vez, tinham o papel principal no transporte de cargas e secundário no de passageiros no Ramal de São Paulo e Linha do Centro. Após a incorporação da Central à RFFSA em 16 de março de 1957, as Biribas receberam a nova pintura vermelha e amarela da nova empresa, com a identidade visual RFFSA Central. Com a chegada de modelos mais modernos e potentes, foram utilizadas cada vez menos em trens de cargas, e frequentemente em formação dupla – um traço peculiar dessas locomotivas era só poderem operar em formação duplex e engatadas pela traseira, por não possuírem cabos jumper na parte frontal. Ao longo do tempo, as unidades 3202, 3206 e 3209 foram baixadas por acidentes, enquanto as demais foram retiradas de serviço durante a década de 1970; as últimas locomotivas foram as 3205 e 3212, que circularam até 1983. Das doze máquinas, onze foram cortadas, e apenas a 3202 sobreviveu, encostada no Museu do Trem em mau estado de conservação.

 

Imagens:

 

Locomotiva 3211 com a pintura vermelho cereja da Central em fotografia institucional da Companhia tirada em 1948

 

Embarque da locomotiva 3212 nos Estados Unidos para o Brasil, por Dave Henderson

 

Locomotivas FA1 a caminho da EFCB. Acervo de Alex Elias Ibrahim

 

Biriba 3201 com um trem de carga nas proximidades de Engenheiro São Paulo em dezembro de 1949, por Carlheinz Hahmann

 

Unidade 3211 recém reformada nas oficinas do Engenho de Dentro em 1950, com a nova pintura da EFCB. Acervo RFFSA – Preserfe

 

Locomotivas 3204 e 3210 em Engenheiro São Paulo ao lado das locomotivas a vapor “Camelo” da Central. Acervo RFFSA – Preserfe

 

Locomotiva 3209 com o trem Santa Cruz em Lorena-SP. Anos 1950. Acervo de Matheus Peixoto

 

FA1 nº3208 com um trem de passageiros em Cruzeiro no dia 1º de julho de 1962, por Antonio Carlos Arruda

 

FA1 nº3212 com o Trem Bahiano, que fazia a rota São Paulo – Belo Horizonte, e era assim apelidado por causa da grande quantidade de imigrantes nordestinos que nele viajavam para o Sudeste do País em busca de melhores condições de vida. Fotografia tirada em novembro de 1958, por Carlheinz Hahmann, nas proximidades do Brás

 

FA1 nº3201 próximo a Eng. São Paulo em dezembro de 1949, por Calhheinz Hahmann

 

Unidade 3209 em Barra do Piraí, no começo de 1950, por Ernani Eduardo dos Santos

 

Locomotiva FA1 nº3212 realizando testes com um carro dinamômetro na Serra da Mantiqueira, em outubro de 1949. Acervo de Aldo Marsili

 

Locomotiva 3207 tracionando o Vera Cruz nos anos 1950. Acervo RFFSA

 

Unidade 3212 puxando o Trem Bahiano com uma RS3, em Roosevelt. Fotografia de 1970, por Fábio Dardes

 

Nos últimos anos de sua longa carreira na Central, as FA1 eram utilizadas em formação dupla para reduzir a fadiga após tantos anos de uso intenso. Fotografia tirada na estação Roosevelt, no final da década de 1970. Acervo de Matheus Peixoto

 

Locomotivas FA1 da RFFSA em Roosevelt, em julho de 1973. Fotografia de Sérgio Mártire

 

Modelo em escala HO com a pintura vermelho cereja da locomotiva nº3202 da EFCB, por Sallomão

 

Vista lateral de uma FA1 Frateschi EFCB com a pintura “Papo Amarelo” da Companhia. Foto institucional

 

Modelo em escala HO da FA1 nº3201 com a pintura da 6ª Divisão Central da RFFSA na Maquete da Garagem, por João Rodrigues

 

FA1 com um trem de passageiros em escala HO na Maquete da Garagem

 

Dupla de locomotivas FA1 em escala HO, por Leandro Gouveia

 

Locomotiva 3203 da RFFSA aposentada e em mau estado de preservação no Museu do Trem, no Rio de Janeiro. Foto de 20/05/2005, por Marcelo Nicolini

 

Gato dormindo no painel da locomotiva 3203 abandonada na estação Barão de Mauá, em agosto de 2010, por Rodrigo Cabredo

 

Locomotivas FA1 em tração tripla com uma composição de carga fotografada em Salt Lake City, Utah. Entre as locomotivas FA1, pode-se notar os quatro conjuntos auxiliares FB1 para aumentar a potência. Autor desconhecido

 

FA1 nº617 da Long Island Railroad (à direita e ao fundo) junto com a MP15AC nº160 (à esquerda e à frente). Antes de pertencer à LIRR, essa FA1 havia sido a New Haven nº428 e Penn Central nº1333. Fotografia de 20/03/1999, por Robert Pisani

 

Outro clique da FA1 nº617 da Long Island Railroad, desta vez por William Skeats, tirado no dia 7 de outubro de 1998, em Montauk, New York

 

 

Fontes: A Era Diesel na Central; Almanaque da RFFSA (http://almanaquedarffsa.blogspot.com.br); Centro – Oeste (http://vfco.brazilia.jor.br); Ferreoclube (http://www.ferreoclube.com.br); Mestre Ferroviário (http://mestreferroviario.blogspot.com.br); Railpictures (http://www.railpictures.net).

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