Locomotivas RS3

Por: Ferreoclube   Dia: 15 de junho de 2018

As locomotivas RS3 foram lançadas pela American Locomotive Company em maio de 1950 como um aprimoramento dos modelos RS1 e RS2 da família Road Switcher, com 1.600HP e diversos aprimoramentos no motor Alco 244 visando aumentar a confiabilidade desse motor que havia apresentado diversas falhas operacionais e obrigado a fabricante a fornecer inúmeras peças sobressalentes e kits de modernização para diversos clientes. Dado o relativo sucesso com os modelos anteriores, a Alco manteve o mesmo design em suas novas locomotivas, de forma que as RS3 são quase idênticas às RS2, salvo discretas diferenças na localização da caixa de baterias e exaustores. Desenvolvidas para concorrer com o modelo GP7 da EMD lançado em 1949, as RS3 foram as locomotivas mais vendidas da família RS, embora não tenham superado a concorrente no número de vendas (1.418 vendas contra 2.729 da GP7). Foram vendidas 1.265 locomotivas para companhias estadunidenses, dentre as quais pode-se destacar a Chesapeake & Ohio (2 unidades); New Haven (45 unidades); New York Central (130 unidades). 98 foram adquiridas pelas companhias canadenses, 7 para empresas mexicanas e 48 para a companhia brasileira E.F. Central do Brasil.

 

Com a liberação da verba do Governo Federal para a Companhia adquirir 120 novas locomotivas, a Central realizou uma licitação para 60 locomotivas de bitola larga, para a qual foram apresentados os modelos RS3 da Alco e AS616 da Baldwin, outrora líder mundial na fabricação de locomotivas a vapor e que enfrentava dificuldades para competir no mercado de máquinas a diesel. Apesar da preferência da Companhia por locomotivas da primeira fabricante, a intensa propaganda da Baldwin convenceu a EFCB a comprar 12 unidades AS616 e 48 RS3 para o reforço das operações na Linha do Centro. Fabricadas pela Montreal Locomotive Works no Canadá entre outubro de 1952 e agosto de 1953, as locomotivas RS3 logo foram apelidadas de Canadenses, e receberam a pintura azul e amarela da Central e a numeração 3301 a 3348. Ao passo que as AS616 “Espanta Demônio” foram numeradas 3371 a 3382 e já entraram em operação no dia 25 de julho, as primeiras RS3 a entrar em operação foram as 3301 a 3302 no dia 22 de outubro, com um trem de carga entre o Arará e Deodoro.

 

Apesar da detecção de alguns problemas iniciais, como o excesso de patinação, foram logo resolvidos pela equipe de assistência técnica das fabricantes (GE e Alco) e já em 1954 as RS3 já eram as principais locomotivas de carga da Central (e até eventualmente dos trens de passageiros para Belo Horizonte e São Paulo), assim como as últimas de bitola Larga adquiridas pela Companhia antes de sua incorporação à Rede Ferroviária Federal S.A. em 1957. Já na década de 1960, com a progressiva mudança do perfil de transporte para granéis e minérios e o declínio da participação de cargas gerais, logo perderiam destaque para os modelos Special Duty da EMD, e sendo alocadas para serviços secundários; e em 1967 as primeiras RS foram baixadas (unidades 3341 e 3346) em função de acidentes cuja recuperação seria cara demais. Devido à falência da Alco em 1969, as avarias em suas locomotivas tornaram-se cada vez mais frequentes ao longo das décadas de 1970 e 1980, e ao passo que as RS1 foram rapidamente retiradas de operações junto com as GE244, as RS3 receberam a prioridade na manutenção por serem mais modernas e potentes, e foram alocadas para serviços de manobra e auxiliares – principalmente rebocando trens – unidade avariado nos subúrbios do Rio. Quando da implementação do Código SIGO em 1983, as 38 locomotivas operacionais (as unidades 3305, 3307, 3309, 3313, 3321, 3324, 3327, 3329, 3341 e 3346 já haviam sido baixadas anteriormente) receberam a numeração 7101 a 7138. Destas, as unidades 7102, 7109, 7127, 7105, 7117, 7116, 7119 e 7101 foram adquiridas pela CPTM, que as renumerou 6001 a 6008; as 7103, 7114 e 7125 para a Supervia e a 7108 encontra-se com a ABPF em Engenho de Dentro (2015).

 
Ainda, a Alco disponibilizava o modelo RSC3, produzido entre novembro de 1950 a junho de 1955 (as RS3 estiveram no catálogo da empresa de maio de 1950 a agosto de 1956) com a mesma mecânica das RS3, porém com rodagem A-1-A-A-1-A para melhor distribuição de peso para ramais e linhas secundários de menor peso por eixo. Foram vendidas 99 unidades para diversos clientes no Argélia, Austrália, Brasil, Estados Unidos, Panamá, Paquistão, Portugal e Uruguai. A única companhia ferroviária brasileira a adquirí-las foi a Companhia Paulista, que comprou 12 RSC3 de bitola Larga em 1951 para serviços de carga em suas linhas não eletrificadas, e as numerou 650 a 661. A principal diferença entre os modelos utilizados pela CPEF dos demais pode ser notada com atenção ao observar-se os truques: as locomotivas brasileiras possuíam truques Trimount simétricos, ao passo que as estadunidenses possuem truques assimétricos. Posteriormente renumeradas 7651 a 7662 em 1971 pela Fepasa, foram baixadas no final da década de 1970 e substituídas pelas mais eficientes U20C, com exceção da unidade 7653, que foi comprada pela Ciminas em 1983, vendida à SPA Engenharia para a construção da Ferrovia Norte Sul e adquirida em leilão no dia 19 de abril de 2012 pela IRON, que a cedeu para operar alugada na Supervia.

 

Imagens:

Locomotiva nº7130 da RFFSA (ex-3337 da EFCB) em Volta Redonda, por Nelmar Cardoso

 

Locomotiva nº7136 (ex-3345 da EFCB) da RFFSA em Pedro Leopoldo, em fotografia tirada no dia 04/05/1994 por Flavio F. Lage

 

Unidade 7125 da Flumitrens (ex-3333 da EFCB) em Engenho de Dentro no dia 16 de junho de 1995, por Flavio F. Lage

 

RS3 nº3304 com a pintura Papo Amarelo da EFCB em Roosevelt. Acervo de Matheus Peixoto

 

Locomotiva 3308 da EFCB. Acervo de Alex Elias Ibrahim

 

Locomotiva RS3 nº3304 com a pintura azul e amarela da Central com um trem de pedra britada aguardando cruzamento em Engenheiro Passos, no Ramal de São Paulo. Fotografia tirada no ano de 1969, por Guido Motta

 

Locomotiva 3320 com a pintura RFFSA – Central em São Diogo – RJ. Acervo de Matheus Peixoto

 

Locomotiva RSC3 da Companhia Paulista tracionando o Trem R. Acervo de Alex Elias Ibrahim

 

Locomotiva RSC3 da Companhia Paulista. Acervo de Alexandre Fressatto

 

Modelo em escala HO da unidade 3308 com a pintura da RFFSA tracionando uma composição de passageiros, por Jose Rodrigues

 

Modelo HO da locomotiva RS3 nº3314 com a pintura azul e amarela da EFCB na maquete Central Sudeste, por Jose Rodrigues

 

Modelo da locomotiva RS3 nº3308 com a pintura azul e amarela da Central, modelada por Jose Rodrigues

 

Modelo em escala HO da locomotiva nº6001 da CPTM, por Ricardo Freitas

 

Locomotiva nº6001 da CPTM (ex-7102 da RFFSA) próxima à Estação da Luz, em 28 de maio de 2008. Foto de Thomas Corrêa

 

Locomotiva nº6004 da CPTM (ex-7105 da RFFSA) com o expresso turístico em Jundiaí. Destaque para o suporte nas extremidades da locomotiva utilizado para o suporte da peça de engate Janney – Scharferberg que permite à RS3 rebocar os trens – unidade da Companhia que possuem engates Scharferberg. Foto de William Molina, de dezembro de 2011

 

Locomotiva 6004 da CPTM com o Expresso Turístico na Estação da Luz, por Jonathan Lee

 

RS3 nº7121 (ex-7653 da RFFSA) da Supervia realizando serviços de manutenção no trecho da antiga Linha do Centro, nas proximidades do Maracanã, no Rio de Janeiro. Foto de Bruno Viajante Fla, de 3 de agosto de 2013

 

Antiga locomotiva 7653 da RFFSA com a pintura da SPA Engenharia tracionando um trem administrativo na Ferrovia Norte Sul. Foto institucional

 

Alco RS3 nº7121 com um trem de serviço na Ferrovia Norte Sul, em dezembro de 2010. Foto institucional

 

Locomotiva RSC3 da Companhia Paulista com a nova pintura da Fepasa, pouco depois da incorporação da CPEF à estatal em Barretos, por Guido Motta

 

Modelo HO da locomotiva RSC3 nº654 na Maquete da Garagem, por Fabio Barros

 

Locomotiva nº305 da Green Bay & Western com nariz rebaixado em Green Bay, Wisconsin, em dezembro de 1987, por Greg Mross

 

Dupla de RS3 da Southern Railway realizando serviços de manobra em Atlanta, Georgia, no ano de 1966. Foto de Ron Flanary

 

Lehigh Valley nº210 em Allentown, Pennsylvania. Foto de Joe Blackwell, datada de 1973

 

Trem de carga da Batten Kill Railroad tracionado pela RS3 nº4116 cruzando o rio Hoosick pouco antes de chegar em Eagle Bridge, New York. Foto de Steve Barry, tirada em setembro de 2003

 

RS3 nº109 da Nevada Northern Railway com uma pequena composição de carga em Ely, Nevada, no dia 12 de fevereiro de 2017. Foto de Parker Wilson

 

RS3 nº605 da Batten Kill Railroad com uma composição de carga passando por White Creek, New York. Foto de 10 de outubro de 2014, por Tim Stockwell

 

 

Fontes: A Era Diesel na EFCB – Eduardo J.J. Coelho/João Bosco Setti; Centro – Oeste (http://vfco.brazlia.jor.br); CPTM (http://www.cptm.sp.gov.br); Ferreoclube (http://www.ferreoclube.com.br); Mestre Ferroviário (http://mestreferroviario.blogspot.com.br); Railpictures (http://www.railpictures.net); Supervia (http://www.supervia.com.br); Valec (http://www.valec.gov.br).

Posts Relacionados

Automação em Ferreomodelismo

Postado em: 13 de julho de 2018

Continuar Lendo

Locomotivas FA1

Postado em: 29 de junho de 2018

Continuar Lendo

Locomotivas RS3

Postado em: 15 de junho de 2018

Continuar Lendo

Locomotivas RS1

Postado em: 1 de junho de 2018

Continuar Lendo