Locomotivas RS1

Por: Ferreoclube   Dia: 1 de junho de 2018

As locomotivas diesel – elétricas RS1 foram as primeiras da Série Road Switcher da American Locomotive Works, produzidas em parceria com a General Electric entre 1941 e 1953 (ALCO/GE) e 1953 a 1960 (ALCO). Projetadas para serviços gerais, foram concebidas com traços de locomotivas de serviços de linha (Road) e manobreiras (Switcher), dentre os quais pode-se destacar o maior porte e autonomia que as locomotivas de manobra, capacidade de operação nos dois sentidos e cabine localizada próximo à traseira de forma a garantir maior visibilidade traseira em manobras. Equipado com o motor primário ALCO 539T capaz de entregar a potência de 1.000HP, o modelo RS1 conta com truques B-B para obter a máxima aderência com seus 112.300Kg de peso bruto e é capaz de atingir a velocidade máxima de 105Km/h, o que permite tracionar pequenas e médias composições de carga e passageiros com tanta facilidade em uma linha principal quanto manobrá-las em um pátio.

 

Com o total de 464 unidades fabricadas, a RS1 foi a locomotiva de maior período de fabricação da indústria ferroviária norteamericana, tendo sido o primeiro exemplar produzido em março de 1941 e o último em março de 1960. As primeiras treze unidades, vendidas para as companhias ferroviárias Atlanta and St. Andrews Bay Railroad, Chicago (901 a 903), Milwaukee, St. Paul and Pacific Railroad (1678 e 1679), Chicago, Rock Island and Pacific Railroad (746 a 749), New York, Susquehanna and Western Railroad (231 a 233) e Tennessee Coal, Iron and Railroad Company (601 e 602), foram requisitadas e modificadas pelo Exército dos Estados Unidos para RSD1 na ferrovia Trans Iraniana para o fornecimento de suprimentos para a União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945). As demais foram vendidas para 46 clientes na América do Norte, dentre os quais pode-se destacar a New York Central (14 unidades), Pennsylvania Railroad (27 unidades), Chesapeake and Ohio Railroad (2 unidades), Kansas City Southern (4 unidades) e Ferrocariles Nacionales de Mexico (64 unidades). Fora da América do Norte, apenas quatro companhias ferroviárias adquiriam esse modelo: A Arabian American Oil Company, na Arábia Saudita (6 unidades); e as brasileiras São Paulo Railway (uma unidade), Estrada de Ferro Central do Brasil (43 unidades) e E.F. Santos a Jundiaí (8 unidades).

 

A primeira encomenda foi realizada em 1943 pela São Paulo Railway, de quatro locomotivas RSC1 (modelo RS1 equipado com truques A-1-A) numeradas 500 a 503, das quais apenas a nº500 chegou nos últimos meses de operação da Companhia inglesa, e as demais foram entregues já para a E.F. Santos a Jundiaí. Além dos trens-unidade da famosa Constelação da SPR, a RSC1 nº500 foi um dos poucos veículos movidos a diesel dessa ferrovia que sempre preferiu a tração a vapor e apenas decidiu pela eletrificação e dieselização tardiamente, de forma que a implantação do uso de material elétrico e diesel – elétrico foi praticamente inteira realizada por sua sucessora estatal, que adquiriu em 1956 outras oito locomotivas, numeradas 504 a 511, como reforço de seu parque de tração a diesel. Uma observação curiosa é que apenas a nº500 veio com a rodagem A-1-A-A-1-A (e foi posteriormente rebitolada para B-B), ao passo que todas as outras foram entregues com truques de dois eixos motorizados (rodagem B-B).

 

A outra encomenda foi realizada pela Central em 1945, como primeiro passo do processo de substituição da tração a vapor pelo diesel, de trinta e cinco locomotivas em dois lotes de vinte e quinze unidades, numeradas 3100 a 3134. O parque de tração movido a diesel, até então formado por apenas cinco locomotivas S1 (unidades 3001 a 3005), passava agora a exercer uma participação considerável nas principais linhas da Companhia e exigir toda uma modernização nas oficinas da empresa e treinamento de funcionários para a sua manutenção, abastecimento e operação. As RS1 receberam a clássica pintura Cherry Red das S1 (vermelha com a faixa marfim, o nome CENTRAL escrito em branco com sombras verdes), porém com o tanque e estrado pintados de preto.

 

As novas locomotivas foram primeiramente alocadas para os trechos da Serra do Mar, perigosamente percorridos por locomotivas a vapor que, além dos altos custos operacionais, ofereciam altos riscos de asfixia à tripulação nos túneis da subida da Baixada Fluminense ao interior. Também, foram amplamente utilizadas na Linha do Centro e Ramal de São Paulo até 1948, quando o parque de tração foi reforçado com a chegada de mais oito unidades (numeradas 3135 a 3142) e as doze locomotivas FA1, que assumiram o papel principal do transporte de passageiros de longas distâncias da Central; e em 1958 chegaram as locomotivas 504, 506 e 508 da EDSJ, que foram renumeradas 3139, 3140 e 3141. Ao longo do tempo, foram alocadas para serviços secundários com a chegada de modelos mais modernos, como as RS3 (1952), SD18 (1961), RSD12 (1962) e SD38M (1967); renumeradas 7001 a 7043 pelo Código SIGO (1983) e baixadas ainda na mesma década.

 

Imagens:

Locomotiva RS1 com um trem de minério na Baixada Fluminense. Acervo de Alex Elias Ibrahim

 

RS1 nº3112 da Divisão Especial de Subúrbios. Acervo de José L. Ferreira

 

Locomotiva RS1 nº3112 da EFCB com a pintura Cereja nos anos 1940, via A Era Diesel na EFCB

 

Locomotiva 3107 da Divisão Especial de Subúrbios, na estação Pedro II, nos anos 1970. Acervo de Vinicius Marques

 

Locomotiva 7038 (antiga 3122) – única unidade da EFCB a receber a cabine padrão da Alco – em serviços de manutenção em Juiz de Fora, por volta de 1987. Acervo de Arthur Bilheri

 

Locomotiva 3122 em Paraibuna-SP em 1958. Acervo de Arthur Bilheri

 

Locomotiva 3122, renumerada como 29 na Divisão Especial de Subúrbios, na Baixada Fluminense, anos 1970. Acervo de Alexandre Fressatto

 

Unidade 3103 da EFCB. Acervo de Alex Elias Ibrahim

 

Locomotiva RSC1 nº500 da E.F. Santos a Jundiaí reequipada com truques B, anos 1950. Acervo de Renato Gigliotti

 

Locomotiva RSC1 da São Paulo Railway, adquirida em setembro de 1946. Acervo de Renato Gigliotti

 

RSC1 nº505 da EFSJ com uma composição da Companhia Paulista. Acervo de Arthur Bilheri

 

Locomotiva RS1 nº3109 da EFCB com um trem de subúrbio na Variante Poá, às vésperas da inauguração da eletrificação, nos anos 1960. Acervo de Eduardo J.J. Coelho

 

Locomotiva RS1 da CBTU-RJ, por Vinicius Marques

 

Locomotiva nº3112 da Central com a pintura Papo Amarelo, por José L. Ferreira

 

Modelo em escala HO da RS1 nº3100 com a pintura Vermelho Cereja da Central, por David Santos

 

Modelo em escala HO da RS1 nº3109, por Jose Rodrigues

 

RS1 nº3109 com a pintura RFFSA – Central, por Jose Rodrigues

 

Modelos de locomotivas RS1 da EFCB com as pinturas Papo Amarelo (direita) e RFFSA – Central (esquerda) na maquete Central Sudeste, por Jose Rodrigues

 

Modelo HO da RS1 nº511 da E.F. Santos a Jundiaí, por Alessandro Calloni

 

Réplica da locomotiva RS1 nº3122 com a cabine padrão da Alco e pintura Papo Amarelo

 

Modelo HO da RS1 nº3131 com a pintura RFFSA

 

Réplica da locomotiva nº3120 da EFCB (primeira unidade do segundo lote de RS1) com a pintura Cereja

 

Da esquerda para a direita: Locomotivas nºs 3120 (pintura Cereja), 3122 (pintura Papo Amarelo) e 3131 (pintura RFFSA)

 

 

Referências

 

CENTRO-OESTE. Disponível em <vfco.brazilia.jor.br>.

COELHO, Eduardo José Jesus; SETTI, João Bosco. A Era Diesel na Estrada de Ferro Central do Brasil. Memória do Trem, 1993.

Posts Relacionados

Estação Santos – Imigrantes

Postado em: 27 de julho de 2018

Continuar Lendo

Automação em Ferreomodelismo

Postado em: 13 de julho de 2018

Continuar Lendo

Locomotivas FA1

Postado em: 29 de junho de 2018

Continuar Lendo

Locomotivas RS3

Postado em: 15 de junho de 2018

Continuar Lendo