Locomotivas Lobas

Por: Ferreoclube   Dia: 6 de abril de 2018

Como parte do projeto de eletrificação empreendido pela Estrada de Ferro Sorocabana na década de 1940, foi planejada a aquisição de dezessete locomotivas para os serviços de transporte de mercadorias e passageiros no trecho compreendido entre São Paulo e Santo Antônio (Iperó), de acordo com as previsões de demanda realizadas no final da década de 1930. Conforme especificado pela Administração, as máquinas deveriam ser capazes de percorrer o trecho em questão em duas horas e meia com uma composição de passageiros de doze carros e peso total de 475 toneladas em uma velocidade comercial de 56Km/h e máxima de 70Km/h; e uma composição de vinte vagões de carga com peso total de 600 toneladas no sentido exportação e 450 toneladas no sentido importação, a uma velocidade máxima de 50Km/h. Levando em consideração o crescimento da demanda e a folga necessária para a manutenção do material, a Administração encomendou um total de vinte locomotivas, sendo vinte e cinco à General Electric e vinte à Westinghouse/General Electric.

 

As restrições do traçado da Sorocabana limitaram o tamanho das locomotivas, o que impediu a adoção de um design aerodinâmico similar ao das 2-C+C-2; as máquinas encomendadas teriam a rodagem 1-C+C-1 e um comprimento total de 18,59m – 5 metros a menos que as vendidas à Companhia Paulista e E.F. Central do Brasil. Entretanto, ambas possuíam carenagem soldada, dispensando assim o uso de rebites e permitindo maior eficiência em razão da redução do arrasto – embora as máquinas da EFS não ultrapassassem os 90Km/h e tampouco sua proprietária tinha perfil de linha para tal. O protótipo não recebeu uma designação oficial pela General Electric – as máquinas foram identificadas como Série 2000, em razão da sua potência de 2.000HP; e foram numeradas 2001 a 2045 na E.F. Sorocabana. Em função da semelhança das extremidades da locomotiva com o focinho de um lobo, as locomotivas foram apelidadas de Lobas pelos ferroviários – as máquinas possuíam um design semiaerodinâmico com as tomadas MU expostas nas extremidades e as cabines ligeiramente recuadas, proporcionando proteção em caso de colisão e evitando o efeito hipnótico dos dormentes no solo sobre a tripulação.

 

Entregues entre 1943 e 1948, as Lobas eram as mais potentes locomotivas de bitola métrica de sua época, e foram as mais possantes do parque de tração da Sorocabana até a chegada das BB 73/73 “Minissaias” em 1968. Quando da criação da Fepasa em 1971, todas as 45 unidades encontravam-se operacionais, e as unidades Westinghouse foram renumeradas 2051 a 2071, ao passo que as fabricadas pela GE permaneceram com as numerações originais 2001 a 2025. Nos anos em que pertenceram à Fepasa, a única unidade a ser baixada na década de 1980 foi a 2051, ao passo que todas as demais foram baixadas a partir de 1994 – quando o Governo do Estado de São Paulo parou de cobrir os déficits da empresa – principalmente por falta de peças. Quando a Ferroban assumiu os ativos da Fepasa (já como RFFSA Malha Paulista) em 1998, todas as locomotivas foram baixadas, em razão da descontinuidade do uso da tração elétrica por parte da nova empresa – à exceção das unidades 2006, 2009, 2013, 2017, 2021 e 2024, que permaneceram em operações na malha suburbana da Fepasa. Destas, as unidades 2009, 2021 e 2024 foram baixadas por volta de 2002 em função de panes elétricas, para as quais a Ferroban não dispunha de peças sobressalentes ou pessoal para a manutenção; ao passo que as outras três operaram até meados de 2007. Por fim, a unidade 2013 foi a única a ser reformada e pintada nas cores da ALL para operar em caráter de testes, mas o projeto não foi adiante e a máquina foi aposentada.

 

Imagens:

 

Locomotiva Loba com um trem de passageiros da Sorocabana nas Cuestas de Botucatu, anos 1960. Foto de Waldemar Ramanzini

 

Composição de carga da EFS entrando no túnel do Lageado, anos 1960. Foto de Waldemar Ramanzini

 

Trem de carga da Sorocabana descendo as Cuestas, por Waldemar Ramanzini. Foto dos anos 1960

 

Composição de passageiros da EFS formada por carros Busch e uma locomotiva Loba subindo o morro do Peru, em fotografia de Waldemar Ramanzini datada dos anos 1960

 

Expresso Ouro Verde saindo do túnel do Lageado, nos anos 1960, por Waldemar Ramanzini

 

Trem de carga da E.F. Sorocabana subindo as Cuestas de Botucatu. Fotografia dos anos 1960, por Waldemar Ramanzini

 

Locomotiva Loba nº2023 em Sorocaba, fotografada por Sergio Martire

 

Locomotivas Lobas em anúncio da General Electric

 

Locomotiva Loba com um trem de passageiros na Serra de Botucatu

 

Locomotiva Loba 2009 nas cores da Fepasa. Década de 1990

 

Ficha técnica das locomotivas Lobas

 

Cruzamento de trens de passageiros tracionados por locomotivas Lobas em Itapevi, por Carlos Almeida

 

Lobas em tração dupla com uma composição de tanques. Sem data

 

Lobas sucateadas, por Flávio Adamo

 

Locomotiva nº2020 baixada, por Flávio Adamo

 

Locomotiva Loba nº2017 “Adhemar de Barros” modelada em escala HO por Carlos Mascarini

 

Modelo da locomotiva nº2066 com a pintura Fepasa Fase I, por Carlos Mascarini

 

Modelo da locomotiva nº2063 com a pintura Fepasa Fase II, por Carlos Mascarini

 

Locomotiva nº2018 com um trem de passageiros, por Paulo Roberto Ferraz Matthes

 

Locomotiva nº2013 com a pintura ALL Fase II. Década de 2000

 

 

Referências

 

CENTRO-OESTE. Disponível em <http://vfco.brazilia.jor.br>.

GERODETTI, João Emilio; CORNEJO, Carlos. As ferrovias do Brasil nos cartões postais e álbuns de lembranças. Solaris, 2005.

MESTRE FERROVIÁRIO. Disponível em <http://mestreferroviario.blogspot.com.br>.

MOVIMENTO DE PRESERVAÇÃO FERROVIÁRIA SOROCABANA. Disponível em <http://www.mpfsorocabana.org.br>.

PRADO TRENS. Disponível em <http://www.pradotrens.com.br>.

SEGIS E MASCARINI. Disponível em <https://www.segisemascarini.com.br>.

 

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