Locomotivas RSD12

Por: Ferreoclube   Dia: 10 de fevereiro de 2018

A RSD12 é uma locomotiva diesel – elétrica lançada pela Alco em 1956 como uma renovação do projeto da RS11, o primeiro modelo da fabricante a utilizar o novo motor Alco 251, em uma tentativa de recuperar a credibilidade perdida no mercado após as frequentes falhas apresentadas pelas locomotivas equipadas com o motor Alco 244. O relançamento do modelo destinado a competir com as GP9 da Electro Motive Diesel, entretanto, fez pouco sucesso nas vendas, visto que muitas companhias ferroviárias norteamericanas relutavam em adquirir máquinas com seis eixos para seu parque de tração; ainda contando com o atraso de dois anos em relação à concorrente, a Alco conseguiu vender apenas 141 locomotivas RSD12 durante o período de sua fabricação (1956 – 1963), frente às 4.112 GP9 vendidas entre 1954 e 1963 pela EMD. Interessaram-se no modelo sete companhias norteamericanas: Chesapeake and Ohio (10 unidades); Lake Superior and Ishpeming Railroad (4 unidades); New York, Chicago and St. Louis Railroad (9 unidades); Pennsylvania Railroad (25 unidades); Southern Pacific Company (21 unidades); Ferrocarril del Pacifico (19 unidades) e Ferrocariles Nacionales de Mexico (73 unidades); fora da América do norte, apenas a Companhia Siderúrgica Nacional comprou essas locomotivas, adquirindo dez unidades em 1962.

 

Essas locomotivas de 1.800HP e capazes de atingir a velocidade máxima de 100Km/h foram as primeiras da família Road Switcher a contar com uma versão de nariz rebaixado, de forma a permitir maior visibilidade frontal, traço adotado pela EMD no design de seus modelos GP20 e SD18, lançados em 1959 e 1960, respectivamente. Entretanto, o modelo de nariz rebaixado apenas foi encomendado pela Southern Pacific e CSN, ao passo que todas as outras companhias adquiriram locomotivas com o design de nariz alto. A aquisição da CSN foi realizada na mesma época da licitação da Central na qual a EMD venceu a concorrência com as SD18, com as mesmas especificações e o mesmo objetivo: reforço de transporte para o plano da siderúrgica de produção de 1 milhão de toneladas de aço prevista no final da década de 1950 e, por consequência, da região mais industrializada do País.

 

Fabricadas pela Montreal Locomotive Works, as máquinas foram entregues em 1962 já com a pintura da RFFSA e logo integradas ao parque de tração da Central, que as numerou de 3501 a 3510. Inicialmente foram enviadas para o Horto Florestal e alocadas para os principais trens de carga geral e produtos siderúrgicos como auxílio às SD18, que não podiam passar pelo túnel de Moeda e por isso foram alocadas apenas nos trens de minério entre Conselheiro Lafaiete, Volta Redonda e Arará. No final da década de 1970 foram transferidas para a Superintendência Regional nº4 e na segunda metade da década de 1980, incluídas no programa Bombardier de repotencialização das locomotivas RFFSA, no qual devido às enormes complicações financeiras, seis unidades foram baixadas; apenas as locomotivas 7152 (antiga 3502), 7154 (antiga 3505) e 7156 (antiga 3507) foram completamente reformadas e equipadas com os novos motores Alco 251 de 2.000HP e entregues ao serviço em 1986-87. Também foram renumeradas de acordo com o Código SIGO, implementado em 1983, como unidades 7151 a 7159; como apenas a unidade 3503 que deveria ser renumerada 7153 havia sido baixada (1977), as unidades 3504 a 3510 fossem numeradas 7153 a 7159.

 

Logo após a modernização, as três RSD12 remanescentes foram amplamente utilizadas nas obras de construção da Ferrovia do Aço, na então Superintendência Regional nº3 da RFFSA, e novamente alocadas para a SR4 em 1989. Em dezembro de 1996, quando a MRS Logística assumiu as Superintendências Regionais nº3 e nº4 da antiga RFFSA, as unidades 7152 e 7154 já encontravam-se fora de condições operacionais nas oficinas da Lapa, principalmente por falta de peças sobressalentes em função da falência da fabricante e escassez de outras unidades e modelos com mecânica similar. A única RSD12 a ser operada efetivamente pela MRS foi a 7156, que sequer recebeu a pintura da Companhia e foi utilizada apenas em pátios de manobras e trens de serviços até o dia 26 de fevereiro de 2001 em Barra do Piraí, e também encostada e baixada definitivamente na Lapa.

 

Imagens:

 

Locomotiva nº7154 na Ferrovia do Aço nos anos 1980, por Flávio Lage

 

RSD12 nº7154 vista por outro ângulo, por Flávio Lage

 

RSD12 nº7154 em Barra do Piraí, por Nelmar Cardoso

 

Vista frontal da 7154 em Barra do Piraí, por Nelmar Cardoso

 

Unidade 7156 com uma U20C da RFFSA em março de 1999, por Ben Lam

 

RSD12 nº7156 da RFFSA, por Ben Lam

 

Locomotivas nº7154 (à frente) e nº7152 (ao fundo) na Lapa. Fotografia de Ben Lam, de outubro de 1999

 

RSD12 nº3506 na Baixada Fluminense, sem data. Acervo de Adriano Santana

 

Unidade nº7152 nas oficinas da Luz, sem data. Acervo de Renato Gigliotti

 

Locomotivas RSD12 baixadas em São Paulo. Via Minas’s Trains

 

Modelo em escala HO da RSD12 nº3504, por Jose Rodrigues

 

Vista lateral da 3504, onde pode-se notar melhor a pintura RFFSA – Central e o nariz alongado da máquina

 

Vista traseira da 3504, modelada por Jose Rodrigues

 

Detalhe dos componentes do teto da locomotiva, por Jose Rodrigues

 

Modelo RSD12 de nariz alto da Norfolk & Western em Norfolk, Virginia. Fotografia de 20/02/1982, por Doug Lilly

 

Locomotivas RSD12 da Lake Superior & Ishpeming nas proximidades de Palmer, Michigan. Fotografia de Chuck Schwesinger, de 27/04/1989

 

Interior da cabine de uma RSD12 de nariz alto da New York, Chicago & St. Louis Railway, por Matt Delsander

 

Locomotivas RSD12 da Lake Superior & Ishpeming em Eagle Mills, Michigan. Foto de Doug Lilly, de 08/08/1986

 

RSD12 de nariz baixo nº2054 da West Tennessee Railroad em Jackson, Tennessee, em 02/02/1997, por RailfanTerry

 

RSD-12 nº2965 da Southern Pacific em Ogden, Utah, no dia 06/08/1975, por TC Caughman

 

Locomotivas Alco RSD12 e RS32 da Southern Pacific em Ogden, Utah, em setembro de 1976, por James Belmont

 

 

Fontes: Almanaque da RFFSA (http://almanaquedarffsa.blogspot.com.br); A Era Diesel na EFCB – Eduardo J.J. Coelho/João Bosco Setti; A Ferrovia de Minas, Rio e São Paulo – José Emílio Buzelin; Centro – Oeste (http://vfco.brazilia.jor.br); Ferreoclube (http://www.ferreoclube.com.br); Minas’s Trains (http://minasstrains.blogspot.com.br); Railpictures (http://www.railpictures.net); Veículos em Geral (http://veiculosemgeral.blogspot.com.br).

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