Locomotivas U10B

Por: Ferreoclube   Dia: 5 de janeiro de 2018

A U10B é um modelo de locomotiva diesel – elétrica lançado pela General Electric em 1961 para serviços de manobra e composições leves, seguindo o projeto das U5B, U6B e U8B da família Universal. Assim como as similares manobreiras de pequeno porte, são projetadas para operar em pátios e composições de pequeno/médio porte, principalmente em linhas com restrições de gabarito e peso, como era comum na época em países em desenvolvimento, além da variedade de bitolas, motivo pelo qual foram desenhadas para compatibilidade de qualquer bitola entre 0,914m e 1,676m. Com suas pequenas dimensões (3,53m de altura, 2,74m de largura e 11,38m de comprimento), as U10B possuem apenas 60.000Kg e 950HP de potência disponível fornecidos por um motor primário Caterpillar D398-B V8 de quatro tempos superalimentado.

 

Capazes de atingir a velocidade máxima de 96Km/h e inscrever-se em curvas de apenas 22,90m de raio, são máquinas muito bem adaptadas para linhas de perfil precário, como era bastante comum em países de Terceiro Mundo. Entre 1964 e 1992, foram produzidas 447 locomotivas, vendidas para diversos clientes na África do Sul (68 unidades); Argentina (4 unidades); Bolívia (9 unidades); Brasil (80 unidades); Colômbia (88 unidades); Costa Rica (5 unidades); Espanha (30 unidades); Filipinas (53 unidades); Guatemala (18 unidades); Honduras (9 unidades); Japão (1 unidade); Moçambique (6 unidades); Nicarágua (9 unidades); Nova Zelândia (6 unidades); Tunísia (31 unidades); Zaire (17 unidades); Zâmbia (3 unidades) e Zimbábue (10 unidades).

 

Todas as locomotivas brasileiras foram adquiridas pela Rede Ferroviária Federal S.A., que encomendou oitenta unidades à General Electric em 1966 para a 2ª Divisão – Cearense; 4ª Divisão – Leste e 7ª Divisão – Leopoldina, que na época contavam com perfis de linha complicados para máquinas mais potentes e de maior porte. Entregues pela fábrica da GE em Campinas-SP, as 25 unidades para a 2ª Divisão foram numeradas 1001 a 1025; as 30 para a 4ª Divisão como 4801 a 4830 e as demais 25 destinadas à 7ª Divisão como 2401 a 2425. Transportadas de Boa Vista até as linhas de bitola métrica da 5ª Divisão – Centro-Oeste da RFFSA sobre vagões prancha de bitola Larga (1,60m), as primeiras U10B foram realizadas em seus primeiros serviços na Centro – Oeste, devido à sua posição estratégica como malha de integração e carência de material rodante nessa Divisão, que ainda estava realizando seu processo de dieselização.

 

Na primeira metade da década de 1970, algumas unidades também operaram na 10ª Divisão – Noroeste, e depois da reestruturação de 1975, todas as locomotivas que encontravam-se no Centro – Sul do País foram transferidas para as Superintendência Regional nº1, que reunia as divisões Cearense e Leste sob a mesma administração, em Recife-PE. Junto com as locomotivas U8B, adquiridas na mesma época pela RFFSA, as U10B passaram a constituir a maior parte do parque de tração da Superintendência Regional nº7 e operavam em diversos serviços, tanto em tração simples como múltipla. De acordo com Alexandre Santurian, são locomotivas até certo ponto leves (…) adequadas às condições de boa parte das linhas da SR7, não tanto pelo estado de conservação da via permanente (aceitável), mas pelo traçado, em boa parte inadequado, principalmente na região de Cachoeira, com seu famoso solo instável de massapê (Centro-Oeste, 10/05/1992). Já nas ferrovias cearenses, conviviam com as veteranas 66T, RSD8 e U5B e algumas U8B, e em 1988 foram repassadas à Companhia Brasileira de Trens Urbanos, que passou a utilizá-las na tração dos comboios suburbanos da região metropolitana de Salvador. Com a implementação do Código SIGO em 1983, as locomotivas da rede cearense receberam as numerações 2201 a 2241 e as que encontravam-se na Bahia foram renumeradas 2242 a 2279.

 
Em 1992, havia na SR7 apenas sete unidades (2243, 2249, 2251, 2256, 2263, 2272 e 2273) encontravam-se operacionais, ao passo que as demais estavam imobilizadas devido à falta de peças de manutenção, visto que a maioria das peças obtidas com as U10B baixadas era utilizada nas parentes U5B e U8B, principalmente os truques, devido à compatibilidade e maior facilidade de manutenção. Quando a Ferrovia Centro Atlântica assumiu as concessões das SR7 e SR8 em 01/09/1996, algumas unidades paralisadas foram reformadas para retornar às operações, e doze foram devolvidas à RFFSA como inservíveis (2252, 2253, 2254, 2261, 2262, 2263, 2268, 2270, 2272, 2276, 2277 e 2279). Já as U10B lotadas na SR11 (Separada da SR1 em 1989) foram repassadas à Companhia Ferroviária do Nordeste que as reformou na década de 2000; e de acordo com Silvino Neto, dessas 34 unidades, 24 encontravam-se operacionais (2201, 2206, 2209, 2208, 2214, 2219, 2220, 2212, 2204, 2222, 2223, 2224, 2218, 2227, 2231, 2233, 2234, 2236, 2239, 2241, 2213, 2205, 2240, 2235) e as demais (2225, 2226, 2203, 2207, 2210, 2213, 2221, 2228, 2240, 2235, 2238) imobilizadas.

 

Imagens:

 

Locomotivas U10B da Transnordestina Logística S.A. passando por Caucaia em 2011, por Silvino Neto

 

Locomotivas U10B do Metrofor nº2237 ainda com a pintura da CBTU (à frente) e nº2215 com a pintura verde da nova Companhia (ao fundo) em frente à estação Caucaia, na cidade homônima, em 2011, por Silvino Neto

 

Trem de carga da Transnordestina com a U10B nº2241 no comando em 2011 passando por Caucaia (à direita) ao lado de um trem de subúrbio do Metrofor (à esquerda), por Silvino Neto

 

Cargueiro da TLSA com a unidade 2227 ao lado de um suburbano do Metrofor (à esquerda) em Caucaia em meados de 2011, por Silvino Neto

 

U10B nº2230 da CBTU realizando manobras com uma composição de subúrbios na estação de Caucaia em janeiro de 2001, por Dirceu Baldo

 

Locomotiva nº2239 com a pintura da Ferrovia Transnordestina Logística fotografada no pátio de Aracapé no ano de 2014. Autor desconhecido

 

Locomotiva U10B nº2217 da CBTU com um trem suburbano chegando na estação João Felipe, fotografada por Dirceu Baldo em 2002

 

Locomotiva 2229 manobrando nos serviços de subúrbio do Metrofor na estação João Felipe. Foto de Antonio Augusto Gorni, de 9/01/2003

 

Locomotiva 2230 recém pintada com as cores da CBTU em 1984. Autor desconhecido

 

Trem de tanques com a U10B nº2241 no comando no trecho São Luís – Bacabeira, em 10 de novembro de 2012, por Cristiano Oliveira

 

Unidade 2206 com a pintura branca e vermelha da FTL em Codó-MA em 2014. Autor desconhecido

 

Locomotivas U10B nº2212 e RSD8 nº6051 da Transnordestina com um trem de granéis nas proximidades de Sobral CE. Fotografia de Daniel Lee Marques, de 2014 em 2014, por Daniel Lee Marques

 

Locomotiva nº2204 em Sobral-CE em fotografia datada de 2014, por Daniel Lee Marques

 

U10B nº2231 em Sobral no ano de 2014, por Daniel Lee Marques

 

U8B nº2189 com truques de U10B fotografada em Sobral em 2017 por João Eudes

 

Locomotiva 2239 em Sobral no ano de 2014, por Daniel Lee Marques

 

Composição de carga da TLSA com as RSD8 nº6078 e 6093 e a U10B nº2241 partindo do terminal da Esso em Itaqui-MA. Foto de Cristiano Oliveira, de 22/04/2014

 

Unidades 2239 (à frente) e 2224 (ao fundo) em Sobral, no dia 1º de fevereiro de 2004, por Daniel Lee Marques

 

Dupla de U10B nºs 2244 (na fernte) e 2265 (atrás) em Alagoinhas, por Alexandre Santurian

 

Locomotivas U10B da RFFSA com um trem de amônia em Alagoinhas. Fotografia de Alexandre Santurian, tirada em 1991

 

Locomotivas da SR7 imobilizadas em Aramari, por Alexandre Santurian

 

Unidade 2260 imobilizada sofrendo processo de canibalização nas oficinas de Aramari, na Bahia. Fotografia de 04/06/1991, por Alexandre Santurian

 

Locomotiva UM10B: versão modificada para uso em ferrovias industriais utilizada pela Companhia Siderúrgica Nacional (21 unidades) e Açominas (3 unidades) em seus pátios de manobras. Fotografia de Filipe Forster, de 18 de janeiro de 2009

 

Locomotivas UM10B da Açominas fotografadas por José E. Buzelin no pátio de Ouro Branco, MG, em 1991

 

Locomotivas UM10B da CSN fotografadas em Boa Vista-SP por J.M. Marmy, em abril de 1993

 

UM10B nº1968 da CSN manobrando uma composição de minério, por Junior Souza

 

Além da Açominas e CSN, as UM10B também são utilizadas pela Hellenic Railway Organization (13 unidades); Rompin Mining Company (3 unidades); President Brand Gold Mining (3 unidades); President Steyn Gold Mining (2 unidades) e Renfe (41 unidades). Imagem: UM10B com vagões fechados em Atenas, no dia 17/04/2006, por Billchor

 

Locomotivas U10B da FCA em São Félix-BA em fevereiro de 2004, por Luciana de Almeida

 

U10B da Impala Platinum Mine com uma pequena composição de minério em Rustenburg, África do Sul. Foto de 07/06/2013, por Eugene Armer

 

U10B tunisiana nas minas de fosfato de Seldja. Foto datada de 03/01/2002, por Rolf Stumpf

 

U10B nº2839 da KiwiRail no depósito de Westfield, em Auckland, Nova Zelândia. Fotografia de 29/12/2014, por John Russell

 

Unidades 2822 (à frente) e 2845 (ao fundo) da KiwiRail com vagões plataforma em Puhinui, nova Zelândia. Foto de 26/04/2014, por John Russell

 

Locomotivas U10B de bitola Métrica da FEVE em Burtzeña, Espanha. Foto de Marcos Maté, tirada em 17/10/2016

 

Dupla de U10B da FEVE no ramal da Arcelor-Mittal em Burtzeña. Foto de 09/05/2016, por Marcos Maté

 

Locomotivas U10B da FEVE tracionando uma composição de carvão em Mataporquera, Espanha. Foto de Marcos Maté, datada de 30/08/2005

 

Mais locomotivas U10B da FEVE em Mataporquera no dia 17 de agosto de 2006, por Marcos Maté

 

Interior da cabine de uma U10B, por Jorge Nicolo

 

Locomotivas U10B da FEVE em formação triplex com uma composição de carvão em Cillamayor, Espanha. Foto de 9 de setembro de 2011, por Marcos Maté

 

Dupla de U10B da ArcelorMittal de bitola Ibérica (1,668m) em Aviles, Espanha. Foto de Oscar Lopez, tirada em 9 de agosto de 2011

 

U10B nº1503 da FEVE em Tarilonte de la Peña no dia 25 de abril de 2008. Fotografia de FEVE1506Amarilla

 

U10B do Metropolitano com um trem suburbano em Villa Lugano, nas proximidades de Buenos Aires, Argentina. Fotografia de Jorge Nicolo, de outubro de 2006

 

Unidade MF101 da Matefer com um suburbano em Villa Soldati, Buenos Aires, Argentina. Fotografia de 20/01/2006, por Milan Dimitri

 

U10B nº61 da FCN em Puerto Cortez, Honduras. Foto de 25/03/1975, por GG1tim

 

 

Fontes: Almanaque da RFFSA (http://almanaquedarffsa.blogspot.com.br); Centro-Oeste (http://vfco.brazilia.jor.br); FCA: uma ferrovia e suas raízes – José Emílio de H. Castro Buzelin/João Bosco Setti; Ferreoclube (http://www.ferreoclube.com.br); Railpictures (http://www.railpictures.net).

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