Companhia Siderúrgica Nacional

Por: Ferreoclube   Dia: 13 de outubro de 2017

A CSN- Companhia Siderúrgica Nacional é uma indústria brasileira fundada em 9 de abril de 1941, durante o Estado Novo, por decreto do então presidente Getúlio Vargas. Sua idealização deu-se ainda durante o período conhecido como República Velha, frente à necessidade do País de possuir um parque industrial mais robusto e capaz de fornecer produtos pesados para as ferrovias, construtoras, fábricas e o vasto parque industrial que instalava-se principalmente no Sudeste do Brasil.

 

A criação da siderúrgica deu-se por meio dos acordos de Washington realizados pelos governos brasileiro e estadunidense, por meio do qual, os Estados Unidos obtiveram e garantiam o apoio estratégico dos demais países do continente americano para entrar na guerra contra a Alemanha Nazista. A garantia do apoio do Brasil, visto que Vargas mostrava-se inclinado a apoiar a Alemanha na Segunda Guerra, deu-se por meio de um empréstimo de US$100 milhões para a modernização do parque industrial e US$200 milhões para a aquisição de material bélico. Com a obtenção do financiamento, o Brasil comprometeu-se a desenvolver rapidamente o seu parque industrial para recuperar a economia destruída pela crise de 1929, fornecer materiais pesados para as indústrias nascentes e fornecer materiais para a indústria bélica estadunidense.

 

Foi escolhido para a instalação da primeira grande indústria brasileira o município de Volta Redonda-RJ, dada a sua localização estratégica perto dos principais pólos industriais do País e facilidade de abastecimento e encaminhamento de mercadorias pela E.F. Central do Brasil, que ao contrário da maioria da malha ferroviária brasileira, não seguia a diretriz agroexportadora, mas integrante do território nacional. A escolha também foi fortemente influenciada pela franca decadência do setor agrário na região com o declínio da cafeicultura.

 

A CSN foi fundada no dia 9 de abril de 1941, e saudada pelo então presidente Getúlio Vargas no discurso de 7 de maio de 1943 como novo símbolo da emancipação econômica do Brasil. Sua primeira instalação, a Usina Presidente Vargas, iniciou as operações no dia 12 de outubro de 1946 pelo então presidente Eurico Dutra, com suas minas para a extração de insumos situavam-se nas regiões de Congonhas e Arcos e abastecidas pela E.F. Central do Brasil.

 

No ano de 1973, foi anunciada pelo Governo Federal a construção de uma nova ferrovia para ampliar o abastecimento da CSN em Volta Redonda, em função da lotação das linhas da Superintendência Regional nº3 da RFFSA. Em 1974, sob a gestão do presidente Ernesto Geisel (1974 – 1979), tiveram início as obras da Ferrovia do Aço para desafogar a saturada Linha do Centro, em meio ao Milagre Econômico brasileiro que permitia, com as altas taxas de crescimento da economia, o investimento na complicada obra que cruzava o complicado relevo do sul de Minas Gerais para ligar o município de Jeceaba-MG a Usina Presidente Vargas, em Volta Redonda. Após diversos transtornos decorrentes da incompetência estatal e complicações técnicas e financeiras (principalmente após o arrefecimento do crescimento econômico do País no final da década de 1970 e início dos anos 1980), a Ferrovia dos Mil Dias (assim apelidada por meio de uma propaganda do Regime Militar de que a linha férrea seria construída em 1.000 dias) terminou por ser concluída e inaugurada após 5.098 longos dias, em julho de 1989 (já na Nova República, no governo do presidente José Sarney). Com a nova linha, as operações com os trens de minério e carvão passaram para o sistema de carrossel: As composições carregadas seguem pela Ferrovia do Aço de Jeceaba para Volta Redonda, e os trens vazios percorrem o caminho inverso pela Linha do Centro. No médio e longo prazo, a nova linha ainda contribuiu para o desenvolvimento industrial no Sudeste do Brasil, visto que por seus trilhos passaram a circular diversas outras mercadorias além do minério e aço da CSN, por meio de outros clientes que instalaram-se na região.

 

Em 1992, no governo de Fernando Collor (1990 – 1992), a CSN foi incluída no Plano Nacional de Desestatização (junto com outras 67 estatais como a Usiminas, Embraer, etc.) e privatizada em 1993 durante o governo de seu sucessor Itamar Franco (1992 – 1994), junto com a Açominas, Cosipa, Embraer e algumas subsidiárias da Petrobras. Com a venda da primeira grande estatal e um dos maiores marcos do intervencionismo e desenvolvimentismo do País, estava definitivamente encerrada a Era Varguista no Brasil. A Companhia foi arrematada por R$1,2 bilhão pelo Grupo Vicunha, do empresário Benjamin Steinbruch, que mais tarde adquiriu participações na mineradora Companhia Vale do Rio Doce e na MRS Logística, companhia ferroviária que assumiu as operações de transporte de mercadorias na antiga SR-3 da RFFSA.

 

Após anos de prejuízos (desde 1985 a siderúrgica não fechava um ano com as contas positivas), a CSN passou a exibir lucros de R$200 milhões anuais. Sob a gestão da Vicunha Participações, a Companhia apresentou um enorme salto de produtividade e competitividade no cenário internacional, e diversificou suas atividades adquirindo empresas nos setores de logística, mineração, cimento e energia, como a MRS Logística (da qual detém 19% de participação), Ferrovia Transnordestina Logística (na qual desenvolve em parceria com o BNDES), e a mineradora Namisa (em parceria com investidores asiáticos). Com uma competitividade cada vez maior no cenário internacional, a CSN representa cada dia mais o ideal da força da indústria brasileira.

 

Imagens:

Montagem do alto forno e da casa de corrida. Acervo CPDOC, 12 de fevereiro de 1944

 

Presidente Eurico Gaspar Dutra (em primeiro plano) na inauguração da Usina, ao lado de Silvio Raulino de Oliveira (à sua direita) e Edmundo Macedo de Moraes e Silva. Acervo CPDOC, 12 de outubro de 1946

 

Sede administrativa da CSN em Volta Redonda-RJ, em maio de 2016

 

Vista da Usina Presidente Vargas, em foto de 2015

 

Trem de minério da MRS Logística em Jeceaba, por Nicholas Fagundes. Empresa controlada pela CSN, a MRS é responsável pelo transporte de insumos à Usina Presidente Vargas, e atualmente uma das melhores companhias ferroviárias do Brasil

 

Trens da MRS em Volta Redonda, por Beny Imkamp. Foto de 25 de junho de 2004

 

Trem de minério de ferro da MRS a caminho do pátio de Volta Redonda, para abastecimento da Usina Presidente Vargas

 

Virador de vagões da CSN utilizado para o descarregamento dos trens de minério e carvão

 

Aciaria da Usina Presidente Vargas

 

Produção de aço na CSN

 

Trem de carga da MRS saindo de Volta Redonda com bobinas de aço laminado

 

Vagão gôndola tipo GDS da CSN, por Pedro Rezende

 

Locomotiva de manobras modelo UM10B nº1969 da CSN em Volta Redonda

 

Sepetiba Tecon, terminal de contêineres do porto de Itaguaí pertencente à CSN, em 2016

 

Mineração na NAMISA- Nacional Minérios S.A., companhia administrada pela CSN em parceria com sócios asiáticos

 

Fábrica de cimento da CSN em Arcos-MG, 24 de Marco de 2011

 

Obras na Ferrovia Transnordestina Logística, pertencente ao grupo CSN, em outubro de 2016

 

 

Fontes: Companhia Siderúrgica Nacional (http://www.csn.com.br); Centro-Oeste (http://www.vfco.brazilia.jor.br); Ferreoclube (http://www.ferreoclube.com.br); FGV-CPDOC (http://cpdoc.fgv.br); Máfia CTC (http://www.mafiactc.com/site); MRS Logística S.A. (https://www.mrs.com.br); Railpictures (http://www.railpictures.net).

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