Locomotivas M1

Por: Ferreoclube   Dia: 17 de março de 2017

A M1 é uma locomotiva vapor – elétrica construída pela Baldwin Locomotive Works entre 1947-1948 como uma última tentativa frente à forte concorrência dos fabricantes de locomotivas elétricas e diesel-elétricas, que vinham dominando o mercado ferroviário em ritmo acelerado desde a década de 1930. Com o aumento dos preços do carvão durante a Segunda Guerra Mundial, a Chesapeake & Ohio passou a ver nas locomotivas vapor-elétricas uma alternativa mais econômica de combustível, e também como mais barata em relação ao diesel. Foram construídas apenas três unidades, numeradas como 500-502, e destinadas ao serviço Chessie, que ligava Washington DC a Cincinnati, Ohio.

 

As razões da preferência da C&O pela tecnologia de propulsão por turbinas a vapor em detrimento da diesel elétrica são a maior aderência, em função da distribuição da potência para os eixos com a distribuição da tração, melhor desempenho em alta velocidade e redução de custos em relação à tração a vapor, com menor quantidade de peças móveis. Essa tecnologia prometia ser uma alternativa às propulsões diesel-elétricas e elétricas, principalmente para viagens de longas distâncias e alta velocidade, condições em que esse tipo de máquina apresenta melhor desempenho.

 

As locomotivas foram desenhadas pela C&O, Baldwin e Westinghouse, com uma configuração peculiar que dispunha o carvão no nariz da máquina, ao passo que a turbina ficava na traseira e o tênder era destinado unicamente ao transporte de água. A preferência pelo carvão como combustível para as locomotivas devia-se ao fato de a C&O possuir grandes receitas com o transporte de carvão e a preocupação dos engenheiros da empresa com um eventual esgotamento das fontes de petróleo. As máquinas eram equipadas com uma única turbina a vapor Westinghouse que gerava corrente elétrica contínua para os motores por meio de quatro geradores, visando a redução de partes móveis em relação às demais locomotivas a vapor, que possuíam braçagens para a transmissão de movimento para as rodas. Cada gerador produzia uma potência de 1.300HP, e os quatro geradores alimentavam oito motores de tração, que permitiam alcançar a velocidade de 160Km/h. Os engenheiros as projetaram para percorrer o trajeto de ida e volta de Washington a Cincinnati sem abastecimento. Quando entregues, eram as mais longas locomotivas do mundo.

 

A C&O logo promoveu a unidade 500 como a locomotiva do futuro, que iria tracionar o Chessie, em uma composição com quatro carros panorâmicos e até aquários com peixes tropicais nos salões, que seria inaugurado no verão de 1947. No entanto, a inauguração sofreu atrasos devido às greves de 1947 na Baldwin, Pullman e Budd que atrasaram o desenvolvimento do material, além dos maus resultados da locomotiva 500 nos testes. Finalmente, o trem foi lançado em fevereiro de 1948, junto com o streamliner da Baltimore & Ohio Railroad, que desviou boa parte do foco da imprensa, além de ter mostrado as limitações da demanda de passageiros entre Washington e Cincinnati, que vinha declinando na época.

 

No entanto, essas locomotivas logo revelaram-se uma má aquisição para a C&O, visto que sua manutenção mostrava-se extremamente complicada. As M1, que passavam mais tempo nas oficinas do que nas linhas, em função das inúmeras falhas operacionais. Os principais problemas davam-se com a alta vibração causada pelos motores no chassis das locomotivas. Com quaisquer vazamentos, que eram frequentes, a fuligem de carvão e água causavam maus funcionamentos nos motores de tração elétricos, cuja manutenção era dificultada pela estranha distribuição 2-C1-2-C1-B dos eixos em cinco truques da locomotiva. Na mesma época, os excelentes avanços na tecnologia diesel-elétrica, com destaque para a EMD- Electro Motive Diesel, que desenvolveu máquinas muito mais práticas, fáceis e baratas de manter, a preços e manutenção mais competitivos e acessíveis aos clientes, mostravam que a tração a vapor estava definitivamente obsoleta. Em função dos altos custos de manutenção e dificuldade para operar os serviços regularmente, as M1 logo foram baixadas e sucateadas, assim que a C&O iniciou seu processo de dieselização.

 

Imagens:

Locomotiva nº500 da Chesapeake & Ohio

Locomotiva nº500 da Chesapeake & Ohio em foto de fábrica

 

Rara fotografia de uma Baldwin M-1 tirada à noite, muito provavelmente para anúncios em revistas

Rara fotografia de uma Baldwin M1 tirada à noite, muito provavelmente para anúncios em revistas

 

Locomotiva nº502 na Chesapeake & Ohio, sem data

Locomotiva nº502 na Chesapeake & Ohio, sem data

 

chesapeake_and_ohio_railway_steam_turbine_locomotive_500

Locomotiva nº500, em foto promocional da C&O

 

Funcionário da C&O realizando manutenção na unidade 500, em uma das diversas falhas operacionais

Funcionário da C&O realizando manutenção na unidade 500, em uma das diversas falhas operacionais

 

Locomotiva nº500 em exibição na Chicago Railroad Fair, em 1949

Locomotiva nº500 em exibição na Chicago Railroad Fair, em 1949

 

Rara fotografia colorida da unidade nº500, na qual pode-se notar sua pintura amarela. Sem data

Rara fotografia colorida da unidade nº500, na qual pode-se notar sua pintura amarela. Sem data

 

Modelo HO de uma Baldwin M-1

Modelo HO de uma Baldwin M1 evidenciando sua pintura laranja que não aparece nas fotografias P&B, fabricado pela Overland Models

 

 

Fontes: Ferreoclube(http://www.ferreoclube.com.br); American Rails(http://www.american-rails.com); Steam Locomotive Dotcom(http://www.steamlocomotive.com).

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