Locomotiva BB 73/73

Por: Ferreoclube   Dia: 3 de março de 2017

A BB 73/73 é uma locomotiva elétrica fabricada pela General Electric em 1967 para a E.F. Sorocabana para reforçar o parque de tração da empresa, que na época contava com as quarenta e seis locomotivas GE/Westinghouse modelo 2000, entregues entre 1943 e 1948 para serviços gerais nos trechos eletrificados da companhia. Por volta dos anos 1960, a eletrificação já mostrava-se bem-sucedida, e com o denso tráfego nas linhas eletrificadas da Sorocabana, fazia-se necessário ampliar o parque de tração da ferrovia. No dia 19 de fevereiro de 1963 o então governador de São Paulo Adhemar de Barros assinou um decreto autorizando o fornecimento de novas locomotivas elétricas para a Sorocabana e a Companhia Paulista, e no dia 10 de novembro de 1964 foi assinado o contrato com a General Electric para o fornecimento das máquinas. Foram construídas então, dez locomotivas elétricas para a CPEF, denominadas GE 5200.

 

Logo depois, o projeto das locomotivas 5200 foi aproveitado nas novas máquinas a serem entregues para a E.F. Sorocabana. Tendo em vista que as linhas da cliente apresentavam restrições consideráveis de gabarito e peso, foi necessário reduzir as dimensões e peso da locomotiva no projeto original. A rodagem C-C foi substituída por truques B-B e motores consideravelmente menores e menos potentes, capazes de entregar apenas 1.860HP. Com 72.000Kg de peso bruto, as locomotivas apresentavam bom desempenho com composições de passageiros e cargueiros de pequeno/médio porte. Numeradas 2101 a 2130, as trinta locomotivas foram entregues em 1968, em festividades com a presença do então governador de São Paulo, Abreu Sodré.

 

As BB 73/73 logo receberam os apelidos Minissaia, devido ao pequeno limpa trilhos; e toco, pelo design similar ao das 5200 “Vandecas” e que, dadas as devidas proporções, aparentam locomotivas 5200 cortadas ao meio. As manobras dessas locomotivas mostravam-se particularmente difíceis, pelo fato de não possuírem duas cabines e menos módulos, apesar de seguirem o mesmo design das bifrontais GE 5200. Somado à relativa baixa potência, tornou-se comum o uso das máquinas em pares, com as cabines viradas em sentidos opostos, ou em trios.

 

Como última aquisição da E.F. Sorocabana, essas locomotivas tiveram uma curta passagem pela adquirente inicial, sendo repassadas à Fepasa após três anos de operação. Durante as suas mais de duas décadas de operação, as Minissaias foram utilizadas em praticamente todas as linhas eletrificadas herdadas da finada Sorocabana, que possuía no auge, com cerca de 720 quilômetros de linhas providas de rede aérea(aproximadamente um terço de sua vasta malha de mais de dois mil quilômetros de extensão), o maior percentual e influência dessa propulsão das ferrovias paulistas estaduais de grande abrangência. Com o passar do tempo, receberam as pinturas das Fases I, II e III, retratando muito bem as transformações da companhia estadual ao longo do tempo, e tiveram destaque nesse período que ficou caracterizado pelo crepúsculo da malha eletrificada da malha Sorocabana.

 

A gestão da Fepasa quanto à eletrificação foi marcada pelo desalento: O primeiro fato notório ocorrido após a criação dessa nova empresa foi a desativação da rede elétrica no trecho da Serra do Mar da linha Mairinque-Santos. Um dos principais motivos da curta duração da eletrificação na Serra do Mar foi a interrupção da rede elétrica em Paraitinga, o que obrigava a companhia a realizar manobras de troca de locomotivas para os trens no litoral. Por volta de 1975-76, a ocorrência de fortes chuvas na região causaram diversas quedas de barreira e desmoronamentos ao longo da linha, prejudicando o equipamento da ferrovia. A linha foi reparada às pressas, e o tráfego de passageiros foi suspenso e o de cargas mantido às baixas velocidades operacionais na faixa dos 10Km/h. Em resposta à Crise do Petróleo de 1973, a restauração da rede elétrica foi inserida no projeto de remodelação da rota Mairinque-Santos para a criação do Corredor de Exportação Uberaba-Santos e a aquisição de 80 novas locomotivas e a reforma das que encontravam em operações, com exceção da Box. No entanto, por diversos motivos, dentre os quais destacam-se a falênca da EMAQ- Engenharia e Máquinas S.A., o audacioso projeto nunca foi concluído.

 

Com a decadência da rede elétrica e a preferência pelo uso de máquinas movidas a diesel, as BB 73/73 foram precocemente retiradas de serviço por volta de 1999, durante o processo de liquidação dos ativos da falida companhia. Com apenas metade da sua vida útil transcorrida, foram encostadas em Sorocaba e Bauru, antes mesmo do fim da vasta rede elétrica construída pela Sorocabana, da qual os últimos trechos utilizados para transporte de cargas foram erradicados pela ALL em meados de 2006, e só restaram as duas linhas operadas pela CPTM na qual circulam seus trens metropolitanos.

 

Imagens:

Locomotivas nº2101 e 2102, as primeiras entregues pela General Electric para a E.F. Sorocabana, em 1968

Locomotivas nº2101 e 2102, as primeiras entregues pela General Electric para a E.F. Sorocabana, em 1968

 

Locomotiva 2120, com o primeiro padrão da Fepasa

Locomotiva 2120, com o primeiro padrão da Fepasa, por Saulo Melilo

 

Minissaias da Sorocabana, por Carlos Campanha

Minissaias da Sorocabana, por Carlos Campanha

 

Locomotiva 2104 clicada por Sergio Martire, no final da década de 1960

Locomotiva 2104 clicada por Sergio Martire, no final da década de 1960

 

BB 73/73 nº2117 rebocando um trem de passageiros de ré, em 1975

BB 73/73 nº2117 rebocando um trem de passageiros de ré, em 1975

 

Locomotiva nº2121 da Fepasa, com a pintura Fase II da Companhia, nos anos 1980

Locomotiva nº2121 da Fepasa, com a pintura Fase II da Companhia, nos anos 1980

 

Locomotiva 2113 com o primeiro padrão da Fepasa, por Rafael de Carvalho Santino

Locomotiva 2113 com o primeiro padrão da Fepasa, por Rafael de Carvalho Santino

 

Locomotiva 2116, por Rafael de Carvalho Santino

Locomotiva 2116, por Rafael de Carvalho Santino

 

Composição de carga com tração múltipla liderada pela unidade 2117, por Stênio Gimenez

Composição de carga com tração múltipla liderada pela unidade 2117, por Stênio Gimenez

 

Locomotiva 2127 com um trem de passageiros em novembro de 1980, por Carlos Mascarini

Locomotiva 2127 com um trem de passageiros em novembro de 1980, por Carlos Mascarini

 

Composição de carga(tanques) da Fepasa com tração tripla de BB 73/73 "Minissaias" na Alça do Pantojo, nas proximidades de Mairinque-SP

Composição de carga(tanques) da Fepasa com tração tripla de BB 73/73 “Minissaias” na Alça do Pantojo, nas proximidades de Mairinque-SP

 

Locomotiva a única a receber a pintura Fase III da Fepasa, no início da década de 1990

Locomotiva 2113, a única a receber a pintura Fase III da Fepasa, no início da década de 1990

 

Locomotiva 2113 liderando uma composição de tração tripla

Locomotiva 2113 liderando uma composição de tração tripla, em Botucatu, no começo dos anos 1990. Foto de Vanderlei Zago

 

Minissaias em tração dupla(a forma mais comumente utilizada) com um trem de minério na Alça do Pantojo

Minissaias em tração dupla(a forma mais comumente utilizada) com um trem de minério na Alça do Pantojo

 

Locomotiva 2125 abandonada em Triagem Paulista, no interior paulista, em fevereiro de 2010. Foto de Rodrigo Cabredo

Locomotiva 2125 abandonada em Triagem Paulista, no interior paulista, em fevereiro de 2010. Foto de Rodrigo Cabredo

 

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Locomotiva 2101 com a pintura Fepasa Fase II modelada em escala HO pela Segis&Mascarini

 

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Vista da traseira da 2101 modelada pela Segis&Mascarini

 

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Locomotiva GE BB 73/73 nº2127 com uma composição de cargas da Fepasa, modelada em escala HO pela Segis&Mascarini

 

Minissaias 2127 e 2103 em formação dupla, modeladas pela Segis&Mascarini

Minissaias 2127 e 2103 em formação dupla, modeladas pela Segis&Mascarini

 

 

Fontes: Ferreoclube(http://www.ferreoclube.com.br); Museu Ferroviário Paulista(https://www.facebook.com/museuferroviariopaulista/?fref=ts); Museu da E.F. Sorocabana(http://agendasorocaba.com.br/museu-estrada-de-ferro-sorocabana/); Centro-Oeste(http://vfco.brazilia.jor.br/); E.F. Brasil(http://www.pell.portland.or.us/~efbrazil/electrobras.html); Segis&Mascarini(http://www.segisemascarini.com.br/); Mestre Ferroviário(http://mestreferroviario.blogspot.com.br/); As Ferrovias do Brasil nos cartões postais e álbuns de lembranças- Gerodetti & Cornejo.

 

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