Companhia Siderúrgica Paulista

Por: Ferreoclube   Dia: 27 de janeiro de 2017

A COSIPA- Companhia Siderúrgica Paulista é uma famosa companhia siderúrgica fundada em 1953 como um sonho de diversos empreendedores paulistas visando fazer frente ao processo de industrialização que o Brasil vinha passando desde os anos 1930. Também conhecida como Usina José Bonifácio de Andrada e Silva, está presente na cidade de Cubatão, no litoral de São Paulo. A siderúrgica é famosa por ser uma das principais empresas atuantes na Cidade Industrial, a siderúrgica possui cerca de 12 milhões de metros quadrados em instalações, e além da usina, conta com um porto privativo e um complexo ferroviário utilizados para a realização das atividades industriais.

 

Dentre seus fundadores, destacam-se Martinho Prado Uchoa, Plinio de Queiroz, Alcides da Costa Vidigal e Herbert Levi. Após treze anos de preparações e obras, foi inaugurada em 18 de dezembro de 1963 pelo então presidente João Goulart. Poucos anos depois(1966) transformou-se em uma usina integrada a coque, e incialmente possuía como principais clientes as empresas do setor automotivo, que na época vinha passando por uma grande expansão. Posteriormente passou a atender a diversas indústrias consideradas estratégicas pelo Regime Militar, como o naval, construção civil, ferroviário, mecânico, dentre outros, com intensa produção de aços planos não revestidos(placas, chapas grossas e laminados a quente e a frio).

 

Enquanto o Brasil era assolado pela estagflação na “década perdida”, a empresa vinha obtendo grande sucesso na expansão de sua capacidade produtiva, chegando a 3,9 milhões de toneladas de aço anuais em 1986, com a inauguração da Aciaria II na sua usina. No entanto, a alegria durou pouco. Em 1988 a companhia registrava os piores resultados financeiros do setor, de acordo com a auditoria PWC, que verificou um déficit operacional de mais de US$200 milhões. Adentrando a década de 1990 com os piores resultados do ramo, a empresa entrou no programa de desestatização do presidente Fernando Collor, que no entanto, já havia sido substituído por seu vice-presidente Itamar Franco em 1992, após o escândalo de corrupção que resultou em seu impeachment e posterior renúncia.

 

Em 20 de agosto de 1993 a COSIPA foi privatizada, em um leilão realizado na Bovespa, e foi adquirida pela Usiminas, que torna-se sua controladora principal. Com novos investimentos realizados pela Usiminas, após a privatização a empresa recebeu cerca de R$1,2 bilhão em investimentos para a renovação do parque industrial e controle ambiental. Com sucessivas conquistas nos anos seguintes, em 2001 a Companhia já operava em capacidade máxima (4,5 milhões de toneladas/ano). Assim como outras siderúrgicas da época, a COSIPA possuía pouca preocupação com a poluição, e logo viria a tornar-se uma das empresas mais poluentes do País, e assim como outras empresas da Baixada Santista, contribuiu para tornar Cubatão a cidade com o ar mais poluído do mundo nos anos 1980, quadro que só seria revertido nos anos 1990, quando sob a gestão da Usiminas que seus problemas ambientais seriam resolvidos, reduzindo significativamente a emissão de poluentes na atmosfera da região.

 

Em maio de 2005 a COSIPA passa a ser uma subsidiária integral da Usiminas, que extinguiu a marca no mesmo ano. Durante a segunda metade da década de 2000, tornou-se uma das melhores unidades do Grupo Usiminas, apresentando excelentes resultados financeiros e tornou-se notável referência para o desenvolvimento no pólo industrial de Cubatão. Em 2014, a Usiminas passou a enfrentar grandes problemas de gestão decorrentes do péssimo cenário econômico brasileiro que resultou na suspensão das atividades em Cubatão. Em meio a uma série de demissões e redução das atividades industriais em um mercado com fraca demanda nos últimos anos, somado às baixas de preços de aço no mercado internacional, em junho de 2016 o presidente da siderúrgica Sergio Leite declarou que a empresa pretende retomar as atividades em Cubatão dentro dos próximos cinco anos, assim que a Usiminas reestruturar sua enorme dívida de R$7,5 bilhões e realizar novos investimentos na sua usina da Baixada Santista.

 

A empresa era conhecida por possuir um serviço ferroviário particular para o transporte de seus funcionários que trabalhavam na Usina. No auge do serviço a siderúrgica chegou a contar com cinco automotrizes RDC ex-EFCB, cinco carros reboque das automotrizes elétricas Budd da EFSJ, dois Trens-Unidade Ganz Mávag, e chegou a usar um trem da EFSJ(Uma automotriz Budd + dois carros reboque) para conduzir seus funcionários entre a usina de Piaçagüera e o ABC Paulista entre 1982 e 1983. Com a exceção dos funcionários operacionais dos turnos de revezamento(que sempre foram transportados de ônibus) todos os demais que trabalhavam na usina frequentemente utilizavam o transporte ferroviário.

 

Depois de retirados das rotas entre São Paulo e Rio de Janeiro, uma das composições de bitola larga do famoso “Trem Húngaro” foi alocada para serviços na COSIPA em 1978. Posteriormente foi trazida uma outra composição, dado o sucesso do trem na Baixada Santista- o trajeto era relativamente plano, o que garantia o bom desempenho do TUDH na região. Já as automotrizes RDC eram utilizadas para o transporte do pessoal do setor administrativo da empresa, e possuíam cinco carros reboque para o transporte de funcionários dos setores operacional e administrativo.

 

A composição Budd da EFSJ formada por um carro motor mais dois carros reboque, utilizada pela siderúrgica entre 1982 e 1983 era notória por seu horário unicamente destinado à empresa:  chegava na Usina às 7h e retornava às 17h10. Para os usuários, esse serviço era bastante compatível com o transporte rodoviário, desde que o horário fosse cumprido, o que infelizmente era difícil de ocorrer: os atrasos eram frequentes devido à prioridade de tráfego dada aos trens de carga. Conta-se que esse trem da EFSJ já precisou em um caso excepcional retornar de Alto da Serra para um patamar abaixo para servir de contrapeso para um trem de carga que estava subindo(carece de fontes). No entanto, esse acontecimento parece improvável pois nos anos 1980 o novo sistema de cremalheira já estava em operações comerciais(relato de Antonio A.Gorni, 2005-6).

 

O embarque e desembarque dos passageiros era realizado em simples plataformas de aço localizadas no pátio ferroviário da usina. No dia 15 de dezembro de 1985 foi inaugurado um terminal na usina, que foi utilizado até a desativação dos serviços de passageiros  no primeiro semestre de 1992. Nos últimos anos, apenas os trens húngaros operavam na COSIPA, que foram baixados assim que as operações foram encerradas.

 

Após a desativação, os serviços ferroviários de passageiros foram desativados, e substituídos por ônibus, enquanto o transporte de cargas passou a ser realizado pela MRS Logística desde 1996. À movimentação interna dos trens de minério trazidos pela MRS para o atendimento da usina é feita por locomotivas manobreiras GE. U6B(já baixadas), U12B(uma baixada e a outra atualmente pertencente à Geoterra) e 100T(9 unidades?). A Usiminas já cogitou, no começo dos anos 2000, substituir o transporte ferroviário interno da usina por um sistema de esteiras, mas no entanto, nada foi feito.

 

Imagens:

 

COSIPA-gambito

Logo da COSIPA, que foi utilizado até 2005, quando as empresas do Grupo Usiminas foram unificadas sob a marca Usiminas

 

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Vista aérea da usina de Cubatão em obra de expansão(anos 2000)

 

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Usina de Cubatão em construção, por volta de 1962

 

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Prédio da Administração da siderúrgica, em Piaçagüera

 

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Trem de passageiros da COSIPA destinado ao transporte de seus funcionários

 

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Vagão torpedo da siderúrgica utilizado para o transporte de ferro fundido dentro da usina

 

locomotiva-GE-100-toneladas-28-Cosipa-Usiminas-2013

Locomotiva GE 100T de manobras da COSIPA, já com o logo da Usiminas

 

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Vista da Usina José Bonifácio, por volta de 2014

 

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Greve de trabalhadores da COSIPA, em 1984

 

Trabalhadores da COSIPA no terminal da empresa, por volta de 1989

Trabalhadores da COSIPA no terminal da empresa, por volta de 1989

 

Locomotiva GE 100T com a pintura COSIPA

Locomotiva GE 100T com a pintura COSIPA

 

Vagão gôndola da COSIPA

Vagão gôndola da COSIPA

 

Modelo Frateschi de uma gôndola COSIPA. Escala HO

Modelo Frateschi de uma gôndola COSIPA. Escala HO

 

 

Fontes: Ferreoclube(Http://www.ferreoclube.com.br); Máfia CTC(Http://www.mafiactc.com/site/index.php); Novo Milênio(Http://www.novomilenio.inf.br); Centro-Oeste(Http://www.vfco.brazilia.jor.br)

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