Ferrovias Bandeirantes S.A.

Por: Ferreoclube   Dia: 8 de dezembro de 2016

A Ferroban- Ferrovias Bandeirantes S.A. foi uma companhia ferroviária brasileira sediada em Campinas-SP, criada em 1998 e sucessora da Fepasa durante o processo das concessões da década de 1990. A empresa possuía como principais acionistas a Previ, fundo de investimentos do Banco do Brasil, e o Banco estadunidense Chase Manhattan. Sua malha era formada por 4.186Km de trilhos, dos quais 1.463Km eram em bitola larga(1,60m), 2.927Km em bitola métrica e 296Km em bitola mista(1,00m+1,60m). Inicialmente, a companhia adquiriu a malha da finada Fepasa, que havia sido anexada à RFFSA em 1997 durante o processo de desestatização da estatal. Inicialmente destinada ao transporte de cargas, a empresa manteve os serviços de transporte de passageiros provisoriamente por obrigação do Governo Federal até 2001, visto que os serviços de passageiros, que deveriam também ter sido repassados à concessionária Danúbio Azul, vencedora da licitação, nunca foi assumido devido à suspensão da concessão quando a Fepasa foi tranformada em RFFSA Malha Paulista.

 

Por causa do enorme passivo herdado da antecessora Fepasa, a Ferroban enfrentou durante o pouco tempo em que operou com diversos problemas operacionais e financeiros. Os ativos da Fepasa, quando concessionados à iniciativa privada, encontravam-se totalmente obsoletos, sendo necessário reformar praticamente a malha inteira e renovar todo o material rodante. A maioria das medidas da empresa foram a inevitável desativação da rede aérea e a preservação da operação na medida do possível, após a realização de um projeto de consultoria que indicou que os investimentos necessários para reformar e manter a malha eram demasiado altos para o volume de tráfego futuro. Os únicos trechos em que a eletrificação foi mantida foi São Paulo-Rubião Júnior, onde operaram as locomotivas elétricas GE 2000, e foi sendo encurtado aos poucos, de forma que havia eletrificação apenas entre São Paulo e Mairinque, quando foi desativada em 2006. Um dos outros traços mais notáveis da Ferroban era a ausência quase total de pinturas da empresa em seus veículos- apenas algumas locomotivas e vagões foram pintados nas cores da empresa, enquanto a maioria do material permaneceu com as pinturas anteriores, por motivos econômicos. Outra medida posterior foi o repasse dos trechos pós-Rubião Júnior(antiga EFS) e pós-Campinas(antiga CMEF) para as companhias ALL e FCA, respectivamente, por volta de 2001.

 

Em 2003, a Ferroban fundiu-se com as ferrovias Novoeste e Ferronorte, formando o Grupo Brasil Ferrovias, em função dos graves problemas operacionais enfrentados por essas outras companhias, nas quais o Previ também possuía participações. Apenas três meses depois de assumir a concessão, a Novoeste sofreu um duro golpe estratégico com a quebra do monopólio do transporte de derivados de petróleo, antes exclusivo da sua antecessora RFFSA. O transporte dessas mercadorias, responsável por mais de 50% da receita da empresa, teve de ser substituído por outras cargas, cujos esforços de captação não foram suficientes para aumentar as receitas e recuperar a movimentação da ferrovia. Em uma tentativa de impedir a companhia de ir à falência, os sócios Previ e Funcef entraram no capital da Ferronorte, que havia sido inaugurada em 1998, e organizaram a fusão das duas empresas, formando o grupo Ferropasa em junho do mesmo ano. A holding Brasil Ferrovias passou a encampar toda a malha da antiga Fepasa, Noroeste e a nova Ferronorte, que estava em construção.

 

No entanto, a empresa logo começou a sofrer sérios problemas financeiros devido ao passivo trabalhista da RFFSA, que deveria ser de responsabilidade da mesma, mas vinha sendo cobrado da Ferroban, somado às dificuldades de manter uma linha férrea em construção e recuperar os ativos herdados das antigas estatais, que encontravam-se em condições ruins ou péssimas de operações. Em 2003, em meio a diversos problemas de insolvência, a Brasil Ferrovias viu-se forçada a reestruturar suas operações, desativando suas linhas mais precárias e concentrando-se nos trechos de maior potencial e separando suas operações de bitola larga e métrica. Os objetivos do processo foram a revitalização da gestão, com a separação dos sistemas por bitola e realização de novos investimentos nas linhas férreas e material rodante por meio de capitalizações, captação de empréstimos e rolamento das dívidas. Por fim, a partir da reestruturação e do bom momento do mercado, os acionistas iniciaram o processo de venda das ações, como passo final do esforço de recuperação dos investimentos que provaram-se mal feitos no passado.

 

A Brasil Ferrovias foi adquirida pela América Latina Logística S.A. em 09/05/2006 por R$1,4 bilhão, através de uma troca de ações com os sócios da BF Previ e Funcef, que passaram a deter 20% do capital da Holding ALL. Com a aquisição, a ALL consolidou-se como a maior companhia ferroviária da América do Sul, com mais de 20.000Km de trilhos, posição que manteria até meados de 2013. Com a aquisição, a ALL passou a operar quatro concessões: a Malha Paulista(herdada da Ferroban), Malha Norte(Ferronorte), Malha Noroeste(ferrovia Novoeste) e a Malha Sul(assumida pela companhia em 1997). Com a transferência, as linhas que pertenciam à Brasil ferrovias receberam pesados investimentos em recuperação de linhas férreas, aquisição de material rodante e melhorias no acesso ao porto de Santos, estratégico para a ferrovia. A modernização necessária às ferrovias do inteiro paulista só seria realizada pela ALL, e sua sucessora Rumo ALL, originada da fusão desta com a Rumo Logística em 2015, que ainda assim, por volta de 2016 enfrentava grandes problemas nas grandes obras de ampliação e modernização necessárias para recolocar a vasta malha ferroviária do interior paulista nos trilhos do progresso.

 

Imagens:

Composição de carga em Americana-SP tracionada pela U20C nº 7806, a primeira locomotiva de bitola larga a receber a nova pintura Ferroban na época. Foto de Vanderlei Zago

Composição de carga em Americana-SP tracionada pela U20C nº 7806, a primeira locomotiva de bitola larga a receber a nova pintura Ferroban na época. Foto de Vanderlei Zago

 

Mapa da Ferroban no final dos anos 1990

Mapa da Ferroban no final dos anos 1990

 

Raro vagão tanque da Brasil Ferrovias-Ferroban em Boa Vista Nova. Foto de Vanderlei Zago

Raro vagão tanque da Brasil Ferrovias-Ferroban em Boa Vista Nova. Foto de Vanderlei Zago

 

Locomotiva U12B da Ferroban nas oficinas de Campinas. Foto de Vanderlei Zago

Locomotiva U12B da Ferroban nas oficinas de Campinas. Foto de Vanderlei Zago

 

Vagão FHR da companhia, por Fernando Picarelli

Vagão FHR da companhia, por Fernando Picarelli

 

Estação de Paraitinga-SP em novembro de 2002. Foto de Antonio Gorni

Estação de Paraitinga-SP em novembro de 2002. Foto de Antonio Gorni

 

Composição Ferroban tracionada por uma GE2000 na Linha B-Cinza da CPTM, no começo dos anos 2000. Via Mafia CTC

Composição Ferroban tracionada por uma GE2000 na Linha B-Cinza da CPTM, no começo dos anos 2000. Via Mafia CTC

 

Locomotiva U20C nº3835 em Ribeirão Preto-SP, em dezembro de 1999. Foto de Ben Lam

Locomotiva U20C nº3835 em Ribeirão Preto-SP, em dezembro de 1999. Foto de Ben Lam

 

Locomotiva G12 nº7054 em São Vicente, em março de 2003. Foto de Ricardo Koracsony

Locomotiva G12 nº7054 em São Vicente, em março de 2003. Foto de Ricardo Koracsony

 

Vagões GHD da empresa em Brigadeiro Tobias-SP em junho de 2002. Foto de Fernando Picarelli

Vagões GHD da empresa em Brigadeiro Tobias-SP em junho de 2002. Foto de Fernando Picarelli

 

Modelo HO da U20C nº3835 Ferroban. Fabricação Frateschi, modificado à mão por Leandro Pedreschi

Modelo HO da U20C nº3835 Ferroban. Fabricação Frateschi, modificado à mão por Leandro Pedreschi

 

Locomotivas nº7823(esquerda) com a pintura Ferroban ao lado da nº7816(direita), mantida com a pintura da antecessora Fepasa. Foto de Vanderlei Zago

Locomotivas nº7823(esquerda) com a pintura Ferroban ao lado da nº7816(direita), mantida com a pintura da antecessora Fepasa. Foto de Vanderlei Zago

 

Locomotivas U20C da Ferroban, predominantes na ferrovia nos anos 1990/2000. Foto de Vanderlei Zago

Locomotivas U20C da Ferroban, predominantes na ferrovia nos anos 1990/2000. Foto de Vanderlei Zago

 

 

Fontes: Ferreoclube(http://www.ferreoclube.com.br); Mafia CTC(http://www.mafiactc.com/site/); Museu Ferroviário Paulista(https://www.facebook.com/museuferroviariopaulista/?fref=ts); Previ(http://www.previ.com.br/home.htm); Railpictures.net(http://www.railpictures.net/); Rumo ALL(http://pt.rumolog.com/default_pti.asp?idioma=0&conta=45).

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