O Brasil Ferroviário nos livros de história

Por: Ferreoclube   Dia: 10 de novembro de 2016

A introdução das ferrovias no Brasil foi um passo essencial na transformação da arcaica colônia que buscava sua identidade nacional no Século XIX, com a introdução do trabalho livre, aporte de investimentos externos e constituição de uma rede viária em escala por grande parte do território nacional. Ainda que, por meio dos tortuosos caminhos trilhados ao longo dos mais de 150 anos de história, o setor ferroviário nacional enfrente grandes dificuldades para a concretização de seu objetivo primário de constituir uma malha de integração nacional – e até internacional – deixou marcas indeléveis nas principais transformações socioeconômicas no País, e nas vidas dos milhares de pessoas que dedicaram suas vidas nesses magníficos empreendimentos e tiveram suas histórias mudadas profundamente pelos caminhos das paralelas de aço.

 

Segue uma lista de algumas das melhores obras de todos os tempos, escritas por funcionários, passageiros, clientes e aficcionados, com diferentes graus de envolvimento com essas fantásticas aventuras de investidores, operários, imigrantes e trabalhadores que transformaram o Brasil dos Séculos XIX e XX:

 

A Era Diesel na E.F. Central do Brasil(Eduardo J.J. Coelho & João Bosco Setti): Encravada no centro socioeconômico do País, a E.F. Central do Brasil foi palco das mais intensas transformações que o Brasil passou no Século XX. A principal mudança para adequar-se a um novo contexto foi a dieselização, considerada a principal transformação das ferrovias brasileiras no Século XX.

 

A Ferrovia do Diabo(Manoel Rodrigues Ferreira): A mais misteriosa das ferrovias brasileiras, a E.F. Madeira Mamoré possui uma história repleta de lendas envolvendo a riqueza do látex no meio da selva amazônica no começo do Século XX, os trabalhos árduos em meio às interpéries da natureza e as centenas de mortes que renderam-lhe as alcunhas de Ferrovia da Morte, ou Ferrovia do Diabo. O autor, nesse livro, traz à tona, em linguagem simples, essa fascinante história das traições doenças, prejuízos e aventuras que o tempo e a mata insistem em dissipar.

 

A Gretoeste- História da rede ferroviária Great Western of Brazil(William Edmundson): História e legado da primeira companhia ferroviária de importância econômica construída pelos investidores ingleses no Brasil, e que posteriormente tornou-se a proprietária da maior malha ferroviária do Nordeste, cujos trilhos estendiam-se pelos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. Em seu apogeu, a GWBR chegou a contar com mais de 1.700 quilômetros de linhas e durou quase um século, até a sua nacionalização em 1950, como RFN- Rede Ferroviária do Nordeste.

 

As ferrovias do Brasil nos cartões postais e álbuns de lembranças(Gerodetti & Cornejo): Uma bela compilação da história ferroviária do Brasil que extrai o que existe de mais romântico nas ferrovias brasileiras, ilustradas com imagens de época e cartões postais. A obra possui as histórias de quarenta e duas empresas diversas que operaram/operam no Brasil e deixaram saudades e boas lembranças para as muitas vidas que transformaram pelo País.

 

Café e expansão ferroviária- A Companhia E.F. Rio Claro(Guilherme Grandi): Obra do sociólogo Guilherme Grandi realizada com o apoio da FAPESP da história da Cia. E.F. Rio Claro, começando por uma abordagem do desenvolvimento da cafeicultura no Interior Paulista, para apresentar a lendária Companhia que desenvolveu-se na região mais rica do País e sua trajetória em meio a disputas políticas de diversas empresas pelas melhores lavouras e rotas até sua aquisição pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro, em uma custosa compra dos investidores ingleses, uma transação inédita no cenário nacional.

 

Companhia Paulista- A Ferrovia Padrão(Nilson Rodrigues): Em seus quase cem anos de operações, a Companhia Paulista de Estradas de Ferro passou de uma pequena extensão da São Paulo Railway para Rio Claro à uma das maiores ferrovias brasileiras, com padrões de excelência mundiais de qualidade no atendimento ao cliente tanto com o serviço de passageiros como de carga- ao ponto de dizer-se no interior paulista que os relógios eram ajustados de acordo com as chegadas e partidas de seus trens, dada a pontualidade nos serviços da empresa.

 

CPTM 20 anos- Companhia Paulista de Trens Metropolitanos(Alê Duarte & Caru Albuquerque): Criada em 1992 para unificar e modernizar os caóticos sistemas de subúrbio da Fepasa e da CBTU, a CPTM tornou-se um símbolo da excelência no transporte ferroviário no Brasil. O livro mostra o crescimento da empresa no período compreendido entre 1992 e 2012, com a realização de inúmeros projetos e iniciativas para a melhoria no transporte ferroviário da Grande São Paulo, além de uma vasta descrição dos trens e estações da companhia.

 

Douradense- A agonia de uma ferrovia(Ivanil Nunes): Para diversos autores que abordam a história ferroviária, o período de declínio da “Era ferroviária” teve início com a Crise de 1929. O Brasil, como se sabe, sentiu muito mais os efeitos dessa crise do que o resto do mundo. Abordando diversos aspectos do segmento ferroviário no País, o autor explora a trajetória da Companhia E.F. do Dourado para qualificar o período conhecido como o fim da Era Ferroviária.

 

FCA- Uma ferrovia e suas raízes(José Emílio Buzelin): Escrito em uma parceria com a FCA- Ferrovia Centro Atlântica, o autor aborda extensivamente a história da Companhia, por meio de um estudo sobre as antigas ferrovias formadoras da malha(VFCO- Viação Férrea Centro Oeste; EFCB- E.F. Central do Brasil; E.F. Leopoldina e VFFLB- Viação Férrea Federal Leste Brasileiro), a desestatização da RFFSA e formação da FCA, além de uma interessante apresentação do parque de locomotivas da empresa e um rico acervo fotográfico.

 

Ferrovias e mercado de trabalho no Brasil do Século XIX(Maria Lúcia Lamounier): Na metade do Século XIX, diversos investidores viram nas ferrovias uma oportunidade de reduzir custos de transporte e ampliar os lucros do setor agrícola. No entanto, o florescimento da malha ferroviária introduziu mudanças muito mais profundas do que se pôde imaginar. A construção e operação das linhas férreas criou a emblemática condição do Brasil moderno: introdução de trabalho livre, oportunidades para imigrantes, demanda por mão de obra qualificada e semi-qualificada, ao lado da persistente mão de obra escrava, que o País tardou a extinguir, junto com as condições opressivas impostas aos trabalhadores menos qualificados e a mentalidade da vadiagem consequente da antiga mentalidade enraizada dentre os então homens livres do trabalho como tarefa degradante, associada à escravidão.

 

Ferrovias no Brasil- Um século e meio de evolução(João Bosco Setti): Amplo panorama sobre a evolução do setor ferroviário no Brasil, desde a E.F. Petrópolis às modernas E.F. Carajás, E.F. Vitória a Minas, Ferrovia Tereza Cristina, MRS Logística, dentre outras, com grande profundidade descritiva sobre as transformações que as ferrovias brasileiras passaram em seus cerca de 150 anos.

 

Lembranças da Ferrovia(Odair Russo): Seguindo um caminho peculiar na História, o Brasil é conhecido como o País que esqueceu seus trens. Ao passo que em quase todo o mundo os serviços de passageiros sobreviveram ao tempo, deficitários ou não, o povo brasileiro viu os trens de passageiros desaparecerem de sua terra, substituídos pelos distantes cargueiros, enquanto o retorno de trens regionais velozes e modernos permanece distante.

 

Locomotivas articuladas- As gigantes da Era do Vapor no Brasi(J.J. Eduardo Coelho): Esqueça a convencional locomotiva a vapor. Nesse livro, são abordados os diversos tipos de locomotivas articuladas Baldwin Flexible Beam, Baldwin Geared, Fairlie, Kitson-Meyer, Garratt, Mallet e Shay que desafiaram os traçados restritos das ferrovias no Brasil nos Séculos XIX e XX.

 

Manual básico de Engenharia Ferroviária(Rui José da Silva Nabais): Clássico guia detalhista e abrangente da estrutura ferroviária, desde estudos de traçado a túneis e pontes, além de ótimas explicações sobre operações ferroviárias, material rodante e equipamentos de construção e manutenção de ferrovias.

 

Memórias de uma Inglesa(Moysés Lavander Jr. & Paulo Augusto Mendes): A São Paulo Railway Company, primeira ferrovia paulista, tornou-se uma das mais famosas companhias ferroviárias do Brasil, por sua impressionante história e legado. Nessa obra, os autores exploram aspectos políticos e administrativos da empresa, desde a transposição da Serra do Mar, passando pelo desenvolvimento da capital paulista e interior paulista, aspectos políticos e administrativos da empresa, e sua densa linha férrea de 140 quilômetros de extensão pela quais, durante quase nove décadas, trafegaram milhões de toneladas de café paulista, insumos de importações, milhares de passageiros e todo tipo de mercadoria por seus belos trens que aproximaram o pouco desenvolvido interior paulista do litoral.

 

Carros Budd no Brasil- Os trens que marcaram época(José Emílio Buzelin): Apesar de menos admirados que as imponentes locomotivas, os vagões e carros também têm seu charme. Os carros Budd, conhecidos pelo conforto e durabilidade, principalmente. O livro apresenta os trens de luxo da E.F. Central do Brazil, as automotrizes de bitola larga, fabricação dos carros Budd no Brasil e por fim, sua utilização nos trens metropolitanos, em uma saga espetacular desses carros que revolucionaram as ferrovias brasileiras.

 

São Paulo by tram(Fernando Portela): Palco das maiores transformações do Brasil do Século XX, a cidade de São Paulo ascendeu vertiginosamente de pequena cidadela provinciana à metrópole global durante o período. No entanto, seu vasto sistema de bondes, que era um dos maiores do mundo até a metade do Século XX, foi completamente erradicado, substituído pelo transporte sobre pneus. No entanto, a cidade moldada pelos trilhos de bondes permanece na metrópole cosmopolita cuja maioria da população desconhece a intrínseca malha viária que outrora circulou por suas ruas e avenidas.

 

Senhores dos trilhos- Racionalização, trabalho e tempo livre nas narrativas de ex-alunos do Curso de Ferroviários da Alta Paulista(Alvaro Tenca): Por meio de diversas narrativas, é reconstituído o processo de racionalização do trabalho e transformações sociais trazidas pela ferrovia e suas contradições, e como foram regidas e transformadas as vidas daqueles que trabalharam nos trilhos que modernizaram o Brasil. Cada relato é um dormente dessa linha que leva o leitor de volta ao passado, para conhecer o Brasil ferroviário pelos olhos e memórias dos que o construíram, e sobretudo contemplar o vasto contexto sociocultural que desdobrou-se sobre as paralelas dos trilhos que cruzaram o País, e com ele, a história de seu povo.

 

Transporte ferroviário- História e técnicas(Sílvio dos Santos): Obra de Sílvio dos Santos, professor da USFC, sobre a história do transporte ferroviário e suas diversas características, em um amplo panorama sobre o desenvolvimento das ferrovias no Brasil, América do Norte e Europa. Ideal para leigos e iniciantes ao ferreomodelismo, preservação e pesquisa ferroviária que desejam uma ampla visão sobre o assunto.

 

 

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