Tramway do Guarujá

Por: Ferreoclube   Dia: 4 de novembro de 2016

O Tramway do Guarujá foi uma ferrovia construída em 1892 pela Companhia Balneária da Ilha de Santo Amaro, empreendimento de diversos profissionais envolvidos no comércio do café na Baixada Santista com o objetivo de desenvolver o turismo na região. A estância turística que estava sendo erguida na praia das Pitangueiras era composta por dezenas de casas construídas ao estilo das casas de veraneio europeias e norteamericanas, e o Grande Hotel de La Plage, a maior atração do local. A linha de tramway de bitola métrica, que tinha como objetivo principal o transporte dos turistas para a estância, tornou-se um dos meios de transporte da região para a população da cidade que se desenvolveu com o passar do tempo, até a sua desativação, em 1956. Na época, para se acessar o Balneário, era necessário atravessar o canal de acesso dos navios ao Porto de Santos, seguir até a localidade de Itapema, na Ilha de Santo Amaro, e percorrer uma distância de cerca de 9Km até a praia das Pitangueiras, onde o Hotel estava sendo construído. A estância turística era composta por dezenas de casas construídas ao estilo das casas de veraneio europeias e norteamericanas, e o Grande Hotel de La Plage, a maior atração do local. O transporte dos turistas era efetuado com duas lanchas, nomeadas Cidade de São Paulo e Cidade de Santos, que realizavam o percurso entre Itapema e o cais em frente à Alfândega de Santos; e por trem o trajeto entre Itapema e o Hotel, em uma estação de madeira localizada em frente ao prédio.

 

Em meio ao desenvolvimento da Baixada Santista durante o Século XIX, as obras foram iniciadas em 1892, quando a Companhia Balneária de Santos iniciou a construção da linha férrea entre o Porto de Itapema e a Praia das Pitangueiras, com cerca de 9Km de extensão. A ferrovia foi inaugurada no dia 02/09/1893, em um evento com diversas autoridades locais, dentre elas o então presidente da província de São Paulo Bernardino de Campos. Ao longo do tempo, a ferrovia já recebeu diversas denominações, dentre elas Companhia Balneária, Companhia do Guarujá, Serviços Públicos do Guarujá, Estância Balneária do Guarujá, e o nome pelo qual tornou-se mais conhecida, Tramway do Guarujá.

 

A ferrovia foi eletrificada em 1924, quando foram adquiridos os bondes nº3 e nº9, e a locomotiva Siemens E69 identificada como nº1; e em 1930 chegaram os bondes nº5 e nº7. O restante do material rodante consistia em duas locomotivas a vapor nº1 e nº2 e alguns carros de passageiros (mais de cinco, não se sabe o número exato). As locomotivas eram de segunda mão (anteriormente pertencentes ao Engenho Central Paulista), adquiridas em um leilão, e pelo menos um carro oriundo da E.F. Sorocabana (provavelmente adquiridos da mesma forma que as locomotivas). 

 

O Tramway possuía oficialmente dois ramais,  sendo um para o Ferry Boat e o outro para a Cachoeira. O primeiro foi aberto em 1903, ano em que teve início a travessia de balsas entre a ilha e o continente, e fechado em 1933, substituído por uma estrada de rodagem. O segundo (ramal) muito provavelmente é mais antigo, visto que havia no local uma represa que abastecia a cidade, e era comum na época construir-se ferrovias para atender represas, como a Cantareira, atendida pelo Tramway da Cantareira. Provavelmente havia outros ramais, como a Linha da Costeira, sobre o qual não existem muitas informações.

 

Todavia, a modernização da companhia não atenuou o seu endividamento, e a companhia foi estadualizada em 1926, quando a cidade do Guarujá tornou-se oficialmente um município separado de Santos. No mesmo ano, a antiga estação de carga do TG foi demolida e uma nova linha de 3 quilômetros foi construída até o Sítio Cachoeira. Em 1918 foi inaugurado o serviço de balsas entre Santos e Guarujá, permitindo o tráfego de automóveis entre as duas cidades. Segundo Antonio Augusto Gorni, “estava plantada a semente que destruiria, quase quarenta anos depois, o Tramway do Guarujá.” As últimas reformas de melhoria no sistema de bondes foram realizadas em 1952. No dia 13/07/1956 o serviço de bondes foi suprimido e substituído pelos ônibus, e o material rodante remanescente foi enviado para a EFCJ, onde foi completamente modificado com o passar do tempo.

 

A frota do TG consistia em 4 bondes de fabricação MAN/Siemens, numerados #3, #5, #7 e #9, uma locomotiva Siemens modelo E69, numerada #1, duas locomotivas a vapor de fabricacão Baldwin, numeradas #1 e #2, alguns carros de passageiros (mais de 5, não se sabe ao certo o número exato). Com o passar do tempo, o bonde nº9 foi baixado em decorrência de um acidente nos anos 1930, e os bondes nº3, nº5 e nº7 foram enviados para a EFCJ, onde foram renumerados A6, A5 e A7, respectivamente. Junto com os bondes também foram enviados alguns carros e equipamentos para oficinas.
A linha possuía duas estações: Guarujá e Itapema, e algumas paradas ao longo de sua extensão, dentre elas Bento Pedro, construída durante a eletrificação da ferrovia. Os ramais de Santa Rosa e do Sítio Cachoeira eram atendidos diretamente, sem o uso de estações ou paradas. A estação Guarujá, que localizava-se na praia das Pitangueiras, foi demolida em 1935, e o ponto final da linha passou a ser duas quadras para trás, junto à oficinas do Tramway. A ferrovia provavelmente contava com outras estações, sobre as quais não há registros. Em sua máxima extensão, a rede teve uma linha tronco de 9Km e dois ramais de 3Km cada, totalizando 15 quilômetros de extensão. O ramal do Sítio seria desativado nos anos 1930, muito provavelmente por corte de gastos, e o de Santa Rosa em 1930, para dar lugar à Avenida Adhemar de Barros. Décadas após o seu fim, sobrevivem na cidade apenas a estação Itapema e a locomotiva a vapor nº2 em preservação estática. Em 2015 o transporte de passageiros sobre trilhos na cidade retornou pelo VLT de Santos, cujas linhas inteiramente novas e veículos modernos percorrem na Avenida Santos Dumond o trecho que correspondia do Km1 ao Km5 da antiga linha do Tramway.

 

Imagens:

 

Composição do Tramway na estação Pitangueiras, por volta de 1924. Autor desconhecido

Composição do Tramway na estação Pitangueiras, por volta de 1924. Autor desconhecido

 

Diretores e funcionários da companhia junto às locomotivas a vapor nº1 e nº2. Sem data(entre 1893 e 1924). Destaque para os carros abertos inicialmente usados no TG, até serem trazidos os fechados da EFS

Diretores e funcionários da companhia junto às locomotivas a vapor nº1 e nº2. Sem data(entre 1893 e 1924). Destaque para os carros abertos inicialmente usados no TG, até serem trazidos os fechados da EFS

 

Bonde em frente ao hotel La Plage

Bonde em frente ao hotel La Plage

 

Trem a vapor chegando na estação Guarujá, em 1916. Foto de Paulo Kramer

Trem a vapor chegando na estação Guarujá, em 1916. Foto de Paulo Kramer

 

Hotel La Plage nos anos 1930, onde Santos Dumont cometeu suicídio, em 23/07/1932.

Hotel La Plage nos anos 1930, onde Santos Dumont cometeu suicídio, em 23/07/1932.

 

Bonde do Tramway, em foto de fábrica. Ano de 1930

Bonde do Tramway, em foto de fábrica. Ano de 1930

 

Locomotiva Siemens nº1 com uma composição do Tramway, em 1924

Locomotiva Siemens modelo E69 nº1 com uma composição do Tramway, em 1924

 

Mapa do VLT de Santos de 2016, no qual o trecho entre as estações 14-bis e Conceiçãozinha era o trecho no qual passava o TG

Mapa do VLT de Santos de 2016, no qual o trecho entre as estações 14-bis e Conceiçãozinha era o trecho no qual passava o TG

 

Mapa do Tramway do Guarujá. Posterior a 1935

Mapa do Tramway do Guarujá. Posterior a 1935

 

Bonde nº3 do TG, modificado e renumerado para A6 na EFCJ. Foto de Thales Veiga

Bonde nº3 do TG, modificado e renumerado para A6 na EFCJ. Foto de Thales Veiga

 

Trem na nova estação Guarujá, construída em 1935 a dois quarteirões da praia, em substituição à antiga estação homônima

Trem na nova estação Guarujá. Foto de cartão postal

 

 

Fontes: Ferreoclube(http://www.ferreoclube.com.br); Museu Ferroviário Paulista(https://www.facebook.com/museuferroviariopaulista/?fref=ts); Livro As Ferrovias do Brasil nos Cartões Postais e Álbuns de Lembranças- Gerodetti & Cornejo.

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