Sistema de Trens Urbanos de Salvador

Por: Ferreoclube   Dia: 22 de outubro de 2016

O Sistema de Trens Urbanos de Salvador é uma ferrovia urbana operada pela CBTU que atende à região metropolitana de Salvador, na Bahia. Sua malha consiste em uma única linha de bitola métrica com 13,5Km de extensão, dez estações e liga o bairro da Calçada, na Cidade Baixa, ao Paripe, no noroeste de Salvador. Possui intervalo médio de cerca de 40 minutos e tempo de viagem de meia hora(de um terminal ao outro), e assim como a maioria das ferrovias do Nordeste, é bastante precário e de baixos custos, tanto de tarifas como de manutenção. A tarifa cobrada é de R$0,50 e há a meia entrada de R$0,25 para estudantes.  

 

Sua história remete à Bahia and San Francisco Railway, que inaugurou a linha em 1860 e iniciou o transporte na região metropolitana de Salvador com trens a vapor, que percorriam o trecho em cerca de uma hora. Entre 1860 e 1863 a empresa estendeu seus trilhos até Alagoinhas, atingindo os 123Km de extensão. Em 1911 o controle seria passado à companhia belga Compagnie des Chemins de Fer Féderaux de l’Est Brésilien, e em 1935 por determinação do então presidente Getúlio Vargas, seria criada a VFFLB- Viação Férrea Federal do Leste Brasileiro, pela emcampação da companhia em questão com  a E.F. Bahia ao São Francisco, E.F. Oeste da Bahia, E.F. Petrolina a Teresina, E.F. Central da Bahia e E.F. Santo Amaro.

 

Os primeiros trens eram puxados por locomotivas a vapor, e percorriam o trecho Calçada-Paripe em uma hora pela via singela de bitola larga(1,60m). Com o passar do tempo, o trecho foi sendo ampliado, rebitolado para a bitola métrica(anos 1910), duplicado e eletrificado nos anos 1940 e 1950, época em que as locomotivas a vapor foram gradativamente aposentadas, substituídas pelos modernos trens elétricos.

 

A extensão do percurso realizado pelos trens suburbanos foi, aos poucos, sendo reduzida. Até 1972 o serviço estendia-se até a cidade de Simões Filho, ao passo que nos anos 1980, chegava somente até Paripe. A Bahia já contou com 230 quilômetros de linhas férreas eletrificadas, os quais eram servidos por locomotivas elétricas IRFA, Metropolitan Vickers, veículos ACF e carros Pidner. No entanto, com o passar do tempo, por uma conjuntura de diversos fatores como o baixo volume de cargas transportadas, furtos constantes dos cabos e falta de manutenção, a maior parte da rede elétrica do estado foi desativada, sobrando somente o trecho urbano da CBTU- que atualmente encontra-se sobrecarregado, o que restringe a capacidade da empresa de colocar mais trens em operação. Após o fim da RFFSA em 1998, a Superintendência Regional nº7 foi assumida pela Ferrovia Centro Atlântica, que, com o temp, reduziu consideravelmente o tráfego na malha. Poucos anos antes, em 1995, o Governo Federal havia lançado o programa de descentralização dos trens metropolitanos, com o qual transferiu os sistemas da CBTU para as administrações locais- sejam elas municipais ou estaduais- durante o qual formou-se a CTS-Companhia de Transportes de Salvador(posteriormente CTB- Companhia de Transportes da Bahia) que opera o Sistema de Trens Urbanos de Salvador em parceria com a CBTU.

 

Em anos sem reformas consideráveis, sua frota é formada por material rodante obsoleto e no fim da via útil. A ferrovia é muito carente, principalmente quanto ao material rodante, que além de velho e com pouca manutenção, sofre constantes depredações por parte dos passageiros e moradores dos arredores. É comum os trens trafegarem sujos, de portas abertas e janelas quebradas, oferecendo pouca ou nenhuma segurança aos passageiros. As poucas unidades modernizadas estão em melhor estado de conservação, ao passo que os trens mais velhos, principalmente as composições ACF/Pidner antigas geralmente encontram-se em péssimo estado operacional, cuja manutenção é parca devido à falta de recursos e atenção que a CBTU dá ao sistema de Salvador, somado com a falta de investimentos da CTB. A ferrovia conta com uma oficina e um pátio em Calçada para a manutenção dos trens, enquanto as locomotivas são inspecionadas nas oficinas de Alagoinhas, dada a insuficiência de equipamentos na oficina de Calçada.

 

O material rodante é formado por três TUEs Série 4800 usados da CPTM, adquiridos em 2010 pouco tempo depois de as últimas unidades desse trem terem sido aposentadas na Grande São Paulo(os trens enviados para Salvador não são os que rodavam na Linha 8) em 30 de abril de 2010, com o fechamento da extensão da Linha 8-Diamante(Itapevi-Amador Bueno) para reformas, dos quais encontram-se dois trens ativos; por nove trens ACF(dos quais cinco encontram-se ativos) formados por carros dois motores ACF e três carros reboque Pidner, formando composições de cinco carros. No entanto, em decorrência da fadiga do material, desde 1991 os trens ACF passaram a ser formados por quatro carros, sendo dois motores e dois reboques. Alguns carros ACF estão sendo modernizados com o tempo, porém com muita lentidão devido à falta de investimentos. Há também cinco locomotivas GE U8B para serviços de manutenção e reforço caso ocorra alguma falha nos trens-unidade- o que costuma ocorrer frequentemente, dadas as precárias condições do material.

 

Consequência notória do apedrejamento dos trens é a presença de grades nas janelas de várias unidades ACF antigas, e segundo relatos, a ausência de parabrisas em alguns trens- segundo a CBTU, a população os arranca; o que prejudica seriamente a visibilidade nos dias de chuva. A companhia já realizou algumas campanhas de conscientização da população dos arredores da ferrovia, que claramente mostrou-se insuficiente e demonstra que ainda há muito trabalho a se fazer para manter a ferrovia em bom estado de conservação. Segundo relatos de populares e funcionários da empresa, parte das depredações deve-se à precariedade do sistema, e que se houvesse trens e estrutura melhores a população não a depredaria. No entanto, também falta consciência da população da importância da ferrovia para a cidade, uma relação bastante deteriorada na cidade de Salvador.

 

Nos anos 1990 e 2000, surgiram projetos de trens de longas distância propostos pelo Ministério dos Transportes, aos quais foram oferecidos financiamentos do BNDES, e chegou a ser cogitada a construção de uma linha férrea no trajeto Alagoinhas-Salvador-Conceição da Feira, de 238 quilômetros com prazo para 2020, juntamente com a extensão da linha urbana até Conceição da Feira, o que no entanto, nunca saiu do papel. O único projeto efetivamente é o Metropolitano de Salvador, construído pelo Grupo CCR, fundado no dia 9 de setembro de 2013, concretizado após anos de lentidão, corrupção e entraves burocráticos na última década. Também foram criados projetos de revitalização do sistema por parte das companhias operadoras do mesmo, como a transformação em VLT, extensões da linha e conexões com outros meios de transporte, como o Metrô de Salvador e o corredor de BRT Águas Claras-Paripe. Estes projetos também nunca saíram do papel, e os melhores resultados produzidos foram o aumento das integrações das estações ferroviárias com linhas de ônibus, que contribuíram para o aumento do tráfego na ferrovia.

 

Em comparação com os sistemas de Teresina, Natal, João Pessoa e Maceió, o sistema urbano de Salvador não enfrenta grandes problemas, embora a resolução dos mesmos seja consideravelmente cara- no entanto, as reformas seguem em ritmo ligeiramente mais avançado nesses outros sistemas, ao passo que muito pouco foi feito em Salvador, o que mostra que esse sistema certamente não está na lista de prioridades da CBTU. A ferrovia possui muito mais potencial para crescimento e infraestrutura melhor do que esses outros sistemas, extremamente precários- com bons investimentos e reformas pode-se obter condições similares às do MetroRec, em Penambuco. É necessário adquirir trens novos, reformar a sinalização e reforçar a rede aérea. Espera-se que a situação mude com a construção e crescimento do Metrô de Salvador, mas até agora(2015) nada foi feito. Certamente ainda há um longo caminho para que a ferrovia volte a ter o valor e o reconhecimento de outrora no estado da Bahia.

 

Imagens:

Trem ACF partindo de Calçada com destino a Paripe. Autor desconhecido

Trem ACF partindo de Calçada com destino a Paripe. Autor desconhecido

 

Trem parado em Paripe. Foto de Vagner Costa, dezembro de 2008

Trem parado em Paripe. Foto de Vagner Costa, dezembro de 2008

 

Composição ACF modernizada

Composição ACF modernizada

 

Antigo TUE Toshiba da CPTM nos subúrbios de Salvador

Antigo TUE Toshiba da CPTM nos subúrbios de Salvador

 

Trem Toshiba recém-pintado

Trem Toshiba recém-pintado

 

Trilhos da CBTU em Salvador. Autor desconhecido

Trilhos da CBTU em Salvador. Autor desconhecido

 

Mapa da CBTU

Mapa da CBTU

 

 

Fontes: Ferreoclube(http://www.ferreoclube.com.br); Centro-Oeste(http://www.vfco.brazilia.jor.br); Estações Ferroviárias(http://www.estacoesferroviarias.com.br); Via Trólebus(http://www.viatrolebus.com.br).

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