Locomotivas Crampton

Por: Ferreoclube   Dia: 6 de outubro de 2016

Crampton é um modelo de locomotiva a vapor desenhado e patenteado pelo engenheiro Thomas Russell Crampton em 1846, cujos principais fabricantes foram a Tulk and Ley e Robert Stephenson and Company. Suas principais características eram o diâmetro avantajado das rodas motrizes e o eixo motriz localizado atrás da caldeira, que conferem ao modelo um baixo centro de gravidade para garantir estabilidade em altas velocidades e bom desempenho em qualquer bitola, mesmo as estreitas. Para as locomotivas a vapor, o diâmetro das rodas é essencial para garantir a velocidade, tendo em vista as limitações do motor a vapor- essa é a principal razão pela qual locomotivas manobreiras a vapor possuem rodas menores enquanto as máquinas destinadas ao transporte de passageiros em alta velocidade possuíam rodas motrizes de maior diâmetro. Os arranjos mais comuns eram 4-2-0(4 rodas guia, duas rodas motrizes e zero rodas suporte) ou 6-2-0(seis rodas guia, duas rodas motrizes e zero rodas suporte).

 

As locomotivas Crampton alcançavam até 120Km/h, velocidade elevada para a época. O projeto foi, sem dúvida, um grande avanço para a indústria ferroviária durante a Primeira Revolução Industrial e de grande contribuição para o aumento da competitividade e difusão das ferrovias durante o Século XIX. As locomotivas logo fizeram história para a popularização e construção da imagem mitológica do transporte ferroviário como um dos principais progressos da Revolução Industrial. Na França, com o tempo, surgiu a expressão “prendre la Crampton”(pegar a Crampton) como sinônimo de pegar um trem expresso.

 

Esse tipo de locomotiva tornou-se popular na Inglaterra, França e Alemanha, e foram utilizadas em algumas ferrovias também nos Estados Unidos. Com o tempo, o modelo Crampton ficou obsoleto e caiu em desuso, com o desenvolvimento de outros modelos de locomotivas mais eficientes, velozes e estáveis. Uma das principais causas foi o desenvolvimento de equipamentos de controle como manômetros, o que permitia também ao maquinista controlar melhor o funcionamento da máquina, temperatura na caldeira, pressão de vapor e consumo de água da locomotiva, o que permitia a outros modelos funcionar nas mesmas condições com menor risco de acidentes. Outra desvantagem operacional era a tração- locomotivas com mais rodas motrizes possuem mais aderência e derrapam menos nos trilhos quando tracionando composições mais pesadas.
Não há registros que comprovem a presença de locomotivas desse modelo em ferrovias brasileiras. Há alguns belos exemplares dessas lendárias locomotivas preservados na Inglaterra pelo National Railway Museum, na França pelo Cité du Train e na Alemanha pelo DB Museum. No Ferreomodelismo, também há exemplares em escalas HO e OO.

 

Imagens:

 

Pintura de Cuthbert Hamilton Ellis de um trem da London&North Western Railway puxada pela locomotiva Crampton "Courier" Acervo NRM, 1951

Pintura de Cuthbert Hamilton Ellis de um trem da London&North Western Railway puxada pela locomotiva Crampton “Courier” Acervo NRM, 1951

 

Modelo Crampton "Badenia" de origem alemã, em 1863(aproximadamente)

Modelo Crampton “Badenia” de origem alemã, em 1863(aproximadamente)

 

Locomotiva francesa Le Continent nº80 da Chemins de Fer de l'Est, preservada pelo Cité du Train

Locomotiva francesa Le Continent nº80 da Chemins de Fer de l’Est, preservada pelo Cité du Train

 

 

Fontes: Ferreoclube(Http://www.ferreoclube.com.br); National Railway Museum(Http://www.nrm.org.uk/); Cité du Train(Http://www.citedutrain.com/).

 

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