Locomotivas P42

Por: Ferreoclube   Dia: 28 de setembro de 2016

As locomotivas Esslingen P42 são modelos diesel-hidráulicos construídos pela Maschinenfalbrik Esslingen no ano de 1952 para as companhias ferroviárias brasileiras E.F. Leopoldina(13 unidades; numeradas 1001 a 1013) e Viação Férrea Federal do Rio Grande do Sul(10 unidades; numeradas 2000 a 2009?). As locomotivas Esslingen da EFL logo foram encaminhadas para o Rio Grande do Sul, muito provavelmente em função da preferência da companhia mineira pelas máquinas a diesel que havia comprado na mesma época; e todas operaram no Rio Grande do Sul até a aposentadoria nos anos 1980. Essas locomotivas fizeram parte do processo de dieselização das ferrovias no Brasil,  junto com as U12B(adquiridas pela EFL na mesma época), RS-1, FA-1 pela Central, ML4000 da EFVM, dentre muitas outras máquinas que utilizavam o diesel como combustível para a propulsão.

 

Mecanicamente, as locomotivas possuem rodagem Co-C0(UIC)alcançam 80Km/h, pesam 78.000Kg e possuem 18m de comprimento. Articuladas o suficiente para inscreverem-se em curvas de até 90m de raio, são locomotivas destinadas ao transporte de passageiros, sendo utilizadas também em composições mistas no Rio Grande do Sul. Bifrontais e dotadas de um característico corredor de acesso com janelas laterais para a troca de cabine sem precisar descer da locomotiva e acesso ao motor para manutenção, possuem design muito parecido com outras locomotivas diesel-hidráulicas europeias da época, como as V200 fabricadas pela Voith(que forneceu componentes para a fabricação dessas locomotivas) em 1953.

 

As primeiras unidades fabricadas foram testadas em uma linha de bitola métrica entre Nagold e Altesteig, no interior da Alemanha. Das 23 locomotivas encomendadas, apenas as três primeiras vieram prontas, ao passo que as demais chegaram desmontadas no Brasil, para a montagem na IRFA- Indústrias Reunidas de Ferro e Aço no bairro do Santíssimo, na Zona norte do Rio de Janeiro. Assim que foram entregues às operações, uma unidade foi destacada para um teste de desempenho com duas locomotivas a vapor americanas da ALCo 4-8-4 na VFRGS. Em um trajeto de 16Km, as vaporosas demoraram 60 minutos para perfazer a rota com 300 toneladas de carga, enquanto as DH Esslingen o fizeram com 400 toneladas em 41 minutos.

 

Em 1954 todas as 23 locomotivas já estavam operacionais, e apresentavam resultados consideráveis em relação às locomotivas a vapor. No entanto, poucos anos depois, devido aos altos custos de manutenção e despreparo das companhias ferroviárias em lidar com essas máquinas, cujo funcionamento mecânico era mais complexo que as locomotivas diesel-elétricas. Cerca de dez anos depois, apenas metade as locomotivas estava em operações, e em 1966 seis unidades foram modernizadas, com o recebimento de novos componentes de transmissão. Apesar do potencial para as operações nas linhas férreas do Rio Grande do Sul, as locomotivas P42 foram baixadas prematuramente nos anos 1970, provavelmente em decorrência dos altos custos de manutenção. Assim como a maioria das locomotivas diesel-hidráulicas no Brasil, foram substituídas por modelos a diesel, de manutenção mais barata e aos quais as equipes das companhias ferroviárias estavam mais habituadas a operar. Em 2016 todas as unidades encontravam-se sucateadas ou cortadas, em condições improváveis de recuperação.

 

Imagens:

 

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P42 com uma composição mista no interior do Rio Grande do Sul

 

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Inauguração das locomotivas na E.F. Leopoldina

 

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Unidade baixada e modificada para carro gerador da RFFSA

 

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Uma das raras P42 a receber a pintura da RFFSA. Provavelmente sua máscara foi reconstruída após uma colisão

 

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Locomotiva P42 baixada, muito provavelmente por algum acidente. Foto de Tony Belviso

 

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Vista lateral de uma P42, com a pintura da VFRGS

 

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Locomotiva baixada. Sem data. Foto de Tony Belviso

 

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Desembarque das máquinas no porto de Rio Grande-RS

 

DH Esslingen da E.F. Leopoldina nos anos 1950

P42 DH Esslingen da E.F. Leopoldina nos anos 1950

 

 

Fontes: Ferreoclube(http://www.ferreoclube.com.br); Centro-Oeste(http://www.vfco.brazilia.jor.br); Almanaque da RFFSA(http://www.almanaquedarffsa.blogspot.com.br); CPDOC-FGV(http://cpdoc.fgv.br/).

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