TUE Série 600

Por: Ferreoclube   Dia: 21 de setembro de 2016

Os TUEs Série 600 são modelos urbanos fabricados pelo consórcio Budd/Mafersa para a RFFSA no ano de 1978. Em uma continuação à compra dos 401 para atender à Região Metropolitana de São Paulo, foram adquiridos 40 trens urbanos, sendo 20 destinados ao Rio de Janeiro(Série 600) e 20 destinados a São Paulo(Série 431). No entanto, os TUEs Série 600 devido a diversos problemas operacionais na Baixada Fluminense, logo no começo da década de 1980 foram transferidos para São Paulo, onde além da vantagem de compatibilidade de peças de reposição com os 101 e 401, a melhor qualidade da via permanente reduzia os problemas frequentes com os truques quando esses trens operavam no Rio de Janeiro.

 

Seu aspecto é diversificado como os trens da Série 401, sendo a única diferença notável a máscara sem a porta frontal para acesso a outra composição quando acoplados. Sua formação é de 4 carros, com os dois motores nas extremidades, assim como os 401, em contraste com os outros TUEs mais antigos. Essa alteração certamente tem como objetivo reduzir os trancos e sacolejo do trem na aceleração e frenagem. Seus freios são característicos pelo recuo do trem após a parada, e também pela baixa desaceleração, fator agravado pela manutenção deficiente da CBTU e que ocasionalmente causava acidentes e paradas fora da plataforma.

 

O trem mais conhecido da frota é o 1605-1606(apelidado de ‘‘TANG’’), o sobrevivente modificado da colisão de Itaquera de fevereiro de 1987, um dos mais conhecidos acidentes de trem da História do Brasil. Essa unidade é distinta por suas grandes janelas frontais, que permitem a visualização de sua cabine e maior visibilidade ao operador. Operou na CPTM até agosto de 2012, após um incêndio no painel de controle. Há boatos que era possível sentir cheiro de sangue dentro de um carro do trem em alguns dias quentes.

 

Quando a CBTU-SP foi sucedida pela CPTM em 1994, a maioria dos trens encontrava-se em péssimas condições operacionais. No final da década de 1990, a CPTM enviou oito unidades para reformas na IESA, em Araraquara, daonde retornaram com novos componentes e renumerados como Série 1600. Assim como os 1400, os 1600 foram, aos poucos, sendo retirados das operações ou enviados para as extensões operacionais, onde a menor demanda exige menos dos trens. No começo dos anos 2000 a CPTM modificou uma unidade(1603), acrescentando-lhe uma terceira janela na cabine, do mesmo tamanho que as outras duas. Esse trem, conhecido como 1600 Fase II, faziam parte de um projeto de modernização dessa série(assim como uma unidade 1400), que no entanto foi descartado pela empresa poucos anos depois. O trem 1603 operou por algum tempo na Linha 12-Safira, e foi baixado depois de um acidente na estação Francisco Morato. Em 2016 restavam apenas as unidades 1601-1612 e 1602-1613 em operação na extensão da Linha 7-Rubi(Francisco Morato-Jundiaí). Essas composições de 4 carros são formadas a partir de dois carros de dois trens diferentes, característica que pode ser notada na sua pintura, que evidencia que os dois carros centrais dos trens possuíam cabine; e no interior é possível ver as marcas das janelas soldadas.

 

Imagens:

TUE Série 600 com a pintura da RFFSA, nos anos 1980

TUE Série 600 com a pintura da RFFSA, nos anos 1980

 

TUE Série 1600 Fase II nas proximidades de Belém, em 2011. Foto de William Molina

TUE Série 1600 Fase II nas proximidades de Belém, em 2011. Foto de William Molina

 

Alexandre Valdes na cabine de uma unidade 1600 desativada, em 2012

Alexandre Valdes na cabine de uma unidade 1600 desativada, em 2012

 

Vista da cabine de um 1600

Vista da cabine de um 1600

 

Composição 1600 na Linha 12-Safira da CPTM, nos anos 2000

Composição 1600 na Linha 12-Safira da CPTM, nos anos 2000

 

TUE Série 1600 na extensão da Linha 7-Rubi da CPTM(Francisco Morato-Jundiaí), em julho de 2016. Foto de Aparecido Marchesim

TUE Série 1600 na extensão da Linha 7-Rubi da CPTM(Francisco Morato-Jundiaí), em julho de 2016. Foto de Aparecido Marchesim

 

Composição 1600 na estação Mogi das Cruzes, em 2006. Via Skyscraper City

Composição 1600 na estação Mogi das Cruzes, em 2006. Via Skyscraper City

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Unidade 1605-1606 “TANG” em 2012. Foto de Diogo Vianna

 

 

Fontes: Ferreoclube(Http://www.ferreoclube.com.br); Museu Ferroviário Paulista(Https://www.facebook.com/museuferroviariopaulista/?fref=ts); CPTM em Foco(Http://www.cptmemfoco.blogspot.com.br).

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