TUE Série 400

Por: Ferreoclube   Dia: 17 de agosto de 2016

O Série 400 é um trem urbano fabricado entre 1964 e 1965 adquirido pela Central com objetivo de ampliar a oferta e suprir a crônica falta de material rodante que a companhia sofria em suas linhas urbanas. Fabricados pela Fábrica Nacional de Vagões em parceria com a Cobrasma e Santa Matilde, esses trens são projetados para trafegar lotados, e contam para isso com uma combinação de características para o serviço urbano: bancos longitudinais, excesso de pega-mãos e chupetas e potentes ventiladores no teto. Sua formação de tração é R-M-R (Reboque-Motor-Reboque), a mesma dos Séries 100 e 200, e a suspensão é mais adaptada a ser estável com os carros cheios, o que resulta em um maior sacolejo do trem quando viaja vazio(principalmente em trechos precários como a Variante Poá-atual Linha 12-Safira da CPTM). Fabricados em 60 unidades, os trens da Série 400 eram baseadas nos dois projetos anteriores, principalmente na similaridade da máscara, contando com melhorias técnicas e internas para melhor adequação a um transporte urbano cada vez mais lotado.

 

A aquisição desses trens, assim como os antecessores Séries 100, 200 e 300(que na verdade era uma modificação de algumas unidades da Série 100) é um evento curioso, no qual muito provavelmente havia algum esquema de corrupção no setor ferroviário nacional. Os trens da Série 4400 não somente já eram obsoletos quando foram adquiridos como também não eram adequados às ferrovias às quais estavam destinados a operar. Já havia sido demonstrado anteriormente o alto custo de manutenção decorrente da ferrugem(os trens-unidade do Rio exigiam constante manutenção e pintura em função da ferrugem que se espalhava rapidamente em suas caixas no ambiente litorâneo da Baixada Fluminense). Na época até foi cogitado o envio de alguns trens da Série 101 da EFSJ para auxiliar os subúrbios fluminenses, mas a operação foi suspensa quando Renato de Azevedo Feio, então diretor da EFSJ, mandou suspender o trem de translado na hora: “Mande desligar a locomotiva. Meus trens não vão mais.” Na compra dos novos trens, que eram majoritariamente fabricados no Brasil e possuíam apenas os equipamentos importados(em contraste com os Budd que seriam todos importados) provavelmente ocorreu algum repasse de propina entre as empresas fabricantes e a Central- ou entre os fabricantes e o governo. Posteriormente essas novas composições de aço carbono apresentariam diversos problemas relacionados à ferrugem no Rio de Janeiro, ao passo que os trens destinados a São Paulo teriam vida útil mais longa.

 

Ao longo do tempo os TUEs Série 400 tiveram diversas pinturas e passaram por algumas reformas, sendo a primeira nos anos 1970, na qual algumas unidades receberam uma singular pintura laranja que lhes conferiu o apelido de Sukita. As unidades fluminenses tiveram modificações na máscara e painel. Posteriormente seriam modificados novamente, ao passo que os trens que operavam em São Paulo permaneceriam na forma original até os anos 1990, quando receberiam a modificação para a forma atual. Com as reformas, os ventiladores foram modernizados, os bancos originais de madeira trocados por bancos plásticos e as molduras das janelas foram trocadas, sendo as atuais maiores e mais largas que as janelas originais da cabine. Com o passar dos anos, esses trens receberam diversas pinturas, sendo as mais notórias a Sukita(laranja), Hollywood(azul, vermelha e branca) e Chanceller(tons de azul, assim batizada por similaridade aos cigarros Chanceller). Após a extinção da CBTU, esses trens foram repassados para a CPTM e Supervia, que os alocaram principalmente para as Linhas 11-Coral e 12-Safira(antigas linhas urbanas da Central) e praticamente em todos os ramais da Supervia. Em 2005 restavam 38 trens na Supervia, e em menor número na CPTM, que possuía 13 unidades em 2016.

Imagens:

 

Trem Série 400 com a pintura "Sukita". Foto de Cid. J. Beraldo

Trem Série 400 com a pintura “Sukita”. Foto de Cid. J. Beraldo

 

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Unidade 4400 CPTM com a pintura Fase I, no final dos anos 1990. Foto de Gerson Alexandre

 

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Trens Séroe 4400 da CPTM com as pinturas das Fases I(direita) e II(esquerda). Foto de Derick Roney

 

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Trem unidade 400 com a pintura da CBTU. Anos 1980

 

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TUE Série 400 da Supervia no Ramal Belford Roxo. Foto de Gustavo de Azevedo

 

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Modelo em escala HO de um TUE 400 com a pintura CPTM Fase I. Via Gamaquetes

 

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Rara fotografia de um 400 com a pintura CBTU

 

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Trem Chanceller no Rio de Janeiro, em 1995. Foto de J. E. Buzelin

 

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Rara foto de um 400 com uma pintura azul-escura da RFFSA. Sem data. Autor desconhecido

 

TUE Série 400 em foto de fábrica, em 1964

TUE Série 400 em foto de fábrica, em 1964

 

TUE Série 4400 com a pintura CPTM Fase II nas proximidades da estação USP Leste, em 2016. Foto de Lucas Mendes

TUE Série 4400 com a pintura CPTM Fase II nas proximidades da estação USP Leste, em 2016. Foto de Lucas Mendes

 

Pintura Fase III CPTM testada em um 4400. Foto de Diego Silva

Pintura Fase III CPTM testada em um 4400. Foto de Diego Silva

 

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Interior de um 400 na forma original. Foto de Diego Silva

 

 

Fontes: Ferreoclube(Http://www.ferreoclube.com.br); CPTM em Foco(Http://www.cptmemfoco.blogspot.com.br); Museu Ferroviário Paulista(Https://www.facebook.com/museuferroviariopaulista/?ref=ts&fref=ts&qsefr=1); Linha Auxiliar(Http://lauaxiliar.blogspot.com.br/).

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