TUE Série 200

Por: Ferreoclube   Dia: 22 de julho de 2016

O TUE Série 200 é um trem urbano fabricado pela Metropolitan Vickers nos anos 1950 para a E.F. Central do Brasil. São composições de três carros similares aos Série 100 que vieram substituir. Solicitados em 1952 pela Central, a verba para a compra dos trens foi liberada pelo Governo Federal em 1954, e as primeiras unidades foram entregues em 1956.

 

Por volta dos anos 1940 a situação das linhas urbanas da EFCB era crítica: A eletrificação das linhas iniciada nos anos 1930 foi atrasada devido à Segunda Guerra(evento pelo qual a firma inglesa Metropolitan Vickers suspendeu seus investimentos no Brasil para dedicar-se ao esforço de guerra da indústria britânica), foi concluída por empresas nacionais, sob condições mais precárias, e depois do fim da guerra, passou a receber poucos investimentos. Não demorou para a situação das ferrovias fluminenses se deteriorar, e logo os trens da Série 100 encontravam-se baixados por falta de peças de reposição ou rebocados por locomotivas a diesel. Em 1948 a Central viu-se obrigada a abolir a primeira classe dos trens de subúrbio devido à enorme demanda que os poucos trens não conseguiam atender; em 1953 das 58 unidades em circulação, 40 trens operavam rebocados por locomotivas ou com parte dos motores desligado. Para piorar a situação, a Light enfrentou problemas de geração de energia no mesmo ano, o que forçou a Central a diminuir a quantidade de trens em circulação, o que se por um lado poupava os precários trens da companhia, agravava ainda mais a lotação nas estações.

 

Como obviamente uma operação tão caótica não pode apresentar bons resultados financeiros, muitos executivos e administradores da ferrovia viam-se forçados a renunciar em função dos enormes prejuízos da empresa, que não apresentava um único resultado positivo em suas Demonstrações Financeiras. A nova equipe de administração que entrou no começo dos anos 1950 tratou de solicitar a compra de novos trens e realizar algumas reformas no material rodante existente para estancar parcialmente os problemas.

 

Em 1954 o Governo Federal liberou a verba para a compra de 100 novos trens solicitados em 1952(originalmente eram 200). A vencedora da licitação foi a Metropolitan Vickers(que já havia vencido anteriormente a licitação dos Série 100), que iniciou a fabricação dos trens da Série 200 em parceria com a FNV, Cobrasma e Santa Matilde(os carros reboque foram construídos no Brasil ao passo que os carros motores seriam fabricados na Inglaterra). Com as primeiras unidades entregues em 1956, vieram para substituir os precários Série 100, desgastados pela enorme sobrecarga e manutenção deficiente.

 

Os novos trens foram feitos com diversos aperfeiçoamentos dos antigos Série 100: motores mais potentes para suportar a superlotação(os carros da Série 100 chegavam a trafegar com até 20 toneladas acima do limite), reforços na estrutura dos carros para aumentar a proteção dos passageiros em colisões- a ausência de estruturas de reforço levava os carros a entrarem uns nos outros nas colisões, ferindo e matando muitos passageiros, e tinham carros mais longos e com 8 portas- em contraste com as seis portas por carro dos trens da Série 100. A tecnologia dos TUEs Série 200 seria posteriormente aproveitada e aprimorada nos anos 1960 pela FNV, que lançou em 1964 os trens da Série 400, que viriam a moldar o perfil das ferrovias urbanas da Central do Brasil durante o período do Regime Militar.

 

Os trens da Série 200 eram apelidados de Martha Rocha- a modelo que perdeu o concurso Miss Universo de 1956 por causa de 2 polegadas(cerca de 5cm) a mais de quadril. A relação entre a modelo e o trem estava nos carros, que eram maiores e tinham mais portas que os mais velhos TUEs Série 100. Com o passar do tempo, esses trens sofreriam o mesmo destino da Série 100, porém em menor intensidade, e sobreviveram até os anos 1990, quando foram modernizadas 30 unidades pela Mafersa e Cobrasma entre 1992 e 1995, tornando-se a atual Série 1000 da Supervia. Os trens receberam uma nova máscara, reforma no salão de passageiros e retirada da cabine em uma das extremidades, o que restringiu as formações para 6 ou 9 carros. A princípio foram encaminhados para o Ramal Deodoro, e com a chegada de trens mais modernos nos anos 2000, foram dispersos nos Ramais Santa Cruz e Japeri. Com a vida útil expirada desde 1999, seu futuro é incerto, e permanecem nos trilhos da Supervia como os trens urbanos mais antigos em operação no Brasil, perdendo somente para os ACF que circulam em Salvador.

 

Imagens:

 

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Modelo em escala HO de um carro de um Série 200. Via Gamaquetes

 

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TUE Série 1000 na Supervia. Foto de Gustavo de Azevedo

 

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Trem Alvorada(ER110)- Série 200 modificado para serviço expresso, em Mogi das Cruzes-SP. Foto de José Emílio Buzelin

 

TUE Série 200 "Barrinha" em Barra do Piraí-RJ em 1988. Foto de Magliano

TUE Série 200 “Barrinha” em Barra do Piraí-RJ em 1988. Foto de Magliano

 

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Trem Série 200 no Rio de Janeiro. Anos 1960. Foto de Neni Ferreira

 

Trem Série 200 na estação de Mendes, na Linha Barrinha(Japeri-Barra do Piraí). Foto de Hugo Caramuru

Trem Série 200 na estação de Mendes, na Linha Barrinha(Japeri-Barra do Piraí). Foto de Hugo Caramuru

 

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Série 200 modificado para serviços expressos. Foto de Ricardo Toshima

 

TUE Série 200 Barrinha, na Linha de Japeri a Barra do Piraí, no Rio de Janeiro

TUE Série 200 Barrinha, na Linha de Japeri a Barra do Piraí, no Rio de Janeiro

 

Mendes 1986Mendes 1986

TUE Série 200 com a pintura CBTU. Foto de Neri Ferreira

 

TUE 200 com a pintura RFFSA no Barrinha, anos 1970

TUE 200 com a pintura RFFSA no Barrinha, anos 1970

 

 

Fontes: Ferreoclube(Http://www.ferreoclube.com.br); Linha Auxiliar(Http://lauaxiliar.blogspot.com.br); Almanaque da RFFSA(Http://almanaquedarffsa.blogspot.com.br); Centro-Oeste(Http://www.vfco.brazilia.jor.br).

 

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