TUE Série 100

Por: Ferreoclube   Dia: 8 de julho de 2016
Carros da Série 100 modificados para serviços de manutenção na CPTM.

Carros da Série 100 modificados para serviços de manutenção na CPTM.

O pouco conhecido TUE Série 100 fabricado pela Metropolitan Vickers para a Estrada de Ferro Central do Brazil foi uma das maiores inovações ferroviárias do Brasil em sua época: o primeiro trem urbano e elétrico do País. Na década de 1930, com a popularização das locomotivas elétricas e trens-unidade, o transporte urbano da EFCB nos subúrbios do Rio, feito com pequenas locomotivas a vapor tracionando carros de madeira se tornava obsoleto, sendo realizada, em 1936, sob decreto de Getúlio Vargas, a eletrificação das linhas suburbanas do Rio de Janeiro pela Metropolitan Vickers e compra dos TUEs série 100 como parte do programa de modernização das linhas de trem da Central. No meio do ano chegaram as primeiras unidades da encomenda de 60 trens-unidade, compostos por 3 carros, em disposição R-M-R(carro reboque-carro motor-carro reboque), fabricados em aço carbono e maiores que os antigos carros de madeira da companhia, e mais ágeis e velozes que as antigas máquinas a vapor que realizavam o mesmo serviço.

 

A viagem inaugural do TUE Série 100 foi realizada em 21/12/1936 entre as estações Mangueira e São Cristóvão, e os primeiros trens ainda contavam com bilhetes de primeira e segunda classe, separação abolida pela EFCB com a falta de praticidade de embarque e desembarque com os trens urbanos e superlotação da malha nas décadas seguintes, prevalecendo o bilhete de embarque único que vemos até hoje nos trens da CPTM, Supervia, CBTU e outras companhias que oferecem este serviço. O programa de modernização foi interrompido em 1939 com o início da Segunda Guerra Mundial, sendo retomado somente em 1945, quando ocorreu a venda de mais 30 composições da Série 100 para a EFCB. O transporte urbano realizado por TUE foi introduzido na Capital Paulista em 1946, na atual Linha 11-Coral e na Variante Poá(Atual Linha 12-Safira, até hoje considerada a pior da EFCB, CBTU e CPTM, visto que possuiu em sua frota circulante carros de madeira até os anos 60, e sempre recebeu material rodante em fim de carreira ou mau estado de conservação), contribuindo também para o desenvolvimento e povoamento de diversos bairros importantes da Zona Leste de São Paulo, como Itaquera, Vila Matilde, Brás, Tatuapé, dentre outros.

 

Ao longo do tempo, esses trens passaram por algumas modificações, sendo as mais notáveis a reforma de 14 unidades durante a crise do transporte urbano no Rio de 1953, que receberam truques de aço fundido e motores repotencializados(220HP em contraste com os 175HP dos originais), e alguns trens que passaram a rodar com formação de 4 carros e renumerados como Série 300. Devido ao intenso desgaste nas linhas superlotadas dos subúrbios fluminenses e a manutenção insuficiente ao longo dos anos, muitas composições da Série 100 se perderam com o tempo, sendo muitos de seus carros utilizados para reposição de outros trens, e as poucas unidades restantes modernizadas nos anos 1980. Atualmente os poucos carros restantes foram remanejados para manutenção na MRS e CPTM, e outros em mau estado de conservação nos pátios da CPTM, Supervia.

 

Imagens:

 

TUE Série 100 no final dos anos 1940, com diversos passageiros pendurados nas portas e na máscara

TUE Série 100 no final dos anos 1940, com diversos passageiros pendurados nas portas e na máscara

 

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Rara foto de um desses trens nos subúrbios da Central de Belo Horizonte-MG. Foto de Hugo Caramuru

 

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TUE Série 100 na Baixada Fluminense

 

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Trem abandonado no interior do Rio de Janeiro

 

TUE Série 100 em construção na Inglaterra. Foto da Metropolitan Vickers

TUE Série 100 em construção na fábrica da Metropolitan Vickers na Inglaterra. Foto do fabricante

 

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TUE Série 100 abandonado nas proximidades da Estação Leopoldina-RJ

 

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TUE Série 100 no bairro da Mangueira, no Rio de Janeiro(esquerda) ao lado de um trem a vapor da Central(direita)

 

TUE Série 100 utilizado como trem de serviço pela MRS

TUE Série 100 utilizado como trem de serviço pela MRS

 

Interior dos Série 100

Interior dos Série 100

 

Carros da finada Série 100 utilizados como veículos de manutenção da CPTM

Carros da finada Série 100 utilizados como veículos de manutenção da CPTM

 

 

 

Fontes: Ferreoclube(Http://www.ferreoclube.com.br); Linha Auxiliar(Http://lauaxiliar.blogspot.com.br); Almanaque da RFFSA(Http://almanaquedarffsa.blogspot.com.br).

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