E.F. Perus Pirapora

Por: Ferreoclube   Dia: 29 de junho de 2016

A EFPP é uma pequena ferrovia de bitola 0,60m localizada no interior do Estado de São Paulo, cujo traçado originalmente fora planejado para ligar o bairro de Perus, na Zona Norte da capital paulista a Pirapora do Bom Jesus, em um percurso de cerca de trinta quilômetros. Seu objetivo primordial era o transporte da cal produzida no bairro Gato Preto, na cidade de Cajamar para os trilhos da São Paulo Railway no bairro de Perus, atuando de forma similar às ferrovias “cata-café”, que consistiam em linhas simples secundárias cujo objetivo era a transportar as mercadorias entre as linhas tronco das companhias e localidades mais distantes. A concessão foi obtida por meio da criação do projeto de transporte dos romeiros até Pirapora do Bom Jesus, visto que o governo estadual não aprovaria a construção de uma ferrovia tão pequena apenas para o transporte de cal.

 

A concessão foi obtida em 1910 por Sylvio de Campos, Mário Tibiriçá e Clemente Neidhart, e o primeiro trecho ficou pronto em 1914, ligando a estação Perus da SPR até Gato Preto. A ferrovia inicialmente abasteciade calcário os fornos de Gato Preto e transportava a cal produzida até Perus, onde era realizado o transbordo para os trens de carga da Inglesa. Nas proximidades de Gato Preto havia uma estação chamada Entroncamento, aonde estava prevista a construção da linha para Pirapora- o trecho que nunca foi construído.

 

Em 1925 foi instalada a primeira fábrica de cimento do Brasil, da Brazilian Portland Cement Company, que utilizava o calcário produzido em Cajamar. A empresa, que possuía material rodante próprio, passou a utilizar os trilhos da EFPP para realizar o transporte da cal de Cajamar para Perus, pelo ramal que partia da estação de Campos, no quilômetro 17,50. Essa parceria constituiu uma ajuda mútua que duraria por anos: A companhia de cimento utilizava a ferrovia para efeturar o transporte dos insumos essenciais para o exercício de suas atividades, ao passo que para a companhia ferroviária o aluguel pago pela cimenteira passou a consistir a principal fonte de receita.

 

Em 1951 a Brazilian Portland Cement Copmany foi adquirida pelo grupo industrial J.J. Abdalla, e passa a chamar-se CBCPP- Companhia Brasileira de Cimento Portland Perus. Nove anos depois a EFPP faliu, em decorrência de prejuízos operacionais, e foi adquirida pela CBCPP. Em 1972 seria suprimido o transporte de passageiros na ferrovia, que em 1974 foi desapropriada pelo Governo Federal.

 

Em 1980 o Grupo Abdalla retomou a posse da ferrovia e a operou até 1983, quando as atividades comerciais foram encerradas, em virtude do fechamento da fábrica de cimento. Quatro anos depois, a EFPP foi tombada pelo Condephaat- Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e Artístico, mas permaneceu abandonada até 2002 quando o IFPPC- Instituto de Ferrovias e Preservação do Patrimônio Cultural iniciou os trabalhos de restauração da histórica ferrovia. Em 2005 foi feita uma parceria com a Natura, que possuía sua fábrica na região e em 2010 a Perus Pirapora foi aberta ao turismo.

 

Desde então, a ferrovia continua operacional, porém a baixa arrecadação decorrente da pouca divulgação, difícil acesso em virtude da localização e falta de recursos humanos e financeiros dificulta os trabalhos de restauração. Em 2016, apenas um pequeno trecho estava operacional, com a via em mau estado e boa parte do material rodante em péssimas condições de uso aguardando o restauro. A data para a abertura de novos trechos ao turismo e ampliação das operações permanece indefinida. A EFPP possui um patrimônio único no mundo de bitola 0,60m em vista da quantidade de material rodante que foi recebendo de diversas ferrovias com o passar do tempo conforme as linhas da “bitolinha” eram desativadas ou rebitoladas pelo Brasil.

 

Imagens:

 

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Trilhos da EFPP próximo ao Km 3 da ferrovia

 

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Vagôes gôndola de fabricação Koppel utilizados para o transporte de brita. A descarga era feita manualmente entornando a caçamba, que quando carregada permanecia alinhada por um sistema de pinos

 

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Remanescente da EFPP próximo à estação Perus, da CPTM(muito provavelmente…)

 

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Engate Boca de Sino, bastante comum no material da bitolinha 0,60m

 

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Estrada da pedreira Pedrix Ltda. que explora a região

 

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Guindaste da ferrovia

 

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Trilhos já reformados no pátio do Corredor

 

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Via permanente sendo reformada no pátio Corredor, em maio de 2016

 

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Vagões e carros estacionados, aguardando o restauro. Maio de 2016

 

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Locomotiva Baldwin de 1911 pertencente à CBCPP(número 17). Número de fabricação: 37339. Foi a nº7 do Tramway da Cantareira, nº4 da Usina Monte Alegre, e foi comprada em 1961 pela CBCPP, junto com as nºs 15, 16 e 18

 

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Tênder com a inscrição da CBCPP

 

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Lucas Santos nos arredores do Km 2 da ferrovia- onde os trilhos aparentemente estão enterrados

 

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Locomotiva 18 da CBCPP, ex-número 1 da Usina Monte Alegre, construída pelo gênio João Bottene em 1938

 

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Caminhando do Km2 até o pátio Corredor, próximo ao Km5 na ferrovia

 

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Locomotiva ALCo fabricada em 1932, comprada nova pela CBCPP. Número de fabricação: 68633

 

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João Rodrigues(esquerda) e Lucas Santos(direita) na estação do Km 2

 

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Pregos de fixação removidos durante as reformas na via permanente

 

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Duas vagonetas Koppel convertidas para passageiros pelo IFPPC, e a locomotiva diesel da EFPP, da marca DIEMA, de 1939(aparentemente ela não possuía número)

 

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Caldeira abandonada da oficina- ou talvez dos fornos de Gato Preto(ou seria uma caldeira de locomotiva reaproveitada como caldeira fixa?)

 

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Vagão fechado nº100 proveniente do Tramway da Cantareira

 

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Vagões fechados da EFPP(procedência desconhecida) nºs 101 a 109- sendo que o 109 foi convertido para vagão de socorro

 

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Estação no Km 2 da ferrovia construída pelo IFPPC- Instituto de Ferrovias e Preservação do Patrimônio Cultural- organização encarregada da preservação da EFPP

 

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Vagões 101 a 109, vistos de outro ângulo

 

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Gôndola Koppel com a caçamba retirada, utilizada pela associação no restauro da ferrovia

 

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Caminhões da Pedrix, empresa que explora economicamente os recursos da região

 

 

À esquerda: locomotiva nº2 da CBCPP, comprada nova- fabricação ALCo, 66405 de 1925. À direita: Locomotiva nº8 da EFPP, proveniente da Pedreira de Cajamar. Decauville 5590, ano de 1912

À esquerda: locomotiva nº2 da CBCPP, comprada nova- fabricação ALCo, 66405 de 1925. À direita: Locomotiva nº8 da EFPP, proveniente da Pedreira de Cajamar. Decauville 5590, ano de 1912

 

Carro de passageiros proveniente da

Carro de passageiros fabricado pela Usines de Braine Lecomte, 1892. Proveniente de segunda mão da ferrovia Ramal Dumont(comprado em 1943), restaurado para uso em passeios na EFPP

 

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Alavanca de um desvio na EFPP. Clique de maio de 2016

 

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Diversos rodeiros encostados na via

 

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João Rodrigues e a locomotiva Baldwin 40674, do ano de 1914. Comprada pela CPEF como nº10(posteriormente renumerada para #910), foi adquirida pela CBCPP em 1958

 

Antigo macaco hidráulico utilizado para a manutenção do material rodante da ferrovia

Macaco hidráulico utilizado para a manutenção do material rodante da ferrovia.(data: desconhecida)

 

Manômetro da locomotiva nº8 da EFPP

Manômetro da locomotiva nº8 da EFPP

 

Trem passando por baixo da Rodovia Bandeirantes em construção, em 1980. Foto de Francisco V. de Freitas

Trem passando por baixo da Rodovia Bandeirantes em construção, em 1980. Foto de Francisco V. de Freitas

 

Pátio do Corredor em 1982. Foto de Nilson Rodrigues(provavelmente)

Pátio do Corredor em 1982. Foto de Nilson Rodrigues(provavelmente)

 

Cajamar em 1983. Foto de Fábio Dardes

Cajamar em 1983. Foto de Fábio Dardes

 

Gato Preto(anos 1930?). Autor desconhecido

Gato Preto(anos 1930?). Autor desconhecido

 

Trem de passageiros em Perus(sem data). Foto de Nilson Rodrigues

Trem de passageiros em Perus(sem data). Foto de Nilson Rodrigues

 

Fontes: Ferreoclube(Http://www.ferreoclube.com.br); Estações Ferroviárias(Http://www.estacoesferroviarias.com.br); Museu Ferroviário Paulista(Https://www.facebook.com/museuferroviariopaulista/?fref=ts).

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