Locomotiva RSD8

Por: Ferreoclube   Dia: 26 de maio de 2016

A ALCo RSD-8 é uma locomotiva diesel-elétrica fabricada pela ALCo-American Locomotive Works para a Companhia Paulista e a RFFSA nos final dos anos 1950. É uma máquina pequena e destinada a serviços gerais, e foram utilizadas tanto para transporte de cargas como de passageiros. Possui potência de 900HP, potência razoável para a época, e atinge a velocidade máxima de 96Km/h.

 

Junto com outras locomotivas de médio porte, as RSD-8 desempenharam um grande papel no processo de dieselização das ferrovias brasileiras, substituindo as máquinas a vapor, principalmente em linhas de más condições operacionais(principalmente no Nordeste). Foram adquiridas pela CPEF(10 unidades) e RFN(19 unidades) no final dos anos 1950, e ao longo do tempo passaram pela Fepasa, CFN, CBTU e ALL, e tiveram com o tempo grande importância em ramais secundários e precários no Nordeste e algumas linhas no Sudeste do País.

 

A Companhia Paulista as adquiriu para as linhas de bitola métrica, nas quais foram empregadas em trens de passageiros, e inclusive mistos. Contudo, com o alargamento da bitola do Tronco Oeste da CPEF e a erradicação dos ramais de bitola métrica nos anos seguintes(Quando a Fepasa foi formada em 1971, a CPEF já não possuía mais linhas de bitola métrica), foram encaminhadas para a CMEF, que era uma das ferrovias mais carentes de locomotivas a vapor do Estado de São Paulo.

 

Um serviço de destaque foi o projeto TIM da Fepasa, nos anos 1990, em que três unidades foram empregadas com TUEs Série 5900 para o transporte urbano na Baixada Santista. O serviço operou por 5 anos, sendo desativado em 1999 pela CPTM, por causa dos altos prejuízos operacionais. O TIM seria sucedido na Baixada Santista dezesseis anos depois pelo VLT de Santos da EMTU. As locomotivas #3501 e #3510(SIGO) foram posteriormente baixadas, junto com os carros, enquanto a #3507, apesar de também ter sido baixada da frota ativa da CPTM, ainda é usada no Porto de Santos.

 

A CBTU ainda as utiliza nas suas superintendências mais precárias- Natal, João Pessoa e Maceió, tendo em vista as péssimas condições da via permanente, que não suportam locomotivas maiores e mais pesadas, que normalmente também exigem raios de curva maiores. Soma-se a esses fatores a baixa demanda desses sistemas, que não exigem trens mais ágeis e adequados ao serviço urbano. Também são utilizadas em Recife, nos trechos não eletrificados. Os trens tracionados por locomotivas a diesel estão sendo substituídos pelos trens Mobile da Bom Sinal, que possuem custos de manutenção mais baixos e são mais fáceis de operar, uma vez que não é necessário manobrar a locomotiva de um lado para o outro da composição nos terminais, como é feito com as locomotivas a diesel. Possuem como principal vantagem uma operação mais pontual, como parte da estratégia da CBTU de aumentar a demanda em seus sistemas pelo aumento da pontualidade e oferta, com trens mais frequentes durante o dia. No entanto, a CBTU-RN parece continuar com o uso de composições tracionadas por locomotivas, para as quais adquiriu duas locomotivas PR-7, que também são usadas para serviços de manutenção.

 

Atualmente, apenas a unidade #3505(Código SIGO) que pertencia à ALL encontra-se preservada pela ABPF com a numeração #905 e a pintura padrão da CPEF(pintura nunca recebida pela empresa que a adquiriu), e é utilizada na VFCJ nos passeios turísticos. Quanto ao Ferreomodelismo, não há modelos fabricados dessa locomotiva em escala comercial, apenas artesanalmente sob encomenda pela Segis & Marcarini e HobbyTec, e disponibilizados nas pinturas Fepasa-DTM Fases I, II e III.

 

Imagens:

RSD8MarlusCintra

Modelo HO de uma RSD8 da Fepasa feito pelo modelista Marlus Cintra

 

locomotiva-6063-Serra-Talhada-CBTU-2a

RSD8 da CFN em Serra Talhada-PE. Via Centro-Oeste

 

Locomotiva RSD8 da Companhia Paulista, preservada pela ABPF e que atualmente encontra-se na Viação Férrea Campinas-Jaguariúna. Foto de Vanderlei Zago

Locomotiva RSD8 da Companhia Paulista, preservada pela ABPF e que atualmente encontra-se na Viação Férrea Campinas-Jaguariúna. Foto de Vanderlei Zago

 

CBTU

RSD8 da CBTU-RN conduzindo um trem de passageiros em Ceará-Mirim-RN. Foto sem data, via Estações Ferroviárias

 

RSD8 da Mogiana em Jundiaí-SP. Foto de Ivanir Barbosa

RSD8 da Mogiana em Jundiaí-SP. Foto de Ivanir Barbosa

 

Da esquerda para a direita: Locomotivas Radiosa, Brasileirinha e Nordestina da CBTU-AL com as pinturas personalizadas da companhia

Da esquerda para a direita: Locomotivas Radiosa, Brasileirinha e Nordestina da CBTU-AL com as pinturas personalizadas da companhia

 

 

Fontes: Ferreoclube(Http://www.ferreoclube.com.br); Portal do Trem(Http://www.portaldotrem.com.br); ABPF(Http://www.abpf.org.br); Museu Ferroviário Paulista(Https://www.facebook.com/museuferroviariopaulista/?fref=ts); Centro-Oeste(Http://www.vfco.brazilia.jor.br).

 

 

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