Miopia de Marketing- Ferrovias

Por: Ferreoclube   Dia: 24 de abril de 2016
Miopia de marketing é um termo utilizado em marketing para definir um fenômeno no qual uma ou mais empresas de um determinado setor da economia concentram-se nos produtos em vez dos clientes. A miopia de marketing é decorrente de falta de visão estratégica e de longo prazo, e leva ao fracasso, devido à perda de visão do que os clientes desejam e necessitam.
O tema abordado no importante artigo de marketing escrito por Theodore Levitt envolve de maneira diferente a decadência do transporte ferroviário de passageiros nos EUA nos anos 1960(no Brasil isso ocorreu nos anos 1970/80). Segundo Levitt, o declínio da indústria ferroviária nesse setor deveu-se ao fato de as companhias ferroviárias terem focado somente na concorrência com outras companhias ferroviárias, em vez das indústrias automobilística e aeronáutica.

No entanto, a concorrência na área se transportes não se dá da mesma forma que no setor de bens de consumo, por exemplo. No caso específico das ferrovia, ao contrário do demonstrado, o serviço de passageiros não encontrava-se obsoleto em relação aos demais modais de transportes disponíveis na época, tampouco a propaganda das companhias ferroviárias desviava-se dos objetivos que visava cumprir.

A desvantagem da indústria ferroviária deveu-se mais a fatores incontroláveis às empresas do setor, que eram o florescimento da indústria do petróleo no século XX que possibilitou tanto no Brasil como nos EUA o forte crescimento da indústria automotiva.
Quanto a aspectos internos, o modelo operacional até então utilizado pelas companhias ferroviárias na época, em ambos os países, era o de transporte de carga e passageiros, de maneira equilibrada na mesma malha ferroviária. Esse modelo mostrava-se obsoleto devido à rigidez da oferta no transporte de passageiros oferecido pelas empresas. Tal dificuldade em ampliar e flexibilizar a oferta devia-se ao uso partilhado com os cargueiros, que limitava o transporte de passageiros de forma eficaz a pequenas janelas horárias ao longo do tráfego nas linhas férreas.
O conflito operacional agravava-se com o fato de o transporte de cargas ser muito mais lucrativo, especialmente em curto/médio prazo, do que o transporte de passageiros. As companhias ferroviárias davam, portanto, a preferência aos trens de carga, restringindo ainda mais as janelas operacionais dos trens de passageiros, e o transporte de passageiros declinava ainda mais.
Com o tempo, muitas empresas do setor, ao perceber a inviabilidade econômica e operacional do modelo de partilha de linhas com trens de carga e passageiros, passaram a especializar-se em apenas um dos dois tipos de serviço.

Desta forma, podemos concluir que no século XX a indústria ferroviária reinventou-se por completo. Os antigos bondes evoluíram para os VLTs, que vêm reconquistando grande espaço no cenário urbano, como alternativa eficaz e eficiente, devido à quase nula poluição sonora atmosférica comparado aos automóveis e ônibus; as empresas de transporte de cargas, hoje especializadas em frete, que afirmam-se como forte concorrente do transporte rodoviário, oferecendo baixo custo e eficiência e segurança no transporte; e os novos serviços de transporte de passageiros de alta velocidade, que hoje desbancam facilmente o transporte rodoviário de longa distância e com a nova propulsão a magnetismo, estão chegando a competir com o transporte aeroviário. Cargueiros pesados e eficientes, TAVs, monotrilhos, VLTs, MagLev’s são a prova viva de que o transporte ferroviário está de cara nova e não tem somente um lendário passado, como também um grande futuro no Século XXI.

 

 

Fontes: Ferreoclube(Http://www.facebook.com/Ferreoclube); Business Harvard Rewiew(https://hbr.org/2004/07/marketing-myopia).

 

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