TUE Série 5500- “Eletrocarro”

Por: Ferreoclube   Dia: 18 de março de 2016

Propaganda da Sorefame do novo trem

O TUE Série 5500 é um trem suburbano fabricado pela Sorefame em 1977 para a Fepasa, que na época precisava de novos trens para a Linha Sul(Atual Linha 9-Esmeralda da CPTM), e também desejava complementar a sua frota de trens urbanos de bitola larga, encostando de vez os já obsoletos Toshiba 4800 para as extensões operacionais.

Em 1977, foi licitada a compra de 50 novos trens, encomendados à empresa portuguesa Sorefame, que os fabricou em parceria com a ACEC e Mafersa. Em 1978 os novos trens Série 9500 entravam em circulação nas linhas da Fepasa. Estes trens ficariam conhecidos como ‘’Eletrocarros”, e curiosamente ‘’Belgas’’, apesar de seu principal fabricante ser uma empresa portuguesa(a Mafersa e a ACEC apenas fabricaram alguns componentes).
 
O uso dos então 9500 logo provou-se um pouco restrito, devido ao seu alto consumo de energia elétrica. Os trens consumiam tanta energia que se passassem duas unidades seguidas pela mesma estação em um curto período de tempo, causavam a queda de energia em toda a linha.

Propaganda da RFFSA de sua nova aquisição para as linhas E e F

Logo a Fepasa viu-se com um enorme problema com 50 trens disponíveis para uma linha que na época, não possuía tanta demanda para tal. Enquanto isso, a RFFSA, que enfrentava uma enorme carência de trens na STU-SP, pediu à Fepasa que cedesse algumas unidades 9500 para as linhas da Zona Leste de São Paulo. No começo da década de 1980, alguns Eletrocarros foram transferidos para a Zona Leste de São Paulo, onde foram numerados Série 160.
 
Com o tempo, todas as unidades acabaram sendo transferidas para a RFFSA, e a Fepasa deslocou alguns 9000(mais conhecidos atualmente como Série 5000) para operar com apenas 6 carros na Linha Sul, ao passo que na Linha Oeste(atual Linha 8-Diamante da CPTM) operavam 2 unidade acopladas, formando uma composição de 12 carros.
 
Problemáticos como sempre, os trens dessa frota também começaram a apresentar frequentes avarias devido à falta de manutenção da RFFSA(e posteriormente CBTU), e normalmente quebravam no meio da linha durante a viagem ou faziam cair a energia em toda a linha férrea, devido à falta de conhecimento inicial da RFFSA do alto consumo de energia desses trens. As frequentes avarias e falhas causaram a aposentadoria precoce de muitas unidades, e poucos trens chegaram ativos à CPTM, em 1994. A CPTM posteriormente os numerou como Série 5500, a identificação mais conhecida que já tiveram.

TUE Série 5500(à direita) e 5550 modernizado(à esquerda). Ambos com a pintura CPTM Fase II

Durante a gestão CPTM, os trens receberam as três fases de pintura(I- prata; II-azul e vermelha e III-vermelha), e passaram a apresentar menos avarias devido à melhor manutenção. Em 2007 a CPTM recuperou algumas unidades que estavam encostadas no pátio de Manoel Feio e as enviou para a modernização, que ficou a cargo das empresas Bombardier e Tejofran. A recuperação consistiu a total recuperação das caixas dos trens, revitalização do interior e a troca de diversos componentes, principalmente os elétricos para reduzir o absurdo consumo de energia. Os 5500 modernizados receberam também a identificação como Série 5550.
 
Em 2010, a CPTM transferiu os 5500 e 5550 à Linha 8-Diamante para suprir a demanda da linha devido à avarias dos trens da Série 5000. Contudo, o retorno não foi muito bem sucedido, porque o equipamento de ATC desses trens não reconheciam o sistema da Linha 8.
 

Último Eletrocarro ativo(modernizado) na Linha 12-Safira da CPTM, chegando na estação Tatuapé.

Após pouco tempo de operação na L8, os Eletrocarros foram devolvidos para a Linha 12-Safira, onde rodaram por mais alguns anos até quase todos serem retirados de circulação. Atualmente todas as unidades estão encostadas próximo à estação Tatuapé, com exceção de um único trem(Série 5550) que ainda roda na Linha 12.

 
A CPTM, por sua vez, tinha um contrato de revisar todas as unidades 5500 existentes, assim como os Budd 1400 e 1600 para colocar todos de volta à operação. Contudo, os altos custos das reformas e modernizações na maioria das unidades, que sofreram muito com a falta de manutenção levaram a empresa a comprar trens mais modernos para a sua frota.
 
Um triste fim para os Eletrocarros, que apesar de problemáticos, fizeram história nos subúrbios paulistanos. Talvez algumas unidades sejam no futuro, restauradas, caso a ABPF ou outra entidade dedicada à preservação ferroviária consiga salvá-las.

 

 

Fontes: Ferreoclube(Http://www.facebook.com/Ferreoclube); CPTM em Foco(Http://www.cptmemfoco.blogspot.com.br); CPTM(Http://www.cptm.sp.gov.br).

 

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