TUE Série 900

Por: Ferreoclube   Dia: 21 de dezembro de 2015

TUE 900 da Supervia

O TUE Série 900 é um trem unidade elétrico fabricado por um consórcio, entre 1980 e 1982 para a RFFSA.

No meio da década de 1980, o plano de revitalização do transporte suburbano do Rio de Janeiro continuava de vento em popa. Depois da chegada da Série 700, vieram também as Séries 800 e 900, esta última a que será descrita neste artigo.

O Série 900 é fabricado por um CCTU, formado pelas seguintes empresas: Cobrasma(Companhia Brasileira de Materiais Ferroviários S.A.), CFL(Carrel et Fouché Languepin), Societé MTE, JS(Jeumont Schneider), CEM(Compagnie Eletro-Mechanique) e TCO(Traction CEM Oerlikon).

O contrato original da RFFSA previa a entrega de sessenta unidades, em dois lotes de trinta trens. Haviam sido entregue cinquenta quando foi congelado pela estatal em 1981, devido a problemas com o orçamento.

Muito provavelmente a RFFSA suspendeu a parte final do contrato dos Série 900 para a STU-RJ(Superintendência de Trens Urbanos do Rio de Janeiro)  devido a problemas com a STU-SP(Superintendência de Trens Urbanos de São Paulo), que na época encontrava-se em situação crítica, com poucos trens e uma série de depredações e incêndios que ameaçava fugir do controle, devido à enorme revolta dos usuários. Logo foi licitada a Série 700 para a STU-SP para suprir a carência de material rodante da mesma.

Enquanto os Mafersa 700(atuais 1700) estavam em produção, alguns TUEs da Série 900 rodaram na STU-SP, tanto para suprir a demanda como também como propaganda do programa de modernização da RFFSA. No entanto, muito estranhamente, até hoje não se sabe ao certo quantas unidades 900 rodaram na STU-SP. Em 1984, seria criada a CBTU-Companhia Brasileira de Trens Urbanos, subsidiaria da RFFSA formada para administrar o seu caótico sistema urbano.

Os Série 900 serviram às STU-SP, STU-RJ e STU-BH(Superintendência de Trens Urbanos de Belo Horizonte), posteriormente renomeadas CBTU-SP, CBTU-RJ e CBTU-BH. Em Minas Gerais, a CBTU abriu em agosto de 1986 o Metrô de Belo Horizonte, com 10,8Km de extensão. A frota inicial da nova rede urbana contava com três trens da Série 300, e mais uma unidade 900 emprestada da STU-RJ, que rodou por lá até a chegada de mais três unidades 300, fabricados também pelo mesmo consórcio que construiu os Série 900.
A passagem da unidade ER932 em Minas Gerais não foi das melhores. Houve muitas reclamações do ruído quando o trem passava por túneis, além da má fama carregada da CBTU-RJ, famosa na época por seus inúmeros problemas operacionais.

A Série 900 foi uma das mais fotografadas séries de TUEs da história ferroviária do Brasil, tanto por entusiastas, ferroviários e ferreomodelistas como pela imprensa, apesar de ser de forma negativa- Nos anos 1980 a prática do surfe de trem atingiu a assustadora marca de 1,2 milhão de passageiros(irregulares) por dia. A prática perigosa e irregular deve-se ao fato de os Série 900 favorecerem o surfe ferroviário, com seus carros de teto liso e laterais repletas de frisos. Devido ao surfe de trem, nessa década morreram muitas pessoas atropeladas por eles, eletrocutadas nos cabos da rede aérea ou devido a quedas dos carros durante a velocidade de tráfego.

TUE Série 900 reformado e com as cores da Supervia

Ao longo dos anos de serviço, os Série 900 possuem muitas histórias e lendas. Uma delas é um trágico acidente no qual teriam colidido um 900 e um 800 em Queimados, no ano de 1988. A misteriosa colisão, que teria deixado cerca de 300 mortos(mais vítimas fatais que a colisão de Itaquera de 1987, considerada o pior acidente ferroviário da história do Brasil), até hoje nunca foi sequer esclarecida(se realmente ocorreu ou não) pela CBTU, que teria ocultado o acidente. Também comenta-se de uma unidade 900 que teria rodado com cinco carros, como trem de socorro e serviço da Flumitrens, que atualmente encontraria-se baixada pela extinta companhia.

Uma história que talvez seja muito provável é a da CBTU ter renumerado as unidades que vieram da CBTU-SP após a chegada dos Mafersa 700. Esta pode ser plausível, uma vez que a numeração atual de certas unidades 900 possuem placas cujos anos não condizem com o numeral das mesmas.

Infelizmente a Série 900 não deixou de ser alvo dos problemas da manutenção deficitária da frota, realizada de maneira errônea pela CBTU, que reutilizava muitas peças de reposição, inclusive de TUEs de outras séries, como as Séries 100 e 200, em vez de comprar novas. Tal processo terminou por colocar muitas unidades da Série 900 encostadas nas oficinas de Deodoro, São Diogo e Engenho de Dentro. O problema agravaria-se na gestão Flumitrens, durante a qual boa parte da frota 900 foi baixada.

Em 1997 deram-se as tentativas de reabilitar os 900 por meio de reformas. A primeira, realizada em doze unidades, deu origem à Série 9000, a qual não foi muito bem sucedida. Em 1998 com a Supervia, viria o PET, o maior programa de reabilitação de trens do Rio de Janeiro. Logo, muitas unidades foram enviadas para a reforma, e receberam novos componentes elétricos e mudanças nos salões de passageiros. Foram reformados dezesseis trens, dez dos quais equipados com ar-condicionado.

Mesmo assim, a Série 900 continuou sendo figura de fatos lamentáveis ocorridos na gestão da Supervia, como o acidente de Austin, no qual perderam a vida nove passageiros, que estavam na unidade #928, que se chocou com uma unidade da Série 500; a depredação do Japeri após um grave problema operacional que levou ao incêndio criminoso do #934 e a queima criminosa do #911, em Saracuruna, após problemas no ramal.

Para completar, várias unidades sucateadas que se encontravam em São Diogo e algumas residentes do GEMEC em Deodoro foram cortadas em novembro de 2010, encerrando muitas esperanças de se ver mais trens dessa série ativos.

Essa Série que já passou por muitos trancos e barrancos nas linha suburbanas cariocas, paulistas e até mineiras, no entanto, ainda tem muito o que rodar, apesar de estar, infelizmente, em número muito menor(menos da metade) do que na chegada no começo da década de 1980.

Ficha técnica

Ano:1980-1982
Unidades fabricadas: 60
Adquirinte inicial: RFFSA
Formação: 4 carros
Tração: M-R-R-M
Linhas de operação: RJ- todas; SP-Linhas A, D, E e F(atuais Linhas 7, 10, 11 e 12), MG-Linha 1.
Velocidade máxima: 120Km/h
Aceleração máxima: 0,80m/s².
Potência: 2.488kW
Largura: 2.977mm
Altura: 3.910mm

Comprimento: 92,50m

 

 

Fontes: Arquivo Ferreoclube(Http://www.ferreoclube.com.br); Transportes Urbanos do RJ(Http://www.transportesurbanosdorj.blogspot.com.br); ABPF(Http://www.abpf.org.br).

 

Posts Relacionados

Estação Santos – Imigrantes

Postado em: 27 de julho de 2018

Continuar Lendo

Automação em Ferreomodelismo

Postado em: 13 de julho de 2018

Continuar Lendo

Locomotivas FA1

Postado em: 29 de junho de 2018

Continuar Lendo

Locomotivas RS3

Postado em: 15 de junho de 2018

Continuar Lendo