Ferrovia e Revolução Industrial

Por: Ferreoclube   Dia: 3 de dezembro de 2015
A ferrovia é de todos os meios de transporte, o mais associado à Revolução Industrial. As grandes transformações econômicas ocorridas na Inglaterra entre 1760 e 1840 modificaram completamente os modos de produção da época e dinamizaram as relações de tempo e espaço conhecidas até então.

À direita: Inauguração da L&MR, primeira companhia ferroviária do mundo, em 1830.
Foi das minas de carvão inglesas que saiu o meio de transporte que conquistaria toda a Grã Bretanha e o mundo nos séculos seguintes. As primeiras redes ferroviárias eram pequenas e simples. Feitas com trilhos rústicos de madeira, possuíam como material apenas vagonetes que eram rebocados por tração animal ou humana por meio de cabos e polias e serviam unicamente para o transporte de carvão nas minas. Antes do surgimento da máquina a vapor, tais redes eram pequenas e limitadas ao uso nas minas.
Em 1814, no auge da Revolução Industrial, a Inglaterra conheceria a primeira  locomotiva a vapor. Projetada pelo engenheiro George Stephenson, a primeira máquina a vapor do mundo era destinada ao transporte de carvão dentro das minas inglesas. Era nomeada Blucher, e conseguia transportar até 30 toneladas de carga sobre os trilhos de ferro dos túneis das minas de Wylam.
Vaporosa Evening Star, uma das mais famosas locomotivas a vapor do mundo.
Tamanho foi o sucesso de sua invenção que Stephenson em 1830 fundou a L&MR- Liverpool Manchester Railway, a primeira linha férrea comercial do mundo, destinada a realizar o transporte de cargas e passageiros entre as cidades industriais de Liverpool e Manchester- as primeiras da Inglaterra a ver despontar a indústria e a máquina a vapor.
As duas locomotivas mais famosas dessa ferrovia foram a Locomotion(o nome ‘’locomotiva” designado a essas máquinas vem daí) e a Rocket, sendo esta última a recordista de velocidade da época, atingindo 45Km/h em sua velocidade máxima. Em um mundo que deslocava-se a velocidades muito menores em carroças, a caldeira a vapor sobre rodas percorrendo os trilhos da L&MR rapidamente conquistou o imaginário popular com um misto de medo e admiração. Na imprensa da época, causaram grande polêmica e surgiu no país um intenso debate sobre os possíveis danos à saúde ao deslocar-se pessoas em velocidades tão altas, bem como a segurança no transporte de mercadorias nas mesmas condições.

Locomotiva diesel-elétrica Deltic 55, uma das primeiras a substituir o vapor nas ferrovias do Reino Unido.

Rapidamente, a invenção de Stephenson conquistou a Inglaterra, Europa e posteriormente o mundo todo. E até hoje continua como o modal de transporte terrestre de menor custo por quilômetro rodado, especialmente para cargas.
Nas palavras do historiador Eric Hobsbawn:
“Nenhuma outra invenção da revolução Industrial incendiou tanto a imaginação quanto a ferrovia […].Indubitavelmente, a razão é que nenhuma outra invenção revelava para o leigo de forma tão cabal o poder e a velocidade da nova era; a revelação fez-se ainda mais surpreendentemente pela incomparável maturidade técnica mesmo das primeiras ferrovias. (Velocidade de até 60 milhas – 90 Km por hora por exemplo, eram perfeitamente praticáveis na década de 1830, e não foram substancialmente melhoradas pelas posteriores ferrovias a vapor). A estrada de ferro, arrastando sua enorme serpente emplumada de fumaça, á velocidade do vento, através de países e continentes, com suas obras de engenharia, estações e pontes formando um conjunto de construções que fazia as pirâmides do Egito e os arquedutos romanos e até mesmo a Grande Muralha da China empalideceram de provincianismo, era o próprio triunfo do homem pela tecnologia” ( HOBSBAWN,Eric J. A era das revoluções: 1789 – 1848. 7.ed. Rio de Janeiro,Paz e Terra,1989.p.61).
Sem dúvida, conforme demonstrado, até hoje é uma das mais incendiárias invenções da Humanidade. A ferrovia moldou a cultura de todas as cidades dotadas de pátios e estações de trem. Inclusive no Brasil, onde surgiram dezenas de associações dedicadas à sua preservação e ao ferreomodelismo, atividade de entretenimento também relacionada ao transporte ferroviário e sua importância histórica fundamental ao desenvolvimento de muitos países.
E a história ferroviária não pára por aí. Enquanto houver indústria, comércio, mercadorias e passageiros a serem transportados, haverão novas histórias para criar.Fontes: Arquivo Ferreoclube(Http://www.ferreoclube.com.br); ABPF(Http://www.abpf.org.br);

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