História ferroviária do Estado de São Paulo

Por: Ferreoclube   Dia: 31 de julho de 2015
A História ferroviária do Estado de São Paulo começou em 16/02/1867 com o primeiro apito de uma locomotiva no bairro de São Valongo, em Santos. A SPR- São Paulo Railway, empreendimento de Irineu Evangelista de Souza(popularmente conhecido como Barão de Mauá) com parceria e financiamento de capital inglês. A primeira ferrovia paulista é um dos maiores desafios de engenharia do mundo: A subida da Serra do Mar, uma escarpa de 800m de altitude, que separa a Cidade de São Paulo do mar, e por consequência, do Porto de Santos. Seu objetivo era a instalação de um meio de transporte mais eficiente que as estradas íngremes e perigosas para atender à capital.
A São Paulo Railway contava na época com um complexo sistema funicular que auxilia os trens na rampa de 10% de inclinação entre Raiz da Serra e Rio Grande da Serra, e foi substituída no governo Geisel pelo moderno sistema de cremalheira-aderência, utilizado até hoje. Seu trajeto total de 139Km vem de Santos, sobe a Serra do Mar, atravessa o atual ABC Paulista, região altamente industrializada, cruza a capital nos bairros do Brás, Bom Retiro, Barra Funda, Água Branca, Lapa, Pitiruba, Piqueri e Perus e vai até Jundiaí, no interior. A SPR foi fundamental para o desenvolvimento de indústrias nesses bairros, devido à facilidade de transporte. As principais indústrias próximas à SPR foram as Indústrias Matarazzo, na Água Branca, e a Mafersa- Material Ferroviário S.A. na Lapa.
A SPR, apesar de ter recebido a concessão para explorar o interior paulista, não interessou-se por estender seus trilhos para além de Jundiaí, por motivos financeiros. Tal desinteresse levou à fundação da CPEF- Companhia Paulista das Estradas de Ferro, em 1870 por vários barões do café que desejavam um transporte mais eficiente do café para o Porto de Santos e também para passageiros à capital e chegada de imigrantes. A Companhia Paulista iniciou suas operações com a linha Jundiaí-Campinas, e a partir de Campinas estendeu-se para diversas cidades importantes do interior paulista, como São Carlos, Americana, Ribeirão Preto, Araraquara, dentre outras. a CPEF tornou-se um símbolo de excelência em transporte ferroviário no Brasil e em todo o mundo durante seus 101 anos de operações.
Na mesma época, surgiu também a CMEF- Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, também desbravadora do interior paulista que seguiu a marcha do café e partindo de Mogi Mirim, estendeu-se pelo norte de São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Contudo, a Mogiana operava apenas em bitola métrica(1,00m), ao contrário da Paulista que utilizava as bitolas métrica e larga(1,60m)- A bitola larga da Paulista devia-se principalmente para a integração com a SPR, visto que esta foi construída em bitola larga.
No Sul do Estado, foi formada em 1875 a EFS- Estrada de Ferro Sorocabana incialmente para o transporte de algodão, e posteriormente também para o café e outras mercadorias. A EFS abriu sua primeira linha no mesmo ano, ligando São Paulo a Sorocaba, porém utilizando a bitola métrica e partindo de uma nova estação, a Estação São Paulo, hoje conhecida como Estação Júlio Prestes. A EFS estendeu-se até Botucatu, Presidente Epitácio, Presidente Prudente, Itu; e foi também responsável pela quebra do monopólio da SPR ao Porto de Santos, com a construção da linha Mairinque-Santos, que descia a Serra do Mar por uma região de declive mais suave, não precisando de cremalheira para auxiliar os trens no trajeto.
Até a Era Vargas, a indústria ferroviária prosperou em todo o Estado de São Paulo, e começou a enfrentar dificuldades nesse período devido aos investimentos maciços do governo no transporte rodoviário, o que dificultava concorrência devido aos subsídios desleais fornecidos ao novo modal de transporte, visto na época como mais moderno. Na prática, a preferência ainda atual do Governo Federal pelo transporte rodoviário deve-se ao maior consumo de derivados de petróleo por parte dessa indústria automobilística, e que portanto atende melhor aos interesses da maior empresa estatal do Brasil, a Petrobras.
Um fator importante que também pesou contra as ferrovias paulistas foi a falta de integração de linhas, agravado pelo uso de bitolas diferentes. Além da SPR, CPEF, CMEF, EFA e EFS existiram também diversas outras companhias, como a EFCJ- Estrada de Ferro Campos do Jordão, TC- Tramway da Cantareira, dentre outras, que serão mais exploradas em outros artigos.
Em 1971, as três companhias estaduais CPEF, CMEF e EFS foram unificadas, junto com a EFA, EFSPM, e outras empresas, formando a Fepasa- Ferrovias Paulistas S.A. que atendia a todo o interior do Estado(com exceção da E.F. Noroeste do Brasil, pertencente à RFFSA- Rede Ferroviária Federal S.A.) e às Linhas suburbanas Oeste e Sul(atuais Linhas 8 e 9 da CPTM). A Fepasa, apesar de sua boa fama, enfrentou e sofreu muito nas mãos de um governo que desde a Era Vargas investe pesado no transporte rodoviário e deixou a malha ferroviária em segundo plano. Com o tempo, seu material e linhas foram desgastando-se, comprometendo a qualidade dos serviços da companhia, que dificilmente possuía verbas para realizar a devida manutenção nas linhas e trens.
Em 1998, quando extinta, a Fepasa possuía uma frota menor do que aquela que havia recebido em 1971, e sua malha também havia diminuído. Em 1994 suas linhas suburbanas foram repassadas à CPTM- Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, que as nomeou Linhas B e C, respectivamente. A Fepasa foi integrada à RFFSA e privatizada, sendo sucedida pela Ferroban- Ferrovias Bandeirantes S.A.
A Ferroban passou por diversas dificuldades financeiras que levaram à sua falência e incorporação pela ALL- América Latina Logística, tornando-se ALL Malha Norte. A ALL também enfrentou grandes dificuldades com a malha herdada da finada Ferroban, que estava obsoleta. A má fama da ALL com acidentes surgiu nessa época, devido ao elevado índice de acidentes nessas linhas, principalmente entre os anos de 2008-2011.
Em 2013 a ALL Malha Norte foi repassada à Rumo e aberta a parcerias com a MRS e Brado Logística devido à carência de material rodante e recursos para manutenção. Em 2015 a ALL foi incorporada à Rumo Logística, e esta passou a investir maciçamente na restauração e reativação não somente da malha paulista como também de todo o Sul do Brasil, onde a ALL também operava. Várias linhas estão hoje em processo de restauração e retificação, e diversas locomotivas foram reformadas e pintadas nas cores da Rumo, além de várias outras novas chegando para reforçar a frota.
Quando ao transporte suburbano, A CBTU-SP e Fepasa(linhas urbanas) foram fundidas na CPTM- Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, empresa estadual que manteve e aprimorou consideravelmente o transporte suburbano na Região Metropolitana de São Paulo. A companhia hoje oferece o segundo melhor serviço de transporte ferroviário do Estado, perdendo somente para a CMSP- Companhia do Metropolitano de São Paulo, responsável pela construção e operação do transporte metroviário da cidade de São Paulo. O Metrô de São Paulo, apesar da lenta expansão, insuficiente para atender à enorme demanda da RMSP, possui serviços de excelência e material moderno em suas seis linhas atualmente operacionais. É o melhor e maior metrô do Brasil, superando de longe as redes de outras capitais estaduais, tanto em extensão da malha como em qualidade de serviços.
Nos últimos anos, também está voltando o transporte de VLTs em diversas grandes cidades paulistas, sendo o primeiro a ser realizado o VLT de Santos, construído pela EMTU, que atenderá à Região Metropolitana da Baixada Santista. Outros projetos, como o VLT de Campinas(atualmente desativado) e o VLT de São José dos Campos, ainda estão em estudos, com as obras previstas para serem iniciadas em breve.
A lendária história ferroviária possui considerável repercussão popular entre os paulistas. O Estado de São Paulo possui a maior associação de preservação ferroviária do Brasil, e uma das maiores do mundo, a ABPF- Associação Brasileira da Preservação Ferroviária. Também possui a maior concentração de ferreomodelistas do Brasil, visto que aproximadamente 40% dos ferreomodelistas brasileiros é paulista ou reside no estado.
Fontes: Arquivo Ferreoclube(Http://www.ferreoclube.com.br); (Http://www.facebook.com/Ferreoclube); VFCO(Http://www.vfco.brazilia.jor.br); Wikipédia(Http://www.wikipedia.com.br); Máfia CTC(Http://www.mafiactc.com); Frateschi(Http://www.frateschi.com.br).

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