Estrada de Ferro Oeste de Minas

Por: Ferreoclube   Dia: 23 de novembro de 2014
A EFOM(Estrada de Ferro Oeste de Minas) foi uma companhia ferroviária fundada com o apoio do Governo Imperial para efetuar a ligação ferroviária entre o município de São João del Rey e a corte. A companhia operou ente 1880-1931 nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, e enfrentou uma das mais conturbadas histórias deste País em seus mais de 100 anos de existência.
A nova ferrovia se tornou conhecida pelo uso da peculiar bitola de 30 polegadas(76,2cm) surgida no Leste Europeu como alternativa mais barata à bitola métrica para a construção de ferrovias no relevo acidentado e montanhoso dos Bálcãs. Devido à dissonância entre a nova estrada de ferro e os padrões ferroviários brasileiros de gabarito e peso da época(padronização para as bitolas métrica-1,00m e larga, de 1,60m), todo o material rodante da nova empresa foi importado do Império Austro-Húngaro(atual República Tcheca), sob fabricação especial, constituindo até hoje parte singular da frota ferroviária brasileira.
(À direita: logotipo da EFOM estampado no material rodante da empresa.)
A malha da EFOM se estendeu por todo o centro-Sul do Estado de Minas Gerais, contornando com facilidade as montanhas da Serra da Mantiqueira, e seus trilhos possuíam conexões ferroviárias com a E.F. Central do Brasil, E.F. Goiás, Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, E.F. Vitória a Minas, e Rede Sul Mineira.

Suas locomotivas de bitola estreita apresentavam tão bom desempenho como as máquinas de bitola métrica da CMEF, vencendo com igual facilidade o relevo acidentado do Sul das Minas Gerais em linhas de bitola e raio estreitos.

Abaixo: Mapa da EFOM.

Com dificuldades financeiras e dívidas acumuladas, foi decretada a liquidação forçada da companhia em abril de 1900, vindo a mesma a ser adquirida em hasta pública pelo governo federal em 13 de junho de 1903, depois de estar sob a guarda do banco alemão Brasilianische Bank für Deutschland e do próprio governo federal.
De 1903 a 1931 a Estrada de Ferro Oeste de Minas foi uma das estradas de ferro encampadas pelo governo federal, vindo a ser arrendada ao governo de Minas Gerais em janeiro deste último ano junto com a Rede Sul Mineira (RSM) para formar a Rede Mineira de Viação (RMV).

Durante a gestão RMV(1931-1956) uma boa parte dos ramais da EFOM foi retificado para a bitola métrica ou erradicado, devido à padronização e adequação da rede ferroviária do País promovida pelo presidente Getúlio Vargas, (que governou o País de 1930 a 1945, e posteriormente de 1950 a 1954), criador do CNF-Conselho Nacional das Ferrovias, responsável pela padronização, fiscalização de toda a malha ferroviária do Brasil e seu material rodante até 1997, quando foi criada a ANTT pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Em 1956, quando a RMV foi incorporada à RFFSA durante o Governo JK, ocorreu a erradicação da maioria dos seus ramais, que se tornava deficitária, e consequente substituição dos trilhos por estradas em 1958 para o início da implantação do transporte rodoviário como predominante no País promovida pelo mesmo presidente.
Em 1996 o último trecho restante da EFOM, então pertencente à Superintendência Regional 2 da RFFSA foi repassado à FCA- Ferrovia Centro-Atlântica, que assumiu a malha das Superintendências Regionais 2, 7 e 8 da extinta estatal, que mantém desde 2001 a linha Tiradentes-São João del Rey para fins turísticos e como a última linha férrea de bitola 0,762m do mundo. O complexo ferroviário possui uma área de 35.000 metros quadrados, sendo o maior centro de preservação histórica ferroviária nacional do Brasil e um dos mais importantes do mundo.
À direita: bitolas utilizadas na malha ferroviária brasileira em comparação com a bitola 0,76m.
A FCA também tem a responsabilidade da manutenção e operação do Trem da Vale, projeto turístico e cultural inaugurado em 05/05/2006 pela parceria entre CVRD(atualmente Vale S.A.), FCA e ABPF que liga as cidades de Mariana e Ouro Preto em MG, que será melhor abordado em outro artigo.
Atualmente a E.F. Oeste de Minas conta com 4 locomotivas e 12 carros(vagões) preservados da fota orignal, e o último trecho restante possui 12Km, entre as duas estações terminais, que também são as únicas ativas da antiga EFOM.
As locomotivas ativas são as #22, #41, #42 e #68 #58 em processo de restauração pela FCA, e a #20 se encontra preservada em Belo Horizonte. As locomotivas #1, #37, #38, #40, #43, #55, #62 e #69 se encontram preservadas no museu, junto com uma locomotiva elétrica de bitola métrica, além de carros e vagões de carga.
Obs.: A frota da EFOM não foi numerada de acordo com o Código SIGO, não se sabe porquê. Talvez pelo isolamento do restante da frota devido à questão da bitola ou decisão da estatal em manter o histórico material rodante com numerações originais… 
A riqueza de material encontrada nas instalações e a enorme quantidade de informações e arquivos históricos encontrada nas instalações da FCA a região a faz possuidora de um dos maiores e mais importantes patrimônios ferroviários do Brasil.
Nota Especial:
Em agosto de 2012 tive o prazer e privilégio de conhecer o Museu da EFOM durante uma viagem escolar no 2º colegial à Região do Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais, junto com o patrimônio histórico das cidades históricas do Ciclo do Ouro do Século XVIII. Seguem no artigo algumas fotografias de minha autoria, e meus agradecimentos especiais a meus professores Graça Pontin, Marilda, Walter Elisete, e meus grandes amigos Daniel Sé, Lucas e Pedro Paolo Camano, Vitor Matheus Cesare Pennacchi que me acompanharam na viagem, bem como a toda a turma do 2º col. 2012 presente na viagem. Abraços, João R.
Acima: Locomotiva #41 da EFOM tracionando o trem turístico atualmente. A máquina foi quase completamente modificada ao longo do tempo.

 

Locomotiva Metropolitan Vickers e carro Caboose nas antigas instalações da EFOM, rebitolada para bitola métrica.
Visão das janelas do trem durante a viagem. Nas janelas, minhas colegas de escola Gabriela Pavone(à frente) e Nicole Dentes(atrás).

 

Locomotiva encomendada pela EFOM à Baldwin, em tamanho diferente das convencionais.

Composição da E.F. Oeste de Minas parada na estação Tiradentes.

Fontes: Arquivo Ferreoclube, http://vfco.brazilia.jor.br

Grupo Ferreoclube ®
João Rodrigues
Mário Lanza
Andrey Fatore
Alexandre Valdes
Derick Roney
Lucas Molina

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