Trens de passageiros

Por: Ferreoclube   Dia: 30 de agosto de 2014
São Paulo, 07/11/2013
Hoje falaremos de um dos temas mais polêmicos do meio ferroviário brasileiro: O transporte de passageiros em nossas ferrovias.
O transporte de passageiros no Brasil e foi praticamente extinto no final da década de 2000. Para uns foi a má vontade das novas empresas concenssionárias, para outros a
Mas vários fatores levaram a este fim, e serão exatamente estes motivos a chave do retorno dos fatídicos trens expressas para os que os querem de volta no trecho.
Para começar, o Brasil era, até as décadas de 1930/40, um País agroexportador com boa parte da população pobre e rural. A malha ferroviária brasileira, cuja maior parte foi construída nesta época, foi destinada, em sua maior parte, para a exportação dos produtos do interior para os portos, sendo o transporte de cargas a maior prioridade nos trilhos. O transporte de pasageiros tinha apenas um papel secundário, sendo a maior parte das rotas das capitais e cidades litorâneas para o interior do País, havendo poucas linhas interregionais ligando as cidades. As empresas ferroviárias da época, em sua maioria ligadas ou pertencentes aos agircultores e latifundiários, priorizavam o transporte de cargas, havendo poucos trens de passageiros nas operações. Uma rara exceção(se não a única) foi a Companhia Paulista, que seguindo os moldes europeus, possuía cargueiros leves e expressos velozes de passageiros no trecho.
A principal consequência da priorização do transporte de cargas e a ausência de linhas segregadas, com integrações em todas as regiões do País, restrições à velocidade eram fatores que levavam a demoras e limitações hoje inadmissíveis no transporte ferroviário, problema agravado pela Questão das Bitolas, ainda hoje um obstáculo à integração ferroviária de nossa malha.
Outro fator crucial diretamente ligado à decadência das nossas ferrovias e seu seguinte sucateamento e substituição pelo modal rodoviário foi a lenta modernização e capacidade de se adaptar a padrões mais modernos. Com o passar das décadas, o modal ferroviário preservou seus antigos padrões, o que levou a sucessivos déficits com as receitas e perda de competitividade com as rodovias. Os trens continuavam no mesmo padrão de operação do começo do século, com muitas paradas e velocidades restritas; a malha pouco se expandiu entre os anos 50 e 90(ocorrendo até fechamento de ramais), o que limitava a quantidade de rotas possíveis para viajar de trem, e o material rodante não ofereciam recursos hoje indispensáveis, como ar condicionado e tomadas elétricas.
Mesmo após a reforma e privatizações da década de 1990, com a retomada de investimentos na ferrovia, apenas o transporte de cargas revigorou, sendo o transporte de passageiros no País quase totalmente extinto, por falta de interesse da iniciativa privada. Mas por quê?
Falta de demanda e competitividade. O mesmo motivo que fez a iniciativa pública, também não querendo assumir o prejuízo de um meio de transporte extremamente carente e sucateado à epoca, e que precisava de investimentos ainda maiores que o transporte de cargas.
Por fim, resta um dos maiores entraves ao retorno do trem de passageiros: A cultura. Depois de seis décadas de rodoviarismo desenfreado, o trem foi lentamente, apagado da memória do brasileiro. O carro se tornou o símbolo de status da população, andar de trem/transporte coletivo quem não pode ter um automóvel. Exemplo disso são o metrô nas grandes cidades, que apesar de possuir algum status(pelo menos em São Paulo), ainda é segunda opção, e os trens urbanos, raramente visos pela classe média como algo moderno e respeitável. Não é da noite para o dia que se coloca toda a população em um trem expresso, e a convence de renunciar ao luxo do automóvel a usar um trem regional para ir aonde quer. Enfim, são estes vários fatores responsáveis por este problema, que somente mudarão com uma mudança crucial de postura de todos do meio ferroviário: A mudança de visão e postura em relação ao trem, que deve deixar de ser somente algo ligado a um passado glorioso, como também ao presente e ao futuro de nossa Nação.

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